Luz do existencial: o Sétimo Selo (1957)

Por Andy de Camargo

O Filme o Sétimo Selo ou Det Sjunde Inseglet é um filme  sueco ambientado na era medieval durante a peste negra, obra-prima de 1957. A construção fascinante do roteiro e direção de Ingmar Bergman. Esta visão expressiva do cinema clássico que encanta o público de esperança é e parte um tesouro do cinema mundial por direito próprio. Indiscutivelmente é um dos filmes mais respeitados do nosso tempo, contendo cenas icônicas que foram apresentadas em sátira em filmes contemporâneos. Bill e Teds Bogus Journey (1991) faz a referência icônica e memorável e o retrato da visão da Morte de Begman na cena em que seus personagens centrais lutam com sua mortalidade, o que permitiu uma homenagem ao Sétimo Selo.

Em sua essência, o filme tem um foco demonstrativo em ideias de existencialismo. Como o cavaleiro das cruzadas Antonios Block, desiludido com os horrores das campanhas, volta para casa e descobre que seus esforços foram em vão depois de voltar para um país atormentado. Ele questiona sua fé e luta contra a crença, esse existencialismo traz o absurdismo da visão, uma questão filosófica abordada pelo filósofo existencialista Albert Camus em seu livro de 1942, o Mito de Sísifo.

O personagem luta internamente para encontrar um significado em sua vida com a compreensão de sua mortalidade. Muito parecido com quando a Morte chega para Bill e Ted e eles convidam a personificação da Morte para uma série de jogos, como o jogo de xadrez de Antonios em sua jornada. Na luta de Antonios pelo desejo de controlar seu destino, essa ação revela a agonia da visão do desconhecido do personagem. Pelo menos com esta ação, ele está no controle, seja positivo ou negativo, o resultado pelo menos foi por sua mão. Durante toda a consideração de seu destino inevitável, ele sente vitalidade de seu pensamento. No entanto, isso não é suficiente para levar os Antonios a uma nova posição espiritual, pois o significado da vida não está na base de tais realizações, mas mais profundamente. Albert Camus leva seu argumento na visão do desenvolvimento da repetição do absurdo, se estamos destinados a viver uma vida de repetição, então que possamos vivê-la ao máximo de todos os seus limites. Sisifo se viu obrigado a fazer rolar uma pedra até o topo de uma colina apenas para vê-la voltar ao fundo repetidas vezes. Tornando a tarefa sem sentido, ele encontrou maneiras de manter o interesse em sua tarefa repetitiva. Novas formas de empurrar a pedra e a criatividade para completar a tarefa, sem saber ele se tornou o herói de sua própria história adquirindo sentido na ausência do sentido.

Essa relacionabilidade é um dos apelos do Sétimo Selo, após os horrores da segunda guerra mundial, podemos perceber como Bergman buscou criar essa visão artística, afastando-se do romantismo. Uma vez que entendemos a relacionabilidade do Bergman com Antonios, podemos argumentar que a jornada de Antonio foi o processo de autorreflexão necessário ao diretor. Outros personagens têm sua importância para a jornada de Antonios. Um personagem, em particular, é Eoff, o bobo, que proporciona ao herói momentos de paz. Eoff no sentimento de conforto auto-imposto traz uma dimensão de liberdade, visualizando assim a Virgem com o menino Jesus criando um contraste entre a desesperança sombria encontrada em Antonios. Abrindo a compreensão de que se libertar das próprias lutas, seja por meio da alegria ou do significado, tem sua divindade. Uma divindade que traz paz até mesmo aos mais aflitos.

A cena do filme que demostra essa paz por através de uma combinação de música e comer uma tigela de morangos. Neste momento, Bergman nos leva a uma conclusão significativa sobre a arte, que nos tempos mais desafiadores a arte traz conforto para a alma e certamente para a mente. Em nossos tempos, isso tem sido particularmente verdadeiro, pois temos sido nas lutas para encontrar vazios. No entanto, nosso tempo foi considerado útil para a apreciação da arte e do cinema. A esperança não está nas massas nem no que a sociedade luta para aceitar, mas sim em nós mesmos como coletivo para compartilhar momentos que só um artista teria o poder de nos trazer, seja através de shows ao vivo ou de um filme.

Antonios não encontra as respostas para suas perguntas porque a vida não é assim e não oferece nenhuma, mas nos dá esperança, esperança para o futuro. Nisso, podemos relacionar mais do que imaginamos a este filme de 1957. Assim, o significado para o insignificativo vem de uma vida plena de esperança.

 

Andy de Camargo

Analítico, excêntrico e Punk Rock. Especialista em Gestão de Projetos com amplo conhecimento em Methodologias Agile e Desenvolvimento de equipes. Conta com mais de 10 anos de experiência profissional, é escritor, poeta, artista plástico e cantor. Com mais de 60 shows na Europa e correntemente preparando sua primeira publicação “Mães da Virtude”.

@andrewdc.art

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