Curitiba
Bárbara Campelli: um show para sentir, uma voz para lembrar
Em show no Teatro Paiol, a cantora curitibana celebrou um ano do álbum Onde Eu Soul e conquistou pela força da voz e pela personalidade da interpretação.
Por Vanessa Ricardo
Sempre fico um pouco mal quando descubro que não conheço o trabalho de uma artista, ainda mais quando ela é da mesma cidade que eu. Acredito que essa autocobrança seja natural para quem é jornalista cultural. Estou sempre buscando conhecer novos trabalhos porque, para fazer jornalismo cultural, é preciso ter repertório. E repertório se constrói. Na música, aprendi muito com João Gilberto Tatára, que me abriu os olhos, principalmente para a música produzida em Curitiba.
Na última quarta-feira, fui ao Teatro Paiol assistir ao show de Bárbara Campelli. A cantora e compositora curitibana celebrava um ano de Onde Eu Soul, seu primeiro álbum, acompanhada por uma banda de peso em um dos palcos mais queridos da cidade.
Eu ainda não conhecia o trabalho dela. Saí encantada.
Bárbara tem uma voz belíssima e uma presença de palco que prende a atenção sem esforço. Foi um daqueles shows que passam num piscar de olhos e continuam reverberando depois que a gente vai embora. Um show para sentir.
A experiência me levou ao álbum. São oito canções que percorrem o amor e as questões que surgem em torno de um relacionamento, com uma personalidade que também se revela no palco. O que mais me marcou foi justamente a maneira como Bárbara canta: sua voz tem identidade. Ela não parece buscar uma forma pronta de cantar. Em tempos em que tantas interpretações acabam se confundindo, reconhecer a voz dela é um prazer.
Embora a música sempre tenha estado ao seu redor Bárbara vem de uma família musical, ela começou a fazer aulas de canto aos 30 anos e estreou como cantora aos 32. Em 2018, criou o show Ciclos de Amor. Ao longo do caminho, encontrou artistas como Darlene Lepetit, Leo Fressato, Pietro Domiciano, Re Gugli, Bruna Pena e Capim Limão. Em 2021, lançou duas canções de Leo Fressato; em 2024, fez backing vocal para o Capim Limão no Coolritiba. Também integra o Doce Delírio, ao lado de Bruna Pena, Henrique Geladeira e Pietro Domiciano.
No Paiol, a força do show também veio dos músicos que dividiram o palco com ela: Julia Klüber assinou os arranjos e a direção musical, além de tocar teclas; Lilian Nakahodo esteve nas teclas, Vic Vilandez no baixo e Dani Dalessa na bateria. Pietro Domiciano participou com voz e violão, e Murilo Campelli, no violão.
Também me encantou ver os pais de Bárbara na primeira fileira, cantando e admirando a apresentação da filha. Foi bonito de ver.
Entrei no Paiol sem conhecer Bárbara Campelli. Saí querendo ouvir mais. Ela merece entrar no seu radar. No meu, já entrou.

