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My Dying Bride faz primeiro show da história em São Paulo em novembro

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Por Paola Galiano

Ícone britânico do doom metal retorna ao Brasil após 13 anos e estreia na capital paulista com Mikko Kotamäki nos vocais

Treze anos depois de sua primeira e única passagem pelo Brasil, o My Dying Bride retorna ao país para uma apresentação inédita em São Paulo. Um dos nomes fundamentais do doom metal britânico toca no Fabrique Club, no dia 29 de novembro, em um show que também marca uma nova fase na trajetória da banda, agora com Mikko Kotamäki, vocalista do Swallow the Sun, à frente dos vocais.

A apresentação é realizada pela Firebird Industries, Matrix Entertainment e Kool Metal Fest. Os ingressos estão à venda pela Ticket.

A história do My Dying Bride começou em Bradford, no norte da Inglaterra, em 1990. Naquele período, a cena britânica de metal extremo passava por uma transformação importante, e a banda ajudaria a definir uma das vertentes que surgiriam desse movimento: o death-doom.

Junto de Paradise Lost e Anathema, em sua formação inicial, o grupo ficou conhecido como parte da chamada “Trindade do Doom Metal”. As três bandas ajudaram a estabelecer uma combinação que parecia improvável no começo dos anos 1990: a brutalidade e os vocais extremos do death metal convivendo com guitarras lentas, melodias sombrias, elementos góticos e uma atmosfera quase fúnebre.

No caso do My Dying Bride, essa identidade ganhou ainda uma característica bastante particular. O violino, utilizado por Martin Powell nos primeiros anos, tornou-se um dos elementos mais reconhecíveis da banda, acrescentando uma dimensão melancólica às guitarras pesadas e ajudando a afastar o grupo de uma sonoridade puramente agressiva.

Uma carreira construída na melancolia

O primeiro álbum, “As the Flower Withers”, chegou em 1992 e já apresentava as bases que seriam desenvolvidas nos trabalhos seguintes. Mas foi com “Turn Loose the Swans”, de 1993, que o My Dying Bride encontrou uma de suas formações mais marcantes.

O disco é considerado um dos grandes registros do doom metal dos anos 1990. A banda desacelerava ainda mais suas composições, alternava vocais guturais e limpos e introduzia passagens de violino em meio às guitarras densas. Em vez de tratar a lentidão como uma limitação, o grupo transformava o peso em atmosfera.

Um ano depois, “The Angel and the Dark River” aprofundou essa fórmula. O álbum deixou os vocais guturais de lado em boa parte de suas faixas e apostou em uma abordagem mais melódica e sombria, ampliando a influência do gothic metal sobre o trabalho.

A trajetória posterior nunca ficou presa a uma única fórmula. Ao longo das décadas seguintes, o My Dying Bride passou por diferentes formações e experimentou mudanças na própria relação entre doom, death e gothic metal. Mesmo assim, a melancolia permaneceu como um dos pontos de continuidade de sua discografia.

Álbuns como “Like Gods of the Sun” (1996), “The Dreadful Hours” (2001) e “A Line of Deathless Kings” (2006) ajudaram a consolidar a longevidade da banda, enquanto trabalhos posteriores mostraram que o grupo ainda era capaz de explorar diferentes lados de sua própria sonoridade.

“A Mortal Binding” e o fim de uma era

O repertório que chega a São Paulo também passa por “A Mortal Binding”, lançado em abril de 2024 pela Nuclear Blast. Produzido por Mark Mynett, o álbum recupera algumas das características mais pesadas da banda, com guitarras carregadas, ritmos lentos, vocais extremos e o violino novamente integrado aos arranjos.

Entre as faixas estão “Her Dominion”, “Thornwyck Hymn”, “The 2nd of Three Bells”, “The Apocalyptist” e “Crushed Embers”. O disco recebeu avaliações positivas de veículos especializados, que destacaram justamente a capacidade do grupo de revisitar sua própria sonoridade sem parecer uma simples repetição do passado.

“A Mortal Binding”, porém, acabou ganhando um significado adicional dentro da história do My Dying Bride. Este foi o último álbum gravado com Aaron Stainthorpe, vocalista e um dos fundadores da banda.

Stainthorpe anunciou sua saída em outubro de 2025, encerrando uma permanência de mais de três décadas à frente do grupo. Sua voz havia se tornado uma das marcas mais reconhecíveis do doom metal britânico, especialmente pela alternância entre os registros guturais e interpretações mais limpas e dramáticas.

Para ocupar esse espaço nos shows, a banda chamou Mikko Kotamäki, conhecido principalmente pelo trabalho à frente do Swallow the Sun. O vocalista finlandês também possui uma longa trajetória dentro do doom metal e de suas vertentes mais melancólicas, o que torna sua participação uma escolha particularmente coerente para essa nova fase.

A mudança não apaga a história construída com Stainthorpe, mas coloca o My Dying Bride diante de uma situação inédita: apresentar um repertório de mais de 30 anos com uma voz diferente.

Treze anos depois

A relação do My Dying Bride com o Brasil começou em 2013, quando a banda se apresentou no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Desde então, o grupo não havia retornado ao país.

A espera termina em novembro, mas desta vez com uma diferença importante: São Paulo será palco da primeira apresentação da banda na cidade.

O show acontece em um momento de transição para o My Dying Bride, mas também representa a oportunidade de revisitar uma discografia que atravessa diferentes fases do metal extremo. Do death-doom dos primeiros anos às experiências mais góticas e melódicas, passando pelo peso de “A Mortal Binding”, o repertório permite acompanhar uma trajetória que ajudou a moldar o próprio gênero.

Mais de três décadas depois de sua formação, a banda continua ocupando um lugar particular dentro do metal: o de um grupo que transformou lentidão, tristeza e peso em uma linguagem própria. Agora, pela primeira vez, essa história chega aos palcos paulistanos.

SERVIÇO

My Dying Bride em São Paulo

Data: 29 de novembro de 2026
Horário: 17h — abertura da casa
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda, 1071 — Barra Funda — São Paulo (SP)
Ingressos: ticket.com.vc/evento/my-dying-bride-em-sao-paulo

 

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