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Mia Wicthoff celebra sua trajetória e revive o CW7 em show em Curitiba

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Por Paola Galiano

O Stage Garden, em Curitiba, recebeu neste sábado (7) a estreia da sequência principal da “Será Você? Tour – O Show – Especial CW7”, de Mia Wicthoff. Mais do que uma viagem pelos sucessos que marcaram o pop rock nacional nos anos 2000 e 2010, a apresentação foi uma celebração da trajetória da cantora e de outras mulheres que ajudaram a construir a cena musical daquele período. A noite começou com a discotecagem do DJ Grilu e os shows das bandas Stelare e StoneHenge, antes de Mia assumir o palco em uma apresentação marcada por emoção, participações especiais e diferentes momentos de conexão com o público.

A primeira banda da noite, Stelare, apresentou seu repertório autoral e aproveitou o espaço para abordar questões que atravessam a realidade de quem vive de música atualmente. Entre as conversas com o público, o grupo falou sobre as dificuldades de construir uma carreira artística, os desafios de manter espaços tradicionais da cena independente e a importância de dar visibilidade a diferentes grupos e minorias. Na sequência, a StoneHenge trouxe uma seleção de covers que passeou por nomes como Fresno, Restart, Strike e NX Zero, transformando o Stage Garden em uma grande celebração dos hits que acompanharam aquela geração. O público respondeu com bastante entusiasmo, cantando junto e preparando o clima para o espetáculo principal.

Com uma produção visual cuidadosamente elaborada, Mia Wicthoff apresentou um show que também chamou a atenção pela decoração e pelas diversas trocas de figurino. Cada detalhe acompanhava a identidade estética da cantora, tornando a experiência ainda mais envolvente. Entretanto, o grande destaque da noite estava nos encontros que aconteceram no palco. Deia Cassali, conhecida por sua trajetória à frente do Agnela, foi uma das primeiras convidadas, dividindo os vocais com Mia em um dos grandes sucessos de sua antiga banda. Depois, Bianca Jhordão, vocalista do Leela, também participou da apresentação. Zabs (Isabela Bueno) entrou em cena para interpretar “Bad Romance”, de Lady Gaga, momento em que Mia relembrou a época em que acompanhava o Top 10 da MTV e o CW7 disputava espaço nas paradas com artistas internacionais. A cantora recordou, com bom humor, como os fãs se mobilizavam para fazer a banda superar nomes como Lady Gaga na programação da emissora. Mel Ravasio, ex-vocalista do Lipstick, também marcou presença, cantando um dos maiores sucessos do grupo.

Por trás da celebração musical, havia uma dimensão ainda mais pessoal. Visivelmente emocionada em diferentes momentos, Mia falou sobre como, durante muito tempo, acreditou que amadurecer significava deixar para trás partes de sua adolescência e da própria identidade. A turnê, entretanto, representa justamente o movimento contrário: reconhecer que aquela fase continua fazendo parte de quem ela é. A cantora também compartilhou lembranças da época em que os fãs chegavam da escola ou do trabalho e se reuniam em frente à televisão para acompanhar os videoclipes da MTV, uma rotina que ajudou a transformar músicas como “Será Você” em parte da memória afetiva de uma geração. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante o reencontro com antigos integrantes do CW7. Mia quase não conseguiu conter as lágrimas ao ouvir dos colegas que ela era a maior cantora do Brasil e que eles nunca haviam tido a oportunidade de dizer isso pessoalmente. Também reforçaram que o legado da banda continuaria vivo por meio dela.

O encerramento trouxe justamente o reencontro com o CW7, com os integrantes reunidos no palco para interpretar “Será Você”, música que dá nome à turnê e se tornou um dos maiores sucessos da trajetória do grupo. A apresentação sintetizou o significado daquela noite: não se tratava apenas de recuperar canções conhecidas ou apostar na nostalgia, mas de reconhecer histórias que continuam em movimento. Ao reunir Mia, Deia Cassali, Bianca Jhordão, Mel Ravasio e Zabs, o espetáculo também abriu espaço para celebrar mulheres que conquistaram seu lugar em uma cena historicamente marcada por desafios e transformações. Mais do que olhar para o passado, Mia Wicthoff mostrou que é possível abraçar as próprias raízes, reconhecer a importância de quem caminhou ao seu lado e seguir construindo novos capítulos sem abrir mão da própria essência.

 

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