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Mariana Zibáh transformou seus 40 anos em um desafio: 365 dias de samba

Sambista curitibana decidiu cantar um samba por dia e transformar o desafio em uma imersão por diferentes repertórios, histórias e vertentes do gênero.

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Por: Mariana Martins – Eu Amo Curitiba

O que começou como uma provocação do companheiro e, também músico, Gui Miúdo, para que Mariana Zibáh desse mais atenção à própria carreira, se transformou em uma jornada musical que ainda está acontecendo, e que já rendeu descobertas, encontros, desafios e até uma coincidência que parecia ter sido combinada pelo próprio samba.

A ideia surgiu em março deste ano, quando Mariana se aproximava dos 40 anos. Gui, que a acompanha há anos na vida e na música, sugeriu que ela cantasse um samba por dia no Instagram. Ela gostou da proposta e decidiu transformá-la em um desafio pessoal de aniversário.

Mas cantar simplesmente uma música por dia parecia pouco para Mariana. Era preciso mergulhar no repertório. Foi então que surgiu a ideia de dividir os meses por temas e construir uma espécie de pesquisa musical diária.

“Eu pensei que tinha que ser algo mais amarrado do que só um samba por dia, para poder desenvolver o repertório. Foi então que pensei em dividir os meses em temas”, conta.

A escolha tem relação com a própria trajetória da sambista. Mariana começou seu movimento musical há cerca de 20 anos, inicialmente em uma pegada mais próxima da MPB, com voz e violão. O samba, entretanto, já caminhava ao lado dela. 

Em 2011, entrou para o grupo Sambatom, ao lado de Cris Loureiro, Gabi Bruel e Luciana Worms. Foi Luciana, segundo Mariana, quem despertou nela um olhar mais profundo para a pesquisa do samba. Depois veio o Sagarana, formado por Mariana, Jonas, Ricardo Salmazo e Luiz Ivanqui. Foi nesse período que ela passou a se envolver ainda mais com a pesquisa e a descoberta de repertórios.

“Os meninos me ensinaram muito, me mostraram muita coisa massa”, lembra.

Hoje, Mariana integra o grupo Brejeiras e a Banda Central Sistema de Som, atuando como artista e produtora em diferentes projetos, como o Mulheres do Samba Cwb, ao lado de Jay de Oya e Bia Schneider. Para ela, a cena do samba curitibano vive um momento especialmente aquecido:

“A cena de samba da cidade de Curitiba creio que está na sua fase mais aquecida, muitos grupos e um público sedento por samba! Coisa linda demais!”, afirma.

Crédito Fotos: Miriane Figueira

Um samba por dia, muitos aprendizados

Viver o samba diariamente tem sido, ao mesmo tempo, difícil, divertido e revelador. Mariana conta que algumas músicas já faziam parte de seu repertório, enquanto outras precisaram ser pesquisadas e aprendidas especialmente para o projeto. Muitas vezes, tudo acontece em meio à correria do dia a dia.

Ela admite, com bom humor, que imaginava conseguir organizar o projeto de maneira muito mais planejada:

“Juro que idealizei o projeto mais organizado, mas não tenho conseguido realizar dentro da ordem planejada”, brinca.

A experiência também tem mostrado caminhos que ela ainda quer aprofundar como cantora. Algumas vertentes do samba, segundo ela, exigem mais vivência para ganhar fluência. E existe ainda um efeito colateral positivo: memorizar letras e melodias diariamente virou uma espécie de exercício para a mente.

“Estou fazendo uma ginástica cerebral e me preparando para ser uma velhinha sensacionalmente lúcida e cheia de memória”, brinca.

Mas, entre todas as descobertas, uma permanece acima das outras: quanto mais canta, mais Mariana gosta de samba: “Meu amor pelo samba só cresce mesmo e a beleza desse gênero é infinita”, declara.

Quando o samba parece responder

Entre tantos dias de música, um episódio ficou especialmente marcado. Mariana acordou e encontrou um tapete amarelo de flores em frente à sua casa. Coincidentemente, ou não, a música escolhida para aquele dia era “Sublime Primavera”.

Ela gravou o vídeo sozinha, utilizando um playback encontrado em um aplicativo.

O resultado surpreendeu até a própria cantora. Os vídeos feitos em parceria costumam ter mais visualizações, mas aquele registro despertou uma reação diferente: “Não tive como não me emocionar gravando aquele dia”, conta.

Assista o Vídeo de “Sublime Primavera”

Para Mariana, porém, os encontros são uma parte fundamental da experiência. Gui, seu companheiro e responsável pela ideia inicial, é também seu principal parceiro na jornada. Mas diversos amigos e amigas já participaram do projeto, “Isso é o melhor da música, né?”, resume.

Um olhar para o samba de Curitiba

Embora seja uma sambista curitibana, Mariana reconhece que o projeto ainda não mergulhou como gostaria na produção local. E já temos um spoiler de como ela pretende resolver isso. Depois de concluir os 365 dias, ela quer dedicar um mês inteiro ao samba curitibano, apresentando compositores, artistas e histórias da cidade.

A intenção é ampliar o alcance de uma produção que, segundo ela, precisa ser mais conhecida: “Mais pessoas precisam conhecer o que temos em termos de samba. É muito bom!”, afirma.

Entre as histórias que Mariana quer ajudar a apresentar está a de Mãe Orminda. Segundo a sambista, ela foi a primeira mulher a cantar um samba-enredo no Brasil e isso teria acontecido em Curitiba, e não no Rio de Janeiro.

A história revela justamente o que Mariana pretende provocar com o próximo passo do projeto: curiosidade e orgulho pela produção local.

“O samba, para mim, é uma religião”, afima.

Ainda faltam muitos dias para Mariana chegar ao número 365. Por isso, ela prefere não criar grandes expectativas sobre o que encontrará até o fim da jornada. Ela escolheu viver cada dia e observar o que o movimento provoca. E, para ela, o objetivo vai muito além de cantar:

“O que eu espero provocar nas pessoas é o mesmo orgulho que eu sinto em ser brasileira, e em ter esse gênero tão rico como o nosso.”conclui.

Por enquanto, a roda continua…

Ainda há muitos sambas para cantar, pesquisar, descobrir e compartilhar antes que o projeto chegue ao seu 365º dia. E Mariana já sabe o que quer deixar pelo caminho: novos ouvidos atentos ao samba, mais conhecimento sobre sua história e, quem sabe, alguns novos apaixonados pelo gênero.

365 DIAS DE SAMBA!

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