Interaja conosco

Curitiba

Exposição de artista indígena Yacunã Tuxá chega a Curitiba e propõe reflexões sobre memória, território e resistência

Com entrada gratuita, “Toda Árvore Tem Raiz” reúne mais de 25 obras que atravessam ancestralidade, identidade, espiritualidade e o protagonismo das mulheres indígenas. Mostra permanece na CAIXA Cultural até fevereiro de 2027

Publicado

em

Foto: Victor Fernandes

Por Redação | Jornal A Cena

As raízes de uma árvore guardam histórias que nem sempre são visíveis. São elas que sustentam a vida, atravessam o tempo e mantêm viva a conexão com a terra. É a partir dessa imagem que a artista indígena baiana Yacunã Tuxá constrói a exposição Toda Árvore Tem Raiz, que chega à CAIXA Cultural Curitiba nesta terça-feira (27).

Com entrada gratuita e visitação até 21 de fevereiro de 2027, a mostra reúne mais de 25 trabalhos que abordam ancestralidade, memória, identidade, política e resistência indígena.

Depois de passar por Salvador e Rio de Janeiro, a exposição desembarca pela primeira vez no Paraná, apresentando ao público curitibano uma produção artística que estabelece diálogos entre tradição e contemporaneidade.

Arte indígena para além dos estereótipos

Pertencente ao povo Tuxá de Rodelas, na Bahia, Yacunã desenvolve uma produção atravessada pelas experiências de deslocamento, pertencimento e resistência de seu povo.

Sua trajetória reúne diferentes linguagens, entre elas pintura, fotografia, poesia, escultura, muralismo, lambe-lambe, videomapping e performance.

Mais do que recuperar referências ancestrais, a artista utiliza a arte para discutir questões contemporâneas que atravessam a existência dos povos indígenas, especialmente as relações com o território, a memória coletiva e a preservação das identidades culturais.

A exposição também contribui para ampliar o espaço de artistas indígenas no circuito institucional das artes visuais, historicamente marcado pela predominância de narrativas não indígenas.

Com trabalhos já apresentados em instituições como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Pinacoteca de São Paulo e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), Yacunã integra uma geração de artistas que reivindica o protagonismo indígena na produção artística contemporânea.

As mulheres como raízes da resistência

Um dos eixos centrais da exposição é o feminino indígena.

Nas obras de Yacunã, as mulheres aparecem associadas às raízes profundas da terra, à transmissão dos saberes ancestrais e às práticas de cuidado e resistência que atravessam gerações.

A presença feminina também dialoga com a espiritualidade e com elementos simbólicos fundamentais para a identidade de seu povo.

Entre eles estão o rio, a canoa e a Jurema, planta sagrada que ocupa um lugar importante na construção espiritual e política da exposição.

Esses elementos ajudam a construir uma narrativa sobre os vínculos entre corpo, natureza, memória e território, convidando o público a refletir sobre formas de existência que resistem aos processos históricos de apagamento cultural.

Uma exposição sobre memória e pertencimento

Com curadoria de Naine Terena e Vera Nunes, em diálogo com a artista, Toda Árvore Tem Raiz apresenta um percurso que aproxima diferentes experiências culturais sem perder de vista a especificidade das identidades indígenas.

A proposta é provocar reflexões sobre os atravessamentos históricos, políticos e espirituais que constituem essas identidades.

Ao utilizar as raízes como metáfora, a exposição também apresenta uma questão que ultrapassa a experiência individual: como preservar a memória e os vínculos com o território diante de processos de deslocamento e transformação?

A mostra convida o público a olhar para a arte indígena não apenas como expressão de ancestralidade, mas como produção contemporânea, capaz de questionar estruturas sociais, disputar narrativas e construir novas possibilidades de futuro.

SERVIÇO

Exposição: Toda Árvore Tem Raiz — Yacunã Tuxá

Local: CAIXA Cultural Curitiba — Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro

Abertura: 27 de outubro de 2026, às 17h, com visita guiada e presença da artista e das curadoras.

Visitação: De 28 de outubro de 2026 a 21 de fevereiro de 2027.

Horários: Terça-feira a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 19h.

Entrada: Gratuita.

Classificação indicativa: Livre.

Acessibilidade: Exposição acessível para pessoas com deficiência.

Informações: (41) 3041-2155 | Instagram: @caixaculturalcuritiba

Seja nosso parceiro2

Megaidea