Curitiba
Cia. Projétil estreia espetáculo inspirado em “O Apanhador no Campo de Centeio” com entrada gratuita em Curitiba
Com atuação de Paulo Soares e direção de Fernando Vettore, “Autobiografia Nº 1. O Apanhador” mistura memórias pessoais e ficção em temporada de 29 de outubro a 8 de novembro, no Teatro José Maria Santos
O que acontece quando as memórias de um ator encontram as inquietações de um dos personagens mais conhecidos da literatura contemporânea? É a partir dessa provocação que a Companhia Projétil de Teatro apresenta Autobiografia Nº 1. O Apanhador, espetáculo que estreia nesta quinta-feira (29), às 20h, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.
Com entrada gratuita, a montagem permanece em cartaz até 8 de novembro e propõe uma investigação sobre identidade, memória e as histórias que construímos para compreender nossa própria existência.
Dirigido por Fernando Vettore, com dramaturgia de Ali Freyer e atuação de Paulo Soares, o trabalho parte de um encontro entre a trajetória pessoal do ator e Holden Caulfield, protagonista do romance O Apanhador no Campo de Centeio, do escritor norte-americano J. D. Salinger.
Mas a proposta não é adaptar o clássico literário nem apresentar uma autobiografia convencional. A montagem constrói uma terceira narrativa, na qual realidade e ficção se atravessam, criando um personagem que carrega fragmentos dessas duas experiências.
Entre a literatura e as memórias de um ator
O processo criativo envolveu exercícios de escrita, improvisações, entrevistas e investigações sobre as aproximações entre o universo literário de Salinger e as experiências de Paulo Soares.
“Desde o início, entendemos que o espetáculo não seria sobre o Holden nem sobre o Paulo, mas sobre o que poderia nascer do encontro entre essas duas experiências. Partimos de exercícios de escrita, improvisação, entrevistas e da investigação das relações entre a literatura e a trajetória do Paulo para construir uma terceira experiência, um personagem que carrega elementos dos dois, mas que não é nenhum deles. Foi a partir desse lugar que fomos descobrindo o espetáculo”, explica o diretor Fernando Vettore.
A partir desse material, Ali Freyer desenvolveu uma dramaturgia original que questiona os limites entre aquilo que vivemos, aquilo que lembramos e o que inventamos sobre nós mesmos.
Na história, um homem atravessa a noite fria de uma cidade carregando um livro. Enquanto tenta recuperar fragmentos de sua memória, encontra pistas sobre sua identidade e sobre acontecimentos que parecem persegui-lo.
Entre lembranças, encontros e imagens fragmentadas, o personagem procura construir uma narrativa capaz de dar sentido à própria existência. Uma história que não precisa necessariamente ser verdadeira, mas que possa ajudá-lo a encontrar um caminho.
Teatro como espaço de investigação da identidade
Ao aproximar literatura, autobiografia e ficção, Autobiografia Nº 1. O Apanhador coloca em cena questões relacionadas à construção da identidade e à maneira como as experiências pessoais são transformadas em narrativas.
O espetáculo também explora as possibilidades da criação teatral a partir de materiais autobiográficos, sem estabelecer uma separação rígida entre o vivido e o imaginado.
A montagem conta com cenário e figurino de Gabrielle Windmuller e Isbella Brasileiro, trilha sonora de Arthur Jaime e iluminação de Alan Cristian.
A direção de produção é de Keila Aquino, enquanto Larissa de Lima assina a direção de comunicação.
Temporada gratuita terá sessões acessíveis
Além das apresentações regulares, a temporada contará com recursos de acessibilidade.
Na sexta-feira, 30 de outubro, às 20h, a sessão terá interpretação em Libras e audiodescrição, seguida de um bate-papo com o público.
No dia 7 de novembro, também às 20h, haverá apresentação com interpretação em Libras.
Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos na bilheteria do teatro uma hora antes de cada sessão, por ordem de chegada.
Companhia também oferece oficina gratuita de dramaturgia
Como parte das atividades do projeto, a Cia. Projétil de Teatro promove a oficina O texto e a cena, ministrada por Fernando Vettore.
A atividade acontece no dia 14 de novembro, das 9h às 13h, no Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, no bairro Rebouças, em Curitiba.
Com 20 vagas gratuitas, a oficina propõe uma aproximação entre os processos de escrita e a criação cênica. As inscrições permanecem abertas até 6 de novembro.
12 anos de pesquisa e criação teatral
Fundada em Curitiba, em 2014, a Companhia Projétil de Teatro desenvolve trabalhos voltados à experimentação de linguagens e estéticas contemporâneas.
O coletivo é formado por Fernando Vettore, Keila Aquino, Larissa de Lima e Alan Cristian.
Ao longo de sua trajetória, realizou oito criações artísticas, com apresentações em festivais e diferentes cidades brasileiras. Além da produção de espetáculos, a companhia desenvolve oficinas de dramaturgia, direção e interpretação e ações de formação de público.
Em 2024, o grupo foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.
O projeto Autobiografia Nº 1. O Apanhador é realizado com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Aurora Coop e apoio da Associação Nariz Solidário, Koluderê e Padaria América.
SERVIÇO
Espetáculo: Autobiografia Nº 1. O Apanhador
Temporada: 29 de outubro a 8 de novembro de 2026
Horários:
- Quintas, sextas e sábados, às 20h
- Domingos, às 19h
Local: Teatro José Maria Santos
Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco, Curitiba
Ingressos: Gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada apresentação, por ordem de chegada.
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Sessões acessíveis:
- 30 de outubro, às 20h: Libras, audiodescrição e bate-papo.
- 7 de novembro, às 20h: Libras.
Oficina “O texto e a cena”
Ministrante: Fernando Vettore
Data: 14 de novembro, das 9h às 13h
Local: Espaço Excêntrico Mauro Zanatta – Rua Lamenha Lins, 1429, Rebouças, Curitiba.
Vagas: 20, gratuitas.
Inscrições: Até 6 de novembro.

