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Opeth leva a turnê “The Last Will & Testament” à Ópera de Arame, em Curitiba

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Por Paola Galiano

Banda sueca se apresenta na capital paranaense em 5 de novembro com repertório baseado no álbum que marcou o retorno dos vocais extremos de Mikael Åkerfeldt

A Ópera de Arame recebe, no dia 5 de novembro, uma das bandas mais particulares da história do metal progressivo. O Opeth desembarca em Curitiba com a turnê “The Last Will & Testament”, baseada em seu 14º álbum de estúdio e em uma fase que recupera elementos importantes da sonoridade que marcou os primeiros anos do grupo.

A apresentação acontece na quinta-feira, às 21h, com abertura dos portões às 19h30. No dia seguinte, 6 de novembro, a banda segue para São Paulo, onde toca no Espaço Unimed. Em Curitiba, os ingressos são vendidos pela Bilheteria Digital.

Formado em Estocolmo, na Suécia, em 1990, o Opeth passou mais de três décadas construindo uma carreira difícil de encaixar em um único gênero. A banda começou fortemente associada ao death metal, mas desde os primeiros trabalhos incorporou elementos de rock progressivo, folk, jazz e música clássica.

Essa mistura se tornou ainda mais evidente ao longo dos anos 1990 e 2000. Discos como “Orchid” (1995), “Morningrise” (1996), “My Arms, Your Hearse” (1998) e “Still Life” (1999) ajudaram a estabelecer a identidade do grupo, alternando passagens extremamente pesadas com momentos acústicos e estruturas musicais longas e complexas.

O reconhecimento internacional veio especialmente com “Blackwater Park”, de 2001. Produzido em parceria com Steven Wilson, do Porcupine Tree, o álbum se tornou um dos trabalhos mais celebrados da carreira do Opeth e ajudou a aproximar a banda de um público que ultrapassava o circuito tradicional do metal extremo.

A partir dali, o grupo continuou expandindo seus limites. “Damnation”, lançado em 2003, praticamente abandonou os vocais guturais e a maior parte da agressividade dos trabalhos anteriores para apostar em uma sonoridade progressiva, melancólica e fortemente influenciada pelo rock dos anos 1970.

A mudança dividiu opiniões na época, mas também deixou clara uma característica que acompanharia o Opeth durante toda a carreira: a disposição de Mikael Åkerfeldt e seus companheiros para mudar de direção mesmo quando isso significava contrariar as expectativas do próprio público.

Do death metal ao rock progressivo — e de volta

Essa transformação se tornou ainda mais radical a partir de “Heritage”, de 2011. O álbum praticamente eliminou os vocais extremos e colocou o Opeth em um território dominado pelo rock progressivo vintage, com teclados, instrumentos acústicos e referências a bandas como King Crimson, Jethro Tull e Pink Floyd.

Os discos seguintes mantiveram essa abordagem. “Pale Communion” (2014), “Sorceress” (2016) e “In Cauda Venenum” (2019) aprofundaram a fase progressiva da banda, enquanto Åkerfeldt passou a trabalhar cada vez mais com estruturas e arranjos associados ao rock dos anos 1970.

Por isso, o lançamento de “The Last Will & Testament”, em 2024, chamou tanta atenção.

Depois de mais de uma década sem utilizar vocais guturais em um álbum de estúdio, Åkerfeldt voltou ao registro extremo. O resultado não é exatamente uma retomada do Opeth dos anos 1990, mas uma combinação entre diferentes momentos da carreira da banda.

Uma história contada como testamento

“The Last Will & Testament” é construído como uma obra conceitual. A história se passa simbolicamente na década de 1920 e começa com a leitura do testamento de um homem recém-falecido diante de sua família.

Conforme o documento é lido, segredos começam a aparecer e antigas relações familiares são colocadas em dúvida. Herança, ressentimento, lealdade e disputas pelo poder conduzem uma narrativa que funciona quase como uma peça de teatro transformada em álbum de metal progressivo.

“Tenho me interessado bastante por família e pela ideia de que o sangue nem sempre é mais espesso que a água”, explica o vocalista, guitarrista e principal compositor Mikael Åkerfeldt.

A história é acompanhada por uma música igualmente fragmentada. As faixas mudam de direção constantemente, alternando riffs pesados, passagens acústicas, teclados e momentos de maior delicadeza antes de voltar ao peso.

O álbum também marca a primeira participação de Waltteri Väyrynen em um disco de estúdio do Opeth. O baterista, que entrou para a banda em 2022, já havia trabalhado com nomes importantes do metal, incluindo Paradise Lost, e assumiu uma posição que exige transitar entre diferentes linguagens musicais.

Outro destaque é a participação de Ian Anderson, vocalista e flautista do Jethro Tull, que contribui com narração e flauta. Joey Tempest, do Europe, também aparece no álbum.

O trabalho recebeu o Grammis de Melhor Álbum de Hard Rock/Metal em 2025, principal premiação musical da Suécia, reforçando a recepção positiva ao disco em seu país de origem.

Um novo capítulo para o Opeth

A turnê chega ao Brasil depois da participação da banda no Monsters of Rock 2025. A apresentação marcou mais um reencontro do grupo com o público brasileiro, que acompanha o Opeth há décadas.

Agora, a diferença está no tamanho e no perfil do espetáculo. Em vez de integrar um festival com dezenas de atrações, a banda terá um palco próprio para desenvolver o repertório e a atmosfera de “The Last Will & Testament”.

A escolha da Ópera de Arame também coloca o grupo em um espaço particularmente adequado para sua música. Cercado pela estrutura metálica e pela vegetação do Parque das Pedreiras, o local tem uma arquitetura que favorece apresentações em que iluminação, som e cenário fazem parte da experiência.

Para o Opeth, isso significa um palco capaz de acompanhar as mudanças de intensidade que estão no centro de sua música. O mesmo show pode passar de uma passagem acústica quase contemplativa para uma sequência de riffs pesados e vocais extremos sem que nenhuma das duas partes pareça deslocada.

Mais de 30 anos depois de sua formação, essa capacidade de mudar continua sendo uma das principais marcas do grupo. O Opeth já foi uma banda de death metal, uma referência do metal progressivo e, durante boa parte da última década, um grupo muito mais próximo do rock progressivo clássico. “The Last Will & Testament” reúne essas diferentes versões sem precisar escolher apenas uma delas.

Em Curitiba, o público poderá acompanhar justamente esse encontro entre passado e presente — agora com os vocais extremos de Åkerfeldt novamente integrados à história.

SERVIÇO

Opeth — The Last Will & Testament — Curitiba

Data: 5 de novembro de 2026, quinta-feira
Local: Ópera de Arame
Endereço: Rua João Gava, 920 — Abranches — Curitiba (PR)
Abertura dos portões: 19h30
Horário do show: 21h
Ingressos: Bilheteria Digital

Ingressos a partir de:

  • Blackwater Park: R$ 775
  • Deliverance: R$ 380
  • Damnation: R$ 255
  • Orchid: R$ 215
  • Heritage — Camarotes: R$ 391

Ingresso solidário: desconto de 45% sobre o valor da inteira mediante doação de 1 kg de alimento não perecível, entregue na entrada do evento.

Classificação: entrada desacompanhada a partir de 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis.

Realização: Mercury Concerts

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