Curitiba
“Margens de Si”: exposição de Gabriela Queiroz transforma o autorretrato em travessia poética em Curitiba
Exposição da artista visual Gabriela Queiroz reúne mais de 20 anos de pesquisa sobre autorretrato, memória e transformação na Soma Galeria, em Curitiba, com oficinas gratuitas que democratizam o acesso à arte contemporânea e incentivam a formação de novos públicos.
A capital paranaense recebe, entre os dias 9 de maio e 25 de junho, a exposição Margens de Si, da artista visual brasileira Gabriela Queiroz, em cartaz na Soma Galeria. Com entrada gratuita, a mostra reúne obras produzidas ao longo de mais de duas décadas de pesquisa artística contínua, tendo o autorretrato como eixo central.
Depois de circular por cidades como Cascavel, Maringá, Toledo e Foz do Iguaçu, o projeto retorna a Curitiba em uma nova etapa. A exposição já havia sido apresentada anteriormente no Museu Municipal de Arte de Curitiba (MuMa) e agora ganha novos desdobramentos na Soma Galeria, ampliando o diálogo com o público por meio de ações formativas e mediações culturais.
Mais do que uma exposição, Margens de Si se apresenta como um percurso em constante transformação. A cada cidade, o projeto incorpora novas leituras e experiências, aproximando o público dos processos criativos da artista. “Cada lugar por onde o projeto passa modifica também a forma como ele é visto e sentido. Em Curitiba, essa travessia se amplia justamente pelo encontro com o público e pelas possibilidades de troca”, afirma Gabriela Queiroz.
O autorretrato como linguagem
Iniciada em 2005, a pesquisa poética de Margens de Si parte do gesto de voltar o olhar para si não como espelho fiel, mas como território instável atravessado pelo tempo, pela memória e pela transformação. Ao longo dos anos, Gabriela desenvolveu uma investigação em que o autorretrato deixa de ser mera representação para se tornar linguagem, método e pensamento visual.
As obras utilizam técnicas como litografia, calcografia, técnica mista e videoarte, explorando sobreposições, deslocamentos e repetições. São imagens que retornam continuamente, nunca iguais, como fragmentos de uma memória em movimento.
“Não se trata de representar um rosto, mas de investigar o que está além da superfície, em algum lugar desconhecido da memória”, explica a artista. Em muitos trabalhos, o olhar aparece como elemento de permanência em meio às transformações. “Mesmo quando as imagens se transformam, existe algo no olhar que permanece, e percebo que é ele que conecta todas essas versões, que constituem esse corpo autoficcional”, completa.
Oficinas aproximam público da arte contemporânea
Além da exposição, a programação inclui oficinas de gravura que buscam aproximar o público das práticas da arte contemporânea por meio de experiências acessíveis, democráticas e participativas. As atividades unem teoria e prática, oferecendo uma introdução a técnicas alternativas de produção artística e incentivando o desenvolvimento criativo de participantes de diferentes perfis.
Voltadas a um público amplo e diversificado, as oficinas também têm como proposta democratizar o ensino da arte, instrumentalizando professores, estudantes, artistas e interessados com métodos acessíveis de criação e experimentação. A iniciativa reforça o caráter formativo do projeto, promovendo trocas de conhecimento e ampliando o acesso às linguagens visuais contemporâneas.
No dia 29 de maio acontece um encontro aberto com a artista no espaço expositivo. Já no dia 30, serão realizadas as oficinas em dois turnos. O projeto também promove uma atividade especial no Cense Curitiba, voltada a adolescentes em medida socioeducativa.
A exposição conta ainda com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição, catálogo em braile e tradução em Libras.
Serviço:
Exposição: Margens de Si
Local: Soma Galeria
Período: de 9 de maio a 15de junho de 2026
Visitação: terça a domingo
Entrada gratuita
Classificação: livre
Oficinas de Gravura
Data: 30 de maio
Turma 1: das 9h às 12h
Turma 2: das 14h às 17h
Local: Soma Galeria
Inscrições: Formulário de inscrição das oficinas

