Rio de Janeiro
Armazém Companhia de Teatro estreia leitura contemporânea de Gaivota no CCBB Rio
Foto: João Gabriel Monteiro
Mais de um século após sua estreia, A Gaivota, de Anton Tchékhov, continua provocando reflexões sobre as relações humanas, os desejos frustrados e os dilemas da criação artística. Agora, a Armazém Companhia de Teatro apresenta uma nova leitura do clássico russo, rebatizada simplesmente como Gaivota, em temporada nacional no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Rio), entre 5 de agosto e 13 de setembro.
Com direção de Paulo de Moraes e dramaturgia assinada por Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e o próprio diretor, a montagem busca aproximar a obra das inquietações do século XXI sem perder a essência do texto original, considerado um dos pilares do teatro moderno.
Um clássico que continua atual
Escrita no final do século XIX, A Gaivota revolucionou a dramaturgia ao deslocar o foco das grandes ações para os conflitos íntimos dos personagens. Em vez de heróis e acontecimentos grandiosos, Tchékhov construiu uma narrativa marcada por silêncios, frustrações, desejos e relações afetivas complexas.
Na nova montagem da Armazém Companhia de Teatro, esses elementos dialogam diretamente com questões contemporâneas como ansiedade, necessidade constante de validação, crise de pertencimento e a pressão por reconhecimento pessoal e profissional.
Segundo Paulo de Moraes, a força dos clássicos está justamente na capacidade de gerar novas leituras.
“Um clássico não pode ser tratado com reverência. Ele permanece vivo justamente porque continua produzindo atrito, desconforto e conflito. Em A Gaivota, o que mais me atravessa é a necessidade humana de pertencimento. Mais do que reconstruir Tchékhov, nosso desafio é descobrir como essa gaivota continua nos observando hoje”, afirma o diretor.
Entre arte, amor e frustrações
A história se passa em uma propriedade rural às margens de um lago e acompanha personagens presos entre sonhos artísticos, relações afetivas desgastadas e expectativas que nunca se concretizam.
No centro da narrativa estão Konstantin (Jopa Moraes), jovem dramaturgo que deseja romper com os modelos tradicionais de teatro, e Nina (Lorena Lima), aspirante a atriz fascinada pela promessa de sucesso e reconhecimento. Ao redor deles gravitam personagens marcados por paixões não correspondidas, ressentimentos e desencantos, compondo um retrato delicado da fragilidade humana.
A montagem reúne ainda Bruno Lourenço, Fe Bustamante, Isabel Pacheco, Patrícia Selonk e Sérgio Machado no elenco.
Produção mantém compromisso com acessibilidade
Todas as apresentações contarão com monitores preparados para atender pessoas com deficiência (PCD), além de sessões com intérprete de Libras, ampliando o acesso do público ao espetáculo.
Apresentada pelo Ministério da Cultura e Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a produção reafirma a trajetória da Armazém Companhia de Teatro na investigação de grandes textos da dramaturgia mundial, aproximando-os do público brasileiro contemporâneo.
Serviço
Gaivota – Armazém Companhia de Teatro
Quando: 5 de agosto a 13 de setembro de 2026
Horários: quarta a sexta, às 19h; sábados e domingos, às 18h
Onde: Teatro II do CCBB Rio de Janeiro
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)

