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Curitiba

Exposição “500 Braças” leva Vilanismo ao Museu Paranaense com reflexão sobre arte, território e permanência

Primeira exposição individual do coletivo Vilanismo em um museu, “500 Braças” reúne cerca de 50 obras no Museu Paranaense, em Curitiba, e discute terra, memória e permanência da arte negra.

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Foto: Jardiel Carvalho

A partir deste sábado, 11 de julho, o Museu Paranaense (MUPA), em Curitiba, recebe “500 Braças”, primeira exposição individual da irmandade Vilanismo em uma instituição museológica. Com entrada gratuita e visitação até 18 de outubro, a mostra reúne aproximadamente 50 trabalhos entre pinturas, esculturas, instalações e obras inéditas para discutir questões como acesso à terra, permanência artística e construção de patrimônio coletivo.

Resultado de uma parceria entre o Vilanismo e o Centro Experimental de Arte Serigráfica/Caderno Listrado, a exposição também apresenta parte da produção exibida pelo coletivo na última Bienal de São Paulo e propõe um debate sobre as condições estruturais necessárias para que artistas negros possam desenvolver e manter suas trajetórias no Brasil.

Exposição relaciona arte, território e infraestrutura

Formado em 2021 por artistas negros das periferias paulistanas, o Vilanismo constrói sua produção a partir da organização coletiva e da pesquisa. Em “500 Braças”, o grupo amplia essa investigação ao abordar a relação entre terra, trabalho e autonomia econômica.

O título da exposição faz referência ao artigo 14 da Lei de Terras de 1850, legislação que estabeleceu a compra como principal forma de acesso à propriedade, restringindo historicamente a posse de terras pela população negra. A partir desse marco histórico, a mostra desloca o debate para os dias atuais ao questionar quem tem acesso aos espaços de criação, produção cultural e permanência nas cidades.

Para os integrantes da irmandade, discutir arte também significa pensar infraestrutura, condições de trabalho e sustentabilidade dos processos criativos.

A exposição marca ainda uma nova etapa da trajetória do coletivo, que pretende criar uma sede permanente no centro de São Paulo voltada à produção artística, pesquisa, formação e acolhimento da comunidade.

Três núcleos estruturam a mostra

A ocupação do Museu Paranaense está organizada em três eixos conceituais que dialogam entre si.

Você Me Deve parte da canção dos Racionais MC’s para discutir reparação histórica, dívida social e direito à terra.

 Mutirão apresenta práticas coletivas de organização desenvolvidas pelo Vilanismo e por comunidades tradicionais, destacando formas colaborativas de construção e resistência.

O terceiro núcleo, Mente do Vilão, reúne trabalhos voltados à articulação política, redes de solidariedade e estratégias de atuação pública.

Além das obras expostas, parte da produção foi desenvolvida durante uma residência artística realizada em Curitiba em parceria com o CEAS/Caderno Listrado, aproximando pesquisa, criação e montagem da exposição.

Ocupação dialoga com a história do Museu Paranaense

A curadoria, assinada pelo próprio Vilanismo, propõe uma ocupação que conversa diretamente com a história do Museu Paranaense, uma das instituições museológicas mais antigas do país.

Ao inserir artistas negros nesse espaço, tradicionalmente ligado à construção de narrativas oficiais da história brasileira, a exposição propõe novas leituras sobre memória, território e futuro, transformando o museu em um espaço de reflexão crítica sobre as desigualdades históricas e suas permanências.

Cortejo, churrasco coletivo e baile marcam a abertura

A inauguração da exposição será acompanhada por uma programação gratuita distribuída entre os dias 10 e 11 de julho.

Na quinta-feira (10), às 19h, o MUPA recebe uma conversa aberta entre integrantes do Vilanismo e o público para apresentar as pesquisas que deram origem ao projeto.

No sábado (11), as atividades começam às 9h, no Caderno Listrado, com o credenciamento do Cortejo Negro, caminhada que percorre locais ligados à memória da população negra em Curitiba, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio e o Instituto Confluir, antes de seguir até o Museu Paranaense.

Durante a concentração, o público poderá participar de uma ação solidária: quem levar um moletom em bom estado poderá trocá-lo por uma peça produzida especialmente pelo Vilanismo. As roupas arrecadadas serão destinadas à Frente de Organização dos Trabalhadores (FORT).

Após a chegada ao museu, a programação continua com um churrasco coletivo, o hasteamento da bandeira da irmandade e a instalação de obras no jardim do MUPA.

A abertura oficial da exposição acontece às 14h. O encerramento das atividades será às 18h, com o Baile 500 Braças, realizado na Casa Cultural Àlàáfíà, com apresentações de Dow Raiz e Samba da Casa Àlàáfíà, com Toni Bleke.

Sobre o Vilanismo

Criado no final de 2021, o Vilanismo reúne artistas negros de diferentes periferias de São Paulo em uma prática que combina artes visuais, performance, vídeo, instalação, escrita e ações públicas.

O coletivo desenvolve projetos que articulam arte, ativismo e pesquisa social, tensionando questões relacionadas à raça, classe e gênero. Entre suas principais participações estão exposições no Sesc Pompeia, Funarte, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e a 36ª Bienal de São Paulo, onde apresentou a instalação Os meninos não sei que juras fraternas fizeram.

Desde 2026, a irmandade é representada pela galeria Zielinsky, em São Paulo.


Serviço

500 Braças – Vilanismo

Abertura: 11 de julho, a partir das 9h

Visitação: até 18 de outubro

Horário: terça a domingo, das 10h às 17h30

Local: Museu Paranaense (MUPA) – Rua Kellers, 289 – São Francisco, Curitiba

Entrada gratuita

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