Teatro
Prêmio Shell de Teatro anuncia indicados do primeiro semestre de 2026; “Edson” e “Mudando de Pele” lideram a disputa
Montagens somam cinco indicações cada e refletem uma edição marcada por obras que abordam memória, identidade e o fortalecimento da música como linguagem cênica
foto: Nanna Moraes
A 37ª edição do Prêmio Shell de Teatro divulgou os indicados do primeiro período de 2026, revelando um panorama da produção teatral apresentada nos palcos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os destaques estão os espetáculos Edsone Mudando de Pele, que lideram a disputa com cinco indicações cada. Logo atrás aparecem Hip Hop Hamlet e As Centenárias, com três indicações cada.
A seleção deste primeiro semestre evidencia uma cena teatral voltada para temas como memória histórica, identidade, diversidade e transformações sociais, além de confirmar o crescimento da música como elemento central da dramaturgia contemporânea.
“Mudando de Pele” reúne cinco indicações
No Rio de Janeiro, Mudando de Pele é um dos principais destaques da premiação. O espetáculo, estrelado por Thaís Araújo e dirigido por Yara de Novaes, acompanha a trajetória de uma mulher que revisita sua própria história em busca de autonomia e pertencimento, discutindo racismo, gênero e processos de transformação.
A montagem concorre nas categorias de Melhor Atriz, Direção, Figurino, Iluminação e Música, consolidando-se como uma das produções de maior reconhecimento pelos jurados nesta etapa do prêmio.
“Edson” leva a ditadura ao centro do palco
Também com cinco indicações, Edson resgata a história do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, assassinado pela repressão militar em 1968. A montagem transforma um dos episódios mais emblemáticos da ditadura brasileira em reflexão sobre violência de Estado, memória e apagamento histórico.
O espetáculo rende ao ator e dramaturgo Matheus Macena indicações nas categorias de Ator e Dramaturgia pelo Júri do Rio, além de concorrer como Melhor Ator na seleção paulista.
Clássicos revisitados e novas linguagens
Outro destaque da edição é As Centenárias, de Newton Moreno, que retorna aos palcos em formato musical. A nova montagem reúne Juliana Linhares e Laila Garin no elenco, direção de Luiz Carlos Vasconcelos e canções inéditas de Chico César.
A produção conquistou indicações para Juliana Linhares (Melhor Atriz), Chico César (Música) e para o figurino assinado por Kika Lopes e Heloisa Stockler. A obra já havia sido premiada pelo Shell em sua montagem original, em 2007, e retorna agora renovada.
Já Hip Hop Hamlet confirma a tendência de releituras contemporâneas dos clássicos. Inspirado na obra de William Shakespeare, o espetáculo aproxima o universo do hip hop da tragédia inglesa e foi indicado nas categorias de Direção, Dramaturgia e Cenário pelo Júri de São Paulo.
Teatro musical ganha protagonismo
Além das indicações, a edição reforça um movimento observado nos últimos anos: o fortalecimento do teatro musical brasileiro. Produções como Mudando de Pele, As Centenárias, Fafá de Belém, o Musical e Massapê demonstram que a música vem ocupando um papel cada vez mais estruturante na narrativa teatral, indo além do entretenimento para dialogar com questões sociais, políticas e identitárias.
Segundo Celso Curi, coordenador do Júri do Prêmio Shell de Teatro, os musicais brasileiros vivem uma nova fase.
“Há uma tendência muito forte do teatro musical. Antes, os musicais eram mais festivos; agora estão mais densos e discutem questões fundamentais para nossa sociedade”, afirma.
Tradição no reconhecimento das artes cênicas
Criado em 1988, o Prêmio Shell de Teatro é o mais longevo reconhecimento das artes cênicas brasileiras em atividade. A premiação contempla anualmente produções do Rio de Janeiro e de São Paulo nas categorias de Atuação, Direção, Dramaturgia, Cenário, Figurino, Iluminação, Música e Energia que Vem da Gente. Desde 2023, também passou a reconhecer produções de outras regiões do país por meio da categoria Destaque Nacional.

