Música
Dia Mundial do Rock: Cinco álbuns nacionais segundo Flávia Rocha
No Dia Mundial do Rock, a radialista e vocalista Flávia Rocha compartilha os cinco discos nacionais que marcaram sua trajetória e ajudaram a moldar sua paixão pelo gênero, de Rita Lee a Pitty.
Por Maria Eduarda Schwab
Ela é roqueira. Dos pés à cabeça. Uma das vozes do rádio em Curitiba, com curadorias sensacionais, ela também é vocalista da Dolores, um tributo de respeito ao Cranberries, banda irlandesa que marcou os anos 90 com a voz inconfundível de Dolores O’Riordan, ícone do rock feito por mulheres, com hinos como “Zombie” e “Linger”.
No Dia Mundial do Rock, o Jornal A Cena perguntou: quais discos nacionais mudaram a vida de Flávia Rocha? Quais, na perspectiva dela, foram decisivos para ela se tornar a roqueira que é hoje?
Os cinco primeiros títulos que vieram à cabeça, sem pesquisa, sem revisão. Confira a lista abaixo.
- OS PARALAMAS DO SUCESSO – VAMO BATÊ LATA 1995
Eu lembro de ter ouvido esse disco pela primeira vez na casa de uma prima, e me marcou muito. É incrível olhar o setlist dele hoje e ver que só tem clássicos. No registro ao vivo, a releitura de Você/Gostava tanto de você do grande Tim Maia ficou tão famosa que muita gente achava que a música era dos Paralamas rs… um álbum cheio de energia com aquela pegada reggae rock que os Paralamas difundiram tão bem no Brasil. - CAZUZA – IDEOLOGIA 1988
Nos anos 90 tinha uma coisa chamada ‘locadora de CD’s’ e eu batia ponto lá toda semana. Foi por ali que descobri o poeta Cazuza. O cara que mesclava revolta, crítica social e romance no mesmo disco. Ideologia, lançado em 1988, é um clássico dele, e é uma boa porta de entrada para quem (se houver) nunca ouviu falar de Agenor de Miranda Araújo Neto. - CASSIA ELLER – ACUSTICO MTV 2001
“Malandragem” foi a primeira música que cantei em barzinhos (tive bandas desde o começo dos anos 2000), e era uma música que toda banda de pop/rock da época tocava depois que saiu o álbum acústico. Mas eu a conhecia desde a versão em estúdio gravada em 1994 pela Cássia. Eu sempre fui fã daquela cantora doidona de voz incrivelmente grave e rasgada. Uma mega inspiração de atitude, de musicalidade, de autenticidade. O álbum Acústico foi o que levou Cássia para esferas muito maiores de audiência e público, e é um disco incrivelmente lindo e forte, significativo demais pra mim. - RITA LEE – FRUTO PROIBIDO 1975
Por incrível que pareça, o mais ‘antigo’ da minha seleção foi o último disco dessa lista que eu ouvi por inteiro. Mas as músicas clássicas de Rita, a nossa eterna Rainha do Rock, já estavam na memória e no coração há muito tempo. Se o coletivo de forma geral costuma indicar como um clássico o disco dos Mutantes, eu vou direto na musa master da banda, até por ser mulher e por ter uma leve jornada na música. Rita ensinou a todas as mulheres que abriram a mente e os ouvidos para lhe ouvir. É uma porta de entrada que não tem saída. - PITTY – ADMIRÁVEL CHIP NOVO 2003
Pra finalizar, quis escolher algo um tanto quanto mais atual (pero no mucho, já que esse disco já tem 23 anos =O). Pitty é pra mim a representação de uma nova identidade forte e de constância no rock. Veio de uma geração que aprendeu justamente com os grandes do rock nacional das décadas anteriores aos anos 2000. Seu segundo disco, Anacrônico, é uma confirmação de que ela não seria algo passageiro. Mas a estreia, em 2003, Admirável Chip Novo, veio pra revolucionar o rock nacional que andava numa certa ‘mesmice’ na época. É pra quem curte vocal feminino de responsa, de atitude, sem preconceitos e sem medo de ouvir o que ela tem a falar.

