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Cinema

Do sertão de Glauber a Marte Um: 10 filmes brasileiros inesquecíveis

No Dia do Cinema Brasileiro, uma seleção afetiva que atravessa diferentes épocas, estéticas e olhares sobre o país, reunindo clássicos do Cinema Novo e produções contemporâneas que ajudaram a construir uma relação profunda com o cinema nacional.

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Por Vanessa Ricardo

No Dia do Cinema Brasileiro, celebramos algumas das obras que ajudaram a construir nossa relação com a tela grande. Entre clássicos que reinventaram a linguagem cinematográfica e produções contemporâneas que ampliam os olhares sobre o país, esta é uma seleção pessoal de filmes que, por diferentes motivos, marcaram a trajetória desta jornalista apaixonada pelo cinema feito no Brasil.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Glauber Rocha
Marco do Cinema Novo, o filme acompanha Manuel e Rosa, um casal de sertanejos que foge da opressão e atravessa o sertão nordestino entre líderes messiânicos e cangaceiros. Com uma linguagem revolucionária, Glauber Rocha transformou a forma de representar o Brasil nas telas ao abordar a fome, a violência e as desigualdades sociais.

Terra em Transe (1967) – Glauber Rocha
Em Eldorado, país fictício inspirado na realidade latino-americana, um poeta e jornalista se vê dividido entre diferentes projetos políticos durante uma crise de poder. Um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro, que continua relevante por sua reflexão sobre democracia, autoritarismo e manipulação política.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965) – Roberto Santos
Adaptação do conto de João Guimarães Rosa, acompanha a transformação de Augusto Matraga, um homem temido e violento que, após perder tudo, inicia uma profunda jornada de redenção. Uma das mais celebradas adaptações literárias do cinema nacional.

O Pagador de Promessas (1962) – Anselmo Duarte
Único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro em Cannes, narra a história de Zé do Burro, que enfrenta a intolerância religiosa ao tentar cumprir uma promessa. Um clássico absoluto sobre fé, preconceito e conflitos sociais no Brasil.

Macunaíma (1969) – Joaquim Pedro de Andrade
Baseado no romance modernista de Mário de Andrade, o filme acompanha as aventuras do anti-herói Macunaíma em uma viagem repleta de humor, fantasia e crítica social. Uma obra fundamental para compreender as contradições da identidade brasileira.

Amarelo Manga (2002) – Cláudio Assis
Em Recife, personagens à margem da sociedade têm suas vidas atravessadas por desejos, frustrações e violência. Com estética crua e narrativa intensa, o filme tornou-se um dos símbolos da retomada do cinema pernambucano.

Cheiro do Ralo (2006) – Heitor Dhalia
A trama acompanha um comerciante de objetos usados que transforma relações humanas em negociações, revelando uma personalidade cada vez mais perturbadora. Uma mistura de humor ácido e crítica ao consumo, protagonizada por Selton Mello.

O Céu de Suely (2006) – Karim Aïnouz
Após retornar ao interior do Ceará com um filho pequeno, Hermila tenta encontrar uma saída para reconstruir sua vida. Sensível e profundamente humano, o filme aborda temas como desejo, pertencimento e liberdade feminina.

Os Sapos (2019) – Clara Linhart
Uma confraternização entre amigos em uma casa de campo expõe conflitos afetivos, políticos e geracionais. Com diálogos afiados e humor irônico, o longa questiona discursos, privilégios e relações contemporâneas.

Marte Um (2022) – Gabriel Martins
Enquanto o Brasil atravessa um momento de polarização política, uma família negra da periferia de Minas Gerais busca realizar seus sonhos. Delicado e emocionante, o filme acompanha especialmente Deivinho, um garoto que sonha em estudar astrofísica e participar da colonização de Marte.

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