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Quando Antonina respira blues

Durante quatro dias, a cidade histórica recebeu músicos e visitantes de diferentes partes do país para celebrar um gênero musical nascido da resistência e que segue encontrando novos caminhos às margens da baía de Antonina.

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Foto: Lina Sumizono

Por Vanessa Ricardo

Antonina, uma das cidades mais antigas do Paraná, recebe há mais de dez anos um dos festivais de música mais interessantes do estado. Hoje, inclusive, o evento já faz parte do calendário oficial do Paraná. São quatro dias de muito blues, com palcos montados em diferentes pontos da cidade, além de apresentações em bares e restaurantes.

A cidade recebe turistas de diversas partes do Brasil que vêm para ouvir e curtir o som criado no Delta do Mississippi, inventado por homens e mulheres negros como forma de lamento, de resistência e de expressão das dores e tristezas vividas nos campos de algodão.

O Antonina Blues Festival, produzido pela Leme Meio Ambiente e Cultura, vem construindo uma bela trajetória. O que começou como um encontro de amantes do blues, reunindo apenas quatro bandas, hoje se consolida como o maior festival do gênero no Sul do país. Na edição de 2026, realizada durante o feriado de Corpus Christi, foram 46 bandas distribuídas por diversos espaços da cidade histórica.

Com palcos montados na Feira-Mar, com vista para a baía, na Ponta da Pita, no Calçadão Cultural e na Travessa do Marinho, o festival ofereceu uma programação 100% gratuita para moradores e visitantes.

Mais uma vez presente no evento, o bluesman americano Lorenzo Thompson abrilhantou o Antonina Blues Festival. O público pôde acompanhar suas apresentações em diferentes espaços da cidade e, talvez o mais bonito de tudo, perceber sua paixão genuína pelo blues e pela música. Lorenzo participou de shows de diversas bandas, tornando cada encontro único.

É muito difícil definir um único grande momento do festival. Foram muitos. Dos shows realizados no meio da rua pelo Antonina Samba Jazz às tradicionais blues sessions que reuniram músicos diferentes nos palcos e bares da cidade, a programação foi marcada por encontros memoráveis.

O show de Nanda Moura, sem dúvida, foi um daqueles momentos que ficam guardados na memória. Sozinha no palco, com suas guitarras, cigar boxes e stomp box, a artista recriou a sonoridade mais crua e visceral do blues. Um espetáculo potente, daqueles que nos fazem parar para admirar não apenas a técnica, mas a entrega e a paixão pela música.

Nesta edição, um aspecto chamou a atenção: a presença de mais mulheres nos palcos. Que essa participação continue crescendo a cada ano. Assim como o rock, o blues também foi construído por grandes nomes femininos, mulheres que ajudaram a moldar a história do gênero e abriram caminhos para as artistas que vieram depois.

Outro ponto interessante foi o aumento da participação de bandas do interior do Paraná, além de grupos vindos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Isso mostra como o festival vem ampliando seu alcance e fortalecendo a cena blues da região Sul do país.

Agora é esperar pela edição de 2027 de um dos festivais mais legais do Paraná. Um evento que vai muito além da música: movimenta a cidade, atrai turistas, cria encontros e mantém viva a história de um gênero musical que nasceu da resistência e da expressão de um povo. Que venha a próxima edição, com mais blues, mais diversidade e mais histórias para contar às margens da baía de Antonina.

*Um agradecimento especial a fotógrafa Lina Sumizono que fez a cobertura fotográfica para o Jornal A Cena.

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