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Cultura

Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: artistas que transformam a cultura e fortalecem a cena paranaense

Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reconhece a contribuição das mulheres negras para a sociedade e destaca trajetórias que transformam a cultura por meio da literatura, da música, do teatro e das artes visuais. No Paraná, artistas e pioneiras seguem abrindo caminhos e inspirando novas gerações.

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O dia 25 de julho marca uma data de reflexão sobre a luta das mulheres negras por igualdade, reconhecimento e representatividade. Instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data celebra as contribuições dessas mulheres para a construção da identidade cultural do continente.

No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que se tornou símbolo da resistência negra e feminina.

Na arte, as mulheres negras têm desempenhado um papel fundamental na preservação da memória, na valorização da ancestralidade e na construção de novas narrativas. Mesmo diante de barreiras históricas, seguem ocupando palcos, galerias, bibliotecas, festivais e espaços de criação, ampliando a diversidade da produção cultural brasileira.

Vozes que transformam a cultura

Na literatura, Conceição Evaristo tornou-se uma das escritoras mais importantes do país. Sua obra apresenta a experiência da população negra e das mulheres brasileiras a partir do conceito de “escrevivência”, que une memória, identidade e ficção.

Na música, Luedji Luna construiu uma carreira marcada pela valorização da cultura afro-brasileira, enquanto Linikertornou-se uma das artistas mais influentes da música contemporânea, ampliando debates sobre representatividade e diversidade na cena cultural.

Nas artes visuais, Rosana Paulino é referência internacional ao abordar questões relacionadas à identidade, ancestralidade, racismo e ao papel da mulher negra na sociedade por meio de obras presentes em importantes museus e exposições.

No teatro, Grace Passô consolidou-se como uma das principais dramaturgas brasileiras da atualidade, reunindo atuação, direção e dramaturgia em espetáculos reconhecidos nacional e internacionalmente.

A força da cultura negra no Paraná

A produção artística negra também ocupa um lugar de destaque na cena cultural paranaense, com artistas que ajudam a ampliar o debate sobre identidade, memória e representatividade.

Na música, Janine Mathias é uma das principais vozes da cena curitibana. Cantora, compositora e atriz, sua trajetória reúne influências do samba, soul, rap e da música afro-brasileira, consolidando uma carreira reconhecida dentro e fora do Paraná.

Na literatura, Jô Macário destaca-se como poeta, escritora e articuladora cultural. À frente de iniciativas como o coletivo Pretas com Poesia, contribui para ampliar a visibilidade da produção literária de mulheres negras no estado.

Mulheres que fizeram história no teatro paranaense

A história do teatro do Paraná também passa pelas conquistas de artistas negras que romperam barreiras e abriram caminhos para novas gerações.

Denise Assunção entrou para a história ao se tornar a primeira atriz negra premiada com o Troféu Gralha Azul, um marco para as artes cênicas paranaenses e para a representatividade no principal reconhecimento do teatro estadual.

Uma das maiores referências do teatro negro paranaense, Geyisa Costa construiu uma carreira marcada pela atuação, direção e formação de artistas. Ao longo de sua trajetória, conquistou dois Troféus Gralha Azul e tornou-se uma voz importante na valorização da cultura negra e na defesa da diversidade nas artes cênicas.

Representando a continuidade desse legado, Isabel Oliveira foi a mais recente mulher negra a receber um Troféu Gralha Azul, reafirmando a presença cada vez mais significativa de artistas negras no teatro paranaense e evidenciando que os caminhos abertos pelas pioneiras seguem sendo ampliados por uma nova geração.

Mais do que uma homenagem

Celebrar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é reconhecer histórias que muitas vezes foram invisibilizadas, mas que ajudaram a construir a cultura brasileira e paranaense.

Ao destacar essas trajetórias, o Jornal A Cena reafirma seu compromisso com a valorização da memória cultural, da diversidade e da produção artística que transforma a sociedade por meio da arte.

Também na edição mais recente da premiação, Cléo Cavalcantty recebeu o Troféu Gralha Azul na categoria de Melhor Atriz de Espetáculo para Crianças, reconhecimento que evidencia a potência das artistas negras também na produção voltada às infâncias.

Outro nome fundamental é Kamylla dos Santos, atriz, dramaturga, pesquisadora e fundadora do Grupo Baquetá. Desde 2009, o coletivo desenvolve espetáculos que unem teatro, música, dança e literatura a partir das culturas africanas, afro-brasileiras e dos povos originários, tornando-se uma das principais referências do teatro negro e afroindígena no Paraná. 

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