Interaja conosco

Crítica Teatral

A Lua vem da Ásia

A obra atravessa o limite da razão, a dita loucura, o confinamento e a liberdade, mediante humor e relevante crítica ao mundo moderno.

Publicado

em

Foto: Líbia Florentino

Por Leonardo Talarico

Lua Vem da Ásia é um espetáculo de ator.

Tudo existe em função do protagonista das artes cênicas.

E o ator Henrique Dias entrega à contação da história todo repertório conquistado ao longo da carreira em vocabulário físico e vocal primorosos.

A dramaturgia é nitidamente um desafio.

Sobretudo, hodiernamente, diante seres humanos cada vez mais desatentos e conduzidos à falsa normalidade. 

“Adaptação” exitosa do romance surrealista homônimo de Campos de Carvalho publicado em 1956. 

Um homem acredita estar hospedado em hotel de luxo. Vive de escrever memórias. No entanto, está confinado em um hospício. 

A obra atravessa o limite da razão, a dita loucura, o confinamento e a liberdade, mediante humor e relevante crítica ao mundo moderno. 

O texto atemporal e necessário é complexo, possui graduações indiretas e conexões intermináveis. 

O discurso da loucura atravessa o tema. 

Obra extraordinária enfrentada pelo Teatro.

Seja pela história diretamente contada, seja pelo caráter simbólico ofertado à plateia.

Cenário e adereços são funcionais, mas com acabamento precário. Maior acerto estético levaria as palavras do ator à dimensão poética ainda mais larga. 

O figurino auxilia Henrique Dias na apresentação de uma personagem tão complexa e múltipla diante tanta humanidade envolvida. 

O desenho de luz é simples e não auxilia na atmosfera lúdica. 

A direção tem como mérito deixar Henrique Dias assumir as diretrizes do espetáculo, mas peca na falta de unidade e acabamento dos demais ofícios teatrais. 

A obra merecia olhar mais atento. A trilha sonora e a projeção pouco contribuem. 

Henrique utiliza todo o cabedal da antropologia teatral e uma vocalização mineral repleta de boas pausas, dinâmicas, intensificação de verbos (Gestalt) e horizontalidade no esclarecimento. 

Uma obra onde texto e ator conseguem realizar a passagem, mas os labores teatrais e a dinâmica da direção fazem-nos mais atentos à performance do que ao envolvimento emocional. 

Infelizmente, não levamos a obra para casa. 

 

Seja nosso parceiro2

Megaidea