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Curitiba

“Desculpe…” transforma a experiência do câncer em teatro marcado por humor e humanidade

Temporada gratuita em Curitiba apresenta uma obra que equilibra drama e comicidade para falar sobre a experiência do câncer sem perder de vista a esperança.

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Crédito foto: Guilherme Danelhuk

Falar sobre câncer no palco costuma remeter a histórias de sofrimento, perdas e silêncio. Em “Desculpe…”, porém, a proposta é outra. A montagem dirigida por Mauro Zanatta aposta no humor como ferramenta para abordar a rotina de quem enfrenta sessões de quimioterapia, sem minimizar a dor, mas revelando a força, a vulnerabilidade e a capacidade de encontrar leveza mesmo em momentos extremos.

O espetáculo estreia em 23 de julho, com temporada gratuita no Teatro José Maria Santos, onde permanece até 2 de agosto. Depois, segue para o Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, entre 6 e 16 de agosto.

No elenco estão Fagner ZadraRafael AlípioMichele BittencourtRhenan Queiroz e a participação de Maurício Vogue (in memoriam). A montagem reúne artistas cujas trajetórias pessoais dialogam diretamente com a história apresentada. Zadra e Alípio passaram por tratamentos oncológicos, enquanto Queiroz acompanhou de perto o tratamento de Vogue, seu companheiro. Michele Bittencourt também leva ao palco a experiência de cuidar da mãe durante o processo de Alzheimer.

A trama acompanha o encontro de três pacientes em uma clínica de oncologia. Vindos de realidades completamente diferentes — um empresário, um artista e um operário — eles compartilham o mesmo espaço durante as sessões de quimioterapia. Entre conversas, conflitos e momentos de cumplicidade, descobrem que a doença elimina diferenças sociais e cria vínculos improváveis. Ao redor deles circulam uma enfermeira sobrecarregada e um médico igualmente atravessado por suas próprias fragilidades.

Segundo Mauro Zanatta, a ideia nasceu de um convite feito por Maurício Vogue, Fagner Zadra e Rafael Alípio. O desejo era criar um espetáculo capaz de falar sobre o tratamento contra o câncer sem recorrer apenas ao peso do drama.

“Desde o início do tratamento, Maurício enfrentava tudo com um humor muito particular. Era uma maneira de resistir. Essa coragem também aparece em Fagner, depois do acidente e do câncer, e em Rafael, que está em remissão há cinco anos. Levar essas histórias para o palco é uma forma de homenagear essa força”, afirma o diretor.

Para Zanatta, o título da peça também traduz um comportamento comum de quem atravessa períodos de fragilidade.

“A palavra mais educada da língua portuguesa talvez seja também uma das mais tristes. Pedimos desculpas por chegar atrasados, por errar, por esbarrar em alguém, mas também por adoecer, por precisar de ajuda ou simplesmente por existir. Muitas vezes a dor é vivida em silêncio, como se precisasse ser escondida.”

Com direção musical de Sergio Justen e iluminação de Lucas Amado“Desculpe…” alterna momentos de humor e emoção para discutir temas como medo, cuidado, amizade e resistência. Em vez de transformar a doença em protagonista, a peça coloca em evidência as pessoas que continuam vivendo apesar dela.

Os ingressos são gratuitos e distribuídos uma hora antes de cada apresentação. As sessões acontecem às quintas e sextas-feiras, às 20h; aos sábados, às 18h e 20h; e aos domingos, às 17h e 19h.

A montagem é realizada por meio da Lei de Incentivo ao Mecenato, com apoio do Condor e do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP).

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