Curitiba

Curitiba a cidade que passa pano para o racismo

Por Vanessa R Ricardo

A cidade mais negra do sul do país, mais uma vez nos holofotes de políticos de todo o Brasil. Desde sábado dia 05/02, não se fala de outra coisa na capital paranaense. Protesto invade na hora da missa, Igreja do Rosário. Para quem não conhece  a história de uma das igrejas mais antigas da capital, pode até achar um absurdo o que aconteceu. Mas antes de atirar qualquer pedra e ter uma opinião sobre o acontecido, conheça a história. 

A “invasão” a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito e Santuários das Almas, é muito representativa. A igreja localizada no setor histórico de Curitiba, foi inaugurada em 1737, construída por escravizados. Ali era o único lugar que homens e mulheres negras e pessoas pobres podiam praticar a fé cristã, no Brasil escravocrata. Já que na Igreja da Ordem, eram proibidos de entrar. 

Aquela igreja foi construída pelas mãos dos antepassados de pessoas que estavam no protesto, e só  por isso já tinham o direito de estarem ali. Como se fosse um resgate, pois aquele lugar, também os pertence.  E agora políticos, desde vereadores ao presidente da república, repercutem o acontecido. Fazem do acontecimento palanque político e demonizam o vereador Renato Freitas, PT, que estava presente na manifestação.

A revolta desses políticos não está no motivo do protesto, lembrando que o ato organizado pelo Coletivo Núcleo Periférico, foi realizado contra o racismo e xenofobia e pela valorização à vida. A manifestação foi realizada em homenagem e em memória de Moïse Kabagambe e Durval Teófilo Filho, dois homens negros assassinados brutalmente nos últimos dias no Rio de Janeiro. 

Após o acontecido, a Comissão Executiva da Câmara Municipal de Curitiba, recebeu três pedidos de abertura de processo de cassação do vereador Renato Freitas (PT), sendo acusado de quebra do decoro parlamentar. Os três pedidos foram apresentados pelos vereadores Éder Borges (PSL), Pier Petruzziello (PTB) e os vereadores Marciano Alves e Osias de Moraes, ambos do Republicanos. Não é a primeira vez que o vereador petista é denunciado pelos colegas vereadores. 

A reflexão que fica, é por que esses políticos indignados com a “invasão” da igreja, não repercutiram as mortes de Moïse e Durval. Ou não criticam com a mesma mão pesada de como condenam o vereador Renato Freitas, a fala criminosa sobre o nazismo do Monark do Podcast Flow? O que se vê por aqui, que invasão de igreja , incomoda muito mais do que assassinato da população negra ou de qualquer fala criminosa defendendo o nazismo. 

Hipocrisia é o que vemos por aqui. 

Sobre o autor

Vanessa Ricetti Ricardo, jornalista e assessora de imprensa, pós graduada em cinema, desde o início de sua carreira se dedica ao jornalismo cultural. Trabalha como repórter em rádio. Criou em 2013 o Jornal A Cena, onde divulga a arte e a cultura realizada no país.
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