Cinema
Empate histórico reflete a força do cinema brasileiro no Grande Otelo 2026
Empate histórico entre “Manas” e “O Agente Secreto” marcou uma edição que celebrou a diversidade e a força da produção audiovisual brasileira
Por redação
O cinema brasileiro vive um de seus momentos mais expressivos das últimas décadas. Depois de uma temporada marcada pelo reconhecimento em festivais internacionais e pela diversidade de narrativas produzidas no país, a 25ª edição do Prêmio Grande Otelo confirmou esse cenário ao protagonizar um feito inédito: pela primeira vez, dois filmes dividiram o principal prêmio da noite.
“Manas”, de Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, foram anunciados como vencedores de Melhor Longa-Metragem de Ficção durante a cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mais do que um empate, a decisão parece representar o reconhecimento de duas formas complementares de fazer cinema: uma voltada às urgências sociais e humanas do Brasil profundo; outra marcada pelo rigor estético e pela projeção internacional do cinema nacional.
A escolha também encerra simbolicamente uma disputa que já mobilizava o setor desde a temporada de festivais. “O Agente Secreto”, representante brasileiro na corrida pelo Oscar e vencedor de importantes prêmios internacionais, chegou à cerimônia liderando as indicações. “Manas”, por sua vez, consolidou-se como uma das obras mais elogiadas do ano por abordar, com sensibilidade e contundência, temas ligados à violência de gênero e à realidade amazônica. O empate reconhece que ambas as produções ajudaram a elevar o patamar artístico do cinema brasileiro em 2026.
Se o prêmio principal foi dividido, o maior número de estatuetas ficou com “Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho. O longa conquistou seis troféus, entre eles Melhor Ator para Jesuíta Barbosa, além dos prêmios de Figurino, Maquiagem, Som, Trilha Sonora e o voto popular, confirmando o enorme diálogo da produção com público e crítica.
Já “Manas” saiu da cerimônia com cinco conquistas, incluindo Melhor Direção para Marianna Brennand — um reconhecimento significativo para uma cineasta que estreia na ficção em longa-metragem —, além de Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes e Melhor Montagem. O resultado reafirma a força do protagonismo feminino no audiovisual brasileiro contemporâneo.
Mesmo com quatro estatuetas, “O Agente Secreto” manteve sua trajetória de excelência ao vencer nas categorias técnicas de Fotografia, Direção de Arte e Efeitos Visuais, além de dividir o prêmio máximo da noite. A consagração reforça o momento excepcional vivido por Kleber Mendonça Filho, um dos diretores brasileiros mais respeitados no circuito internacional.
Mais do que distribuir troféus, o Grande Otelo 2026 consolidou uma safra capaz de reunir cineastas veteranos, novos realizadores, produções independentes, obras de grande alcance popular e narrativas profundamente conectadas à realidade brasileira. Em tempos de retomada da produção audiovisual, a premiação reforça que o cinema nacional vive uma fase de maturidade artística, diversidade temática e crescente reconhecimento internacional.
Principais vencedores
- Melhor Longa-Metragem de Ficção: Manas e O Agente Secreto (empate)
- Melhor Filme pelo Voto Popular: Homem com H
- Melhor Direção: Marianna Brennand (Manas)
- Melhor Atriz: Denise Weinberg (O Último Azul)
- Melhor Ator: Jesuíta Barbosa (Homem com H)
- Melhor Atriz Coadjuvante: Dira Paes (Manas)
- Melhor Ator Coadjuvante: Rodrigo Santoro (O Último Azul)
- Melhor Documentário: Apocalipse nos Trópicos
- Melhor Comédia: Velhos Bandidos
- Melhor Animação: Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul
- Melhor Filme Infantil: O Diário de Pilar na Amazônia.

