Última semana de Habitat – Estudos do corpo como Casa (5 solos)

A Súbita Companhia de Teatro encerra temporada dia 24 (domingo, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.

Janaina Matter, PablitoKucarz, Helena de Jorge Portela, Conde Baltazar e Victor Hugo, atores e atrizes da Súbita Companhia de Teatro, de Curitiba, encerram no próximo domingo (24) as apresentações do projeto Habitat. O trabalho é o conjunto de cinco solos que investigam o corpo como casa, como lugar de atravessamento de questões poéticas, políticas e estéticas. O corpo e a casa são lugares onde a existência se revela em suas múltiplas dimensões. As apresentações acontecem de quarta a domingo, no Teatro José Maria Santos, até dia 24, dois solos por dia, às 19h e às 21h.

O que cada corpo carrega? Quais memórias, identidades e subjetividades habitam nossos corpos? Como revelam-se ou se escondem? O que dizem quando estão em cena? Quem afinal habita esses corpos?  Cada artista encontrou suas próprias respostas e construiu a dramaturgia do seu trabalho solo orientados pela diretora e dramaturga Camila Bauer de Porto Alegre (RS).

“Este projeto nos move como grupo a partir dos interesses artísticos individuais, o desenvolvimento desta pesquisa nos trouxe a possibilidade de criarmos trabalhos com proposições estéticas muito diferentes, que afirmam as várias potências de criação presentes na companhia”, conta a diretora geral, Maíra Lour.

Integram a equipe: Álvaro Antônio (assistente de direção e sonoplastia), Babaya (preparadora vocal), Guenia Lemos (cenário), Val Salles (figurino), Beto Bruel (iluminação), Michele Menezes (direção de produção) e Gabriela Berbert (produção executiva).

“Trata-se de um trabalho bastante autoral e minha principal contribuiçãotem sido viabilizar cenicamente cada ideia, potencializandoa criação de cada artista e entendendo o processo criativo de cada um”, acrescenta a diretora.

Além deste olhar amplo, cada ator e atriz teve a oportunidade de convidar um artista interlocutor para dialogar separadamente com seu trabalho durante a criação. Colaboraram: Francisco Mallmann, GladisTridapalli, Kátia Drummond, Lígia Oliveira e Ricardo Marinelli.

Em cena surgem múltiplos corpos: o corpo mulher, o corpo cicatriz, o corpo mãe, pai, filho, filha, o corpo morte, água, pedra, barco, fuga, o corpo afrofuturista, ficção, o corpo que não é, a falta. “Habitat é um momento importante para a Súbita, pois permite reconhecermo-nos como indivíduos e como coletivo”, reflete Maíra.

SOBRE OS SOLOS

SINOPSES

JANAINA MATTER / MULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA?

Esse solo é uma busca de encontro entre o que já foi, o que é e o que pode ser. É para responder à inquietação que me provoca saber do apagamento das mulheres na história do mundo. Falar de muitas mulheres é também falar de uma, falar de uma mulher é falar de muitas. Isto é um movimento de fala. É um movimento de falar de onde eu vim para tentar entender se silêncio é abismo ou ponte. É para chamar toda mulher que já passou por aqui e as que aqui estão. É para seguir em frente com a força e a intuição de todas elas.

PABLITO KUCARZ / O ARQUIPÉLAGO

Um homem em pé, em uma sala, com um copo d’água na mão. Ele está sobre um pedaço de terra no litoral que começa a sofrer erosão, provocada pela ação de correntes marítimas. O solo vai se desgastando e, com o tempo, o buraco é tão grande que esse pedaço de terra se distancia do continente na superfície, apesar de continuarem unidos no fundo do mar. Esta peça é sobre atravessar a água salgada.

HELENA DE JORGE PORTELA / FOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA

Uma história sobre duas atrizes que, em uma tarde como qualquer outra, tiveram suas vidas separadas pelo mar. O mar que carrega o luto e a dor. Um espetáculo solo que tenta agarrar o tempo com as mãos. Mãe e filha à deriva no oceano. “Se você me desse mais um segundo…” O que você faria se tivesse mais tempo? A vida não tem ensaio.

*Espetáculo bilíngue (Libras e Português),dedicado à atriz Claudete Pereira Jorge, mãe da atriz Helena de Jorge Portela.  

CONDE BALTAZAR / UMA HISTÓRIA SÓ

Meu corpo é uma casa, vizinha à casa do meu filho. Um homem, com seu corpo esburacado, conta a história de sua infância e de seus antepassados. As relações estão sempre em tensão: dois corpos, um pai e um filho. Um buraco que começou pequeno, uma falta quase invisível, a ausência se instala na carne e o silêncio se torna uma mochila, guardando a memória dos dias. A ausência que causa ausência quando não dá para se despedir. A paternidade é esse labirinto, infinito.

VICTOR HUGO / PIRATARIA

A quais narrativas eu me alio para articular a minha presença no mundo? Não tem solução! É preciso produzir outra coisa. Literalmente. Complicar a imagem que se tem de nós é tão importante quanto criar um vocabulário em comum entre os nossos pares. Eu falo em uma língua que não pode ser traduzida.

SOBRE A COMPANHIA

O projeto Habitat é uma ação de pesquisa continuada, que se propõe a levantar questões estéticas, conceituais, dramatúrgicas, de interpretação, encenação e composição autoral, a partir dos interesses dos artistas envolvidos.

A Súbita Companhia foi criada em 2007 com a intenção de fazer arte de um ponto de vista colaborativo, contemporâneo e autoral. Além dos seus integrantes conta com a parceria de vários artistas associados no processo e pesquisa e criação dos trabalhos. “Acreditamos na intensa pesquisa teatral como fonte de inspiração, manutenção e refinamento da criação artística e estabelecemos uma prática contínua que parte da fisicalidade do corpo cênico para os demais desafios da expressão teatral”, explica Michele Menezes, diretora de produção.

Em maio a companhia fará uma temporada de repertório em Curitiba com ostrabalhos: Outra Palavra (2017), T3 (2015), Extraordinário Cotidiano (2013), Amores Difíceis (2013), Porque não estou onde você está (2012).

Para mais informações, acesse: www.subitacompanhia.com

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba. Incentivo: Banco do Brasil, Grupo BRT e Redisul

SERVIÇO:
HABITAT – Estudos do Corpo como Casa (5 solos)

Quando:Até dia 24 de fevereiro (quarta a domingo)

Que Horas: 2 solos por dia – 1º horário: 19h 2º horário: 21h
Onde: Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655 – São Francisco)

Duração: 50 minutos cada solo

Classificação: 16 anos

Quanto: Gratuito

Obs.: Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do teatro, uma hora antes dos espetáculos, nos dias das apresentações. Os solos são independentes, podem ser assistidos separadamente. (*Confira a programação das apresentações)

Capacidade máxima por apresentação: 60 pessoas

Informações: 41 3324 8208

PROGRAMAÇÃO:

Quarta-feira (20/02)

19hPIRATARIA / Victor Hugo

21hMULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA? / Janaina Matter

 Quinta-feira (21/02)

19hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela

21hUMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar

Crédito foto: Elenize Dezgeniski

 

Sexta-feira (22/02)

19h MULHER, COMO VOCÊ SE CHAMA? / Janaina Matter

21h O ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz

 

Sábado (23/02)

19hUMA HISTÓRIA SÓ / Conde Baltazar

21hFOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA / Helena de Jorge Portela

 Domingo (24/02)

19hO ARQUIPÉLAGO / PablitoKucarz

21hPIRATARIA / Victor Hugo

 FICHA TÉCNICA

Artistas: Janaina Matter, PablitoKucarz, Helena de Jorge Portela, Conde Baltazar e Victor Hugo Santos

Direção: Maíra Lour

Direção de produção: Michele Menezes

Produção executiva: Gabriela Berbert

Assistente de direção e sonoplastia: Álvaro Antônio

Orientação em Dramaturgia: Camila Bauer

Treinamento voz: Babaya

Cenário: Guenia Lemos

Iluminação: Beto Bruel

Figurino: Val Salles

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