Eventos
Memphis May Fire e Blessthefall encerram turnê Shapeshifter em Curitba
Por Paola Galiano
Curitiba recebeu, no último domingo (30), uma noite que certamente estava na lista de desejos de muitos fãs de metalcore. O Tork N Roll foi palco da última data da turnê Shapeshifter, que trouxe de volta ao Brasil o Memphis May Fire e o Blessthefall. Para muitos dos presentes, porém, a noite tinha também um gosto de reencontro: as duas bandas já haviam passado por Curitiba em 2014 e retornaram à cidade mais de uma década depois.
A abertura ficou por conta da Reckoning Hour. Enquanto o Tork N Roll ainda recebia o público, a banda curitibana apresentou um set focado em seus lançamentos e aproveitou o momento para reforçar a importância de prestigiar e apoiar a cena do metal nacional. Aos poucos, a casa foi enchendo e o público que chegava já encontrava o clima de uma noite que prometia ser longa.
Blessthefall: entre hits, nostalgia e muita proximidade com o público
Na sequência, foi a vez do Blessthefall assumir o palco. A relação da banda com Curitiba não é recente: a primeira passagem pela cidade aconteceu justamente em 2014, no Music Hall, em uma noite que também contou com The Word Alive. Dez anos depois, em 2024, o grupo retornou à capital paranaense, dessa vez no Jokers, marcando sua volta aos palcos após um período de hiato.
Agora, novamente diante do público curitibano, a banda mostrou que a conexão construída ao longo dos anos continua bastante forte.
Antes mesmo de os músicos entrarem no palco, os telões do Tork N Roll exibiram uma sequência de comentários de fãs com a clássica frase “come to Brazil”. A brincadeira terminou com uma mensagem simples: “Brasil, estamos aqui”. A resposta do público veio imediatamente.
O show começou com You Wear a Crown but You’re No King, seguida por Cutthroat e Hollow Bodies, já colocando a pista para funcionar. O setlist passeou pelos principais momentos da carreira da banda, mas também trouxe material mais recente, como Mallxcore.
Grande parte da apresentação foi marcada pela interação de Beau Bokan com o público. O vocalista deixou o palco diversas vezes para se aproximar da galera, cantando no meio dos fãs e abraçando quem conseguia chegar perto. Em uma apresentação de metalcore, onde a energia da pista costuma ser tão importante quanto a do palco, a escolha fez diferença.
Um dos momentos mais divertidos aconteceu quando Beau resolveu desafiar os fãs para uma partida de air hockey nas mesas do próprio Tork N Roll. A situação resumiu bem o clima descontraído que a banda construiu durante a apresentação.
Mas Beau não foi o único a ganhar um momento de destaque. Durante a introdução de 2.0, Jared Warth trocou de lugar com o vocalista: entregou o baixo a Beau e foi para junto do público cantar. A música então deu lugar a What’s Left of Me, em mais um dos momentos de maior proximidade entre banda e fãs.
A apresentação conseguiu equilibrar nostalgia e novidades, sem depender apenas dos clássicos. E, considerando a história do Blessthefall com Curitiba, não era difícil perceber que havia ali um público que acompanhava a banda há muitos anos.
Memphis May Fire: um retorno esperado por 12 anos
Se o Blessthefall já tinha uma relação especial com a cidade, o retorno do Memphis May Fire tinha um significado ainda maior. A última apresentação da banda em Curitiba havia acontecido em 2014, também no Music Hall, ao lado de Battlecross e Killswitch Engage.
Doze anos depois, o grupo finalmente estava de volta.
O Memphis May Fire abriu sua apresentação com The Sinner, mas a música precisou ser interrompida abruptamente por conta de um problema técnico. O imprevisto, que poderia facilmente esfriar o início do show, acabou ganhando outro significado graças à reação dos fãs.
Enquanto o problema era resolvido, o público continuou cantando. A banda, por sua vez, aproveitou o intervalo para se aproximar ainda mais de quem estava na pista: foram fotos, vídeos, autógrafos e muita interação.
Os integrantes também fizeram questão de falar sobre a felicidade de finalmente retornar ao Brasil. Segundo a banda, o público brasileiro é diferente, especialmente pela paixão demonstrada durante os shows, e não haveria lugar melhor para tocar.
Quando tudo estava resolvido, The Sinner foi repetida — dessa vez até o fim. Logo depois veio Vices, outro dos grandes sucessos da banda.
O setlist, porém, mostrou que esse retorno não seria simplesmente uma viagem ao passado.
A turnê Shapeshifter é centrada principalmente nos álbuns Shapeshifter e Remade in Misery, trabalhos que apresentam uma sonoridade um pouco diferente daquela que marcou os primeiros anos da banda. Há uma presença maior de elementos pop e melodias mais acessíveis, o que fez com que a atmosfera do show fosse diferente daquela encontrada na apresentação de 2014.
E talvez esse seja justamente um dos aspectos mais interessantes de assistir a uma banda depois de tantos anos: perceber não apenas o que permanece, mas também tudo aquilo que mudou.
Ainda assim, os grandes momentos vieram de músicas que mostraram a força do Memphis May Fire ao vivo. Bleed Me Dry, Misery, Left for Dead e Make Believe estiveram entre os pontos altos da apresentação, com o público cantando e pulando do início ao fim.
E a noite ainda guardava dois grandes momentos para o encore. Miles Away foi responsável por trazer novamente a nostalgia à tona, enquanto Chaotic encerrou oficialmente a apresentação e a última data da turnê.
Uma pista — ou duas — em movimento
Se havia uma coisa em comum entre os dois shows, era a intensidade do público.
Em diversos momentos da noite, a pista ganhou dois mosh pits simultâneos: um na pista comum e outro na pista premium. Era difícil encontrar um momento em que o público estivesse completamente parado.
No fim, a última data da turnê Shapeshifter em Curitiba acabou sendo mais do que simplesmente o retorno de duas bandas importantes do metalcore à cidade. Para quem esteve no Music Hall em 2014, foi também uma oportunidade de reencontrar bandas que fizeram parte de uma determinada fase da vida — agora em um palco diferente, com músicas novas e uma década a mais de histórias.
Para quem descobriu Memphis May Fire e Blessthefall depois daquela primeira passagem, foi a chance de finalmente viver ao vivo músicas que, por anos, ficaram restritas aos fones de ouvido.
E talvez seja justamente essa a melhor definição para a noite no Tork N Roll: um reencontro para alguns e uma primeira vez para outros, mas com a mesma energia na pista.
Se quiser, também posso fazer uma segunda versão mais “A Cena”, com uma abertura mais impactante e menos institucional, trazendo mais da sua percepção pessoal da noite — inclusive explorando o fato de você ter acompanhado essas bandas desde a passagem de 2014.


