Cinema
Mostra Retrospectiva Ruy Guerra reúne 19 filmes e master class do cineasta na CAIXA Cultural Curitiba
Um dos fundadores do Cinema Novo, Ruy Guerra terá quase toda a filmografia exibida entre 12 e 23 de agosto. Programação inclui obras restauradas, documentários e uma master class com o diretor de 95 anos
Crédito foto: Kaio Caiazzo /Amuleto Filmes
O público de Curitiba terá a oportunidade de percorrer quase sete décadas da história do cinema brasileiro por meio da obra de um de seus principais realizadores. Entre os dias 12 e 23 de agosto, a CAIXA Cultural Curitiba recebe a Mostra Retrospectiva Ruy Guerra, que apresenta 17 longas-metragens, dois documentários e uma master class com o cineasta, hoje aos 95 anos.
A programação reúne praticamente toda a filmografia de Ruy Guerra, um dos fundadores do Cinema Novo e responsável por uma obra que atravessa diferentes momentos da história política e cultural do Brasil. O recorte vai de Os Cafajestes(1962), seu primeiro longa, até A Fúria (2024), trabalho mais recente que conclui a chamada “Trilogia dos Fuzis”, iniciada com Os Fuzis (1964) e seguida por A Queda (1978).
Entre os destaques está também Ternos Caçadores (1969), produção francesa recentemente restaurada em 4K e exibida novamente após décadas fora de circulação, oferecendo ao público uma rara oportunidade de assistir ao filme em alta qualidade.
Um dos nomes fundamentais do Cinema Novo
Nascido em Moçambique durante o período colonial português, Ruy Guerra estudou cinema em Paris, onde acompanhou o surgimento da Nouvelle Vague. Ao chegar ao Brasil, em 1958, tornou-se uma das figuras centrais do Cinema Novo ao lado de Glauber Rocha, Cacá Diegues e outros cineastas que transformaram a linguagem do cinema nacional.
Ao longo de quase 70 anos de carreira, construiu uma filmografia marcada pelo diálogo entre política, literatura e experimentação estética. Também desenvolveu parcerias com nomes como Gabriel García Márquez, Chico Buarque, Edu Lobo e Milton Nascimento, ampliando sua atuação para além do cinema.
“Sempre tive uma paixão muito grande pela palavra. Queria ser escritor antes de ser cineasta. O cinema acabou sendo o caminho possível para contar histórias, mas continuo lendo o dicionário todos os dias como quem lê um romance. A palavra continua sendo o centro de tudo o que faço”, afirma o diretor.
Master class e catálogo inédito
Além das sessões, a mostra promove, no dia 14 de agosto, às 19h30, uma master class conduzida por Ruy Guerra. O encontro discutirá a construção artística e política da trilogia formada por Os Fuzis, A Queda e A Fúria, obras produzidas ao longo de seis décadas.
A programação inclui ainda o lançamento de um catálogo digital com uma entrevista inédita concedida pelo cineasta ao curador da mostra, Aristeu Araújo, reunindo reflexões sobre cinema, literatura e sua trajetória artística.
Segundo Araújo, a retrospectiva permite compreender a dimensão da obra de Guerra.
“É uma oportunidade única para o público acompanhar praticamente toda a trajetória de Ruy Guerra e perceber como sua obra dialoga com diferentes momentos da história do Brasil e do mundo.”
Um trabalho de preservação do cinema brasileiro
A organização da retrospectiva também envolveu um amplo trabalho de pesquisa e recuperação de obras que permaneceram por décadas com circulação limitada ou em condições precárias de preservação.
De acordo com o curador, foi necessário localizar diferentes materiais em acervos espalhados pelo país e selecionar as melhores cópias disponíveis para cada exibição, permitindo que parte importante da história do cinema brasileiro volte às telas em condições adequadas.
Entre os títulos que simbolizam esse esforço está Ternos Caçadores, restaurado em 4K após anos praticamente inacessível ao público.
Programação também inclui documentários
A retrospectiva exibe ainda os documentários Tempo Ruy (2021), dirigido por Adilson Mendes, e O Homem que Matou John Wayne (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira. As produções ampliam o olhar sobre o pensamento, a trajetória e o processo criativo do cineasta.
Mesmo aos 95 anos, Ruy Guerra afirma que continua desenvolvendo novos projetos.
“Decidi que vou viver até os 117 anos. Até os 100 ainda quero fazer cinema. Depois disso pretendo voltar ao meu primeiro amor, que sempre foi a literatura.”
Serviço
Mostra Retrospectiva Ruy Guerra
Quando: 12 a 23 de agosto
Onde: CAIXA Cultural Curitiba
Programação: 17 longas, dois documentários, master class e catálogo digital.
A programação completa e os horários das sessões serão divulgados pela CAIXA Cultural Curitiba.

