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Crítica Teatral

“O Homem Decomposto” transforma angústias da sociedade moderna em teatro distópico e ácido

Inspirado na obra de Matei Visniec, o espetáculo “O Homem Decomposto” mergulha em uma sociedade marcada pelo isolamento, pela incomunicabilidade e pelo estranhamento, em uma encenação distópica que combina crítica política, surrealismo e poesia.

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em

Foto: Nil Caniné

Por Leonardo Talarico

“O Homem Decomposto” é um espetáculo teatral distópico. 

As breves esquetes provenientes da obra de Matei Visniec retratam uma sociedade fragmentada e isolada (realidade e abstração). 

Ágeis histórias retratam um mundo de incomunicabilidade, isolamento e no qual ninguém concebe de onde surgem as fontes opressoras. 

Todos se protegem e enfrentam ocorrências cujo mote é o estranhamento. 

O espetáculo distópico não abandona a poesia (natureza, divino, existência e amor). 

A obra lida com as angústias prementes da sociedade moderna por meio de abordagens surreais e excelente aferição política. 

Tudo maltratado na vida contemporânea é apresentado de forma sagaz e ácida por solilóquios e diálogos bem interpretados. 

O elenco é muito bom e entregue de forma uníssona. 

Todos fazem o mesmo espetáculo. 

E o fazem com paixão cênica. Espetáculo de vida. Feito em primeira pessoa. 

Difícil destacar uma interpretação dentre tanta qualidade. 

Todos de forma horizontal e esclarecedora. 

O figurino é meramente utilitário. Sem unidade e estética. 

O desenho de luz aponta recortes dramáticos e abre o salão com luz de serviço. Provavelmente, pela presença de todos os atores sentados a espera das suas intervenções. 

A direção bem aponta a interpretação dos textos, mas adireção de movimento, por outro giro, é desgastada pela ausência de ligames nas esquetes. Um fala, todos sentam. Todos sentam, um fala. Quase todos sentam, dois falam. Não existe um caminho próprio à construção. Há presença.

Pela experiência e habilidade do diretor, poderíamos ter uma condução mais inventiva, haja vista o cérebro do público se acostumar facilmente com a repetição dos movimentos. 

Em determinado momento, esse conjunto de esquetes não interligadas mecaniza o acompanhamento da fruição. 

O desenho de som não possui grande relevância. 

Por fim, o espetáculo é interessante, mas a categoria dos atores e atrizes merecia maior complexidade narrativa. 

É uma obra de relevante conteúdo. 

Vida longa.

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