HALLOWEEN KILLS É MAIS DO MESMO?

Por Igor Horbach

A franquia Halloween fez enorme sucesso na década de 70 ao apresentar um personagem sangrento, violento e imponente por trás de uma máscara medonha com o nome de Michael Myers. O filme fez tanto sucesso na época que foi considerado um dos pilares do subgênero. Acontece que de sequência em sequência o óbvio acontece: a qualidade diminui.

No filme de 2018 do mesmo diretor, David Gordon Green, conseguiu levantar um pouco de emoção nos fãs da franquia e ainda por cima trazer a tensão de um trauma e vingança humana ao colocar a grande batalha entre o assassino e a forte Laurie Strode (interpretada por Jamie Lee). Na sequência lançada no Brasil na semana passada, os acontecimentos se misturam e a temática do filme perde seu rumo, principalmente por conta das situações em que o roteiro aborda.

Com a continuação exatamente no mesmo dia do filme anterior, Laurie está no hospital gravemente ferida após a luta final do filme anterior e da emboscada que arrumou para Michael. Contudo, é óbvio que ele escapa e agora está mais violento do que nunca. Com isso, os sobreviventes do filme de 1978 se reúnem com força total e apoio da comunidade da cidade para caçar Michel e fazê-lo pagar pelas centenas de vidas que tirou.

No quesito sangue, o filme é exemplo. As cenas das mortes são brutais e até mesmo repugnantes de se ver na telona em algumas vezes, o que com certeza é o forte do filme. Já na questão do alinhamento do roteiro, vemos um desentendimento entre a história e a vontade de fazer mais. A história poderia ter terminado aqui, com um desfecho muito bem resolvido, após a vingança ser completada, porém, a vontade de fazer mais do mesmo e lucrar em cima prevaleceu nesse filme, fazendo com que se tornasse mais uma decepção.

O roteiro é desenvolvido de uma forma natural e bem alinhado com os demais filmes da franquia e ainda consegue abrir espaço para algumas críticas sociais e principalmente, protagonizar personagens antes ocultos. A força feminina também está presente nele de alguma forma, mas é deixada um pouco de lado pela vingança dos ‘homens imponentes’. Quando o longa se aproxima do final, o plot acontece de maneira bem surpreendente, contudo, os últimos dois minutos são decadentes.

A justificativa para manter Michael vivo foi extremamente forçada e inverossímil. Não tem sentido algum com o resto da história tanto desse filme quanto dos demais. Se a ideia era mostrar que o ‘bicho papão’ de Haddonfield é real e portanto, imortal, isso deveria ter sido abordado ao longo de todo o longa, não somente no último instante. Assim, o público poderia comprar a história e se sentir interessado em descobrir mais dela em possíveis sequências. A abordagem foi mais uma tentativa da Hollywood atual de sugar ao máximo umahistória bem criada e pensada até não ter mais nada, ao invés de se preocuparem desenvolver novas tramas com personagens revolucionários e cativantes. Para os fãs do gênero e de filmes sangrentos, Halloween Kills é um prato cheio,principalmente para uma noite de dias das bruxas com os amigos e muita pipoca. Já para quem espera longas surpreendentes, revolucionários e cativantes como foi os anteriores, com certeza não é dessa vez que encontrará.

Igor Horbach

É autor, ator, dramaturgo e produtor brasileiro. Nascido em Tangará da Serra – MT, publicou seu primeiro livro aos 14 anos e o segundo aos 16. Em 2017 se mudou para Curitiba onde iniciou sua carreira de ator, produtor e dramaturgo. Em 2019, produziu e dirigiu a serie Dislike. Em 2020 publicou seu drama de estreia, Cartas para Jack. Em 2021 lançou a série de contos intitulada Projeto Insônia.

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