Teatro
Companhia de Teatro da UFPR recebe homenagem na Câmara Municipal de Curitiba
A homenagem reconhece os 30 anos de trajetória da Companhia de Teatro da UFPR e destaca a importância da formação artística, da criação coletiva e da produção cultural universitária na cena contemporânea de Curitiba
Por Redação
A Companhia de Teatro da UFPR será homenageada pela Câmara Municipal de Curitiba na próxima terça-feira (26), às 9h, durante cerimônia de votos de congratulações e aplausos proposta pela vereadora Giorgia Prates. O reconhecimento destaca a trajetória artística, pedagógica e cultural construída pela companhia ao longo de 30 anos de atuação na cidade.
Atualmente sediada no Prédio Histórico da UFPR, a companhia desenvolve processos de criação coletiva e formação em artes cênicas, reunindo anualmente novos elencos selecionados por chamadas públicas. Com pesquisas voltadas ao teatro contemporâneo, experimentação de linguagens e ações pedagógicas, o grupo consolidou-se como um importante espaço de formação artística universitária em Curitiba.
Para o diretor cênico e administrativo da companhia, Rafael Lorran, a homenagem ultrapassa o caráter simbólico e representa também um reconhecimento às iniciativas culturais desenvolvidas dentro da universidade pública.
“Reconhecimentos como esse reafirmam a importância de iniciativas poéticas e políticas desenvolvidas no âmbito universitário, comprometidas com a criação artística vinculada à experiência pública, à ampliação dos acessos e à manutenção de espaços gratuitos de formação e experimentação”, afirma.
Segundo Lorran, o interesse crescente pelos processos seletivos da companhia evidencia a relevância do trabalho realizado pelo grupo nos últimos anos.
“Nos últimos quatro anos, a Companhia vem recebendo entre 250 e 300 inscrições em seus processos anuais de seleção de elenco, um número expressivo no cenário das ações artísticas e pedagógicas em artes cênicas”, destaca.
O diretor também ressalta as dificuldades enfrentadas por coletivos vinculados à universidade pública, especialmente em relação à permanência e circulação das produções artísticas.
“Grande parte da produção artística universitária é construída em condições muito delicadas de permanência, especialmente no que diz respeito à circulação dos trabalhos e à manutenção de repertórios. Muitas vezes, apesar do retorno do público e do desejo de continuidade das obras, os espetáculos existem apenas em temporadas curtas, atravessadas pela limitação de recursos”, pontua.
Ainda de acordo com Rafael Lorran, a homenagem ajuda a registrar na memória cultural da cidade a importância dessas experiências artísticas.
“Uma homenagem também inscreve memória de nossa existência na cidade. Ela afirma a trajetória de diferentes imaginários de criação que, anualmente, constroem modos possíveis de encontro, escuta e elaboração artística”, diz.
Lorran também destaca que a continuidade da companhia só é possível graças à colaboração de artistas da cena curitibana que participam da construção coletiva do projeto.
“É importantíssimo lembrar que, embora a Companhia de Teatro da UFPR seja um corpo artístico estável vinculado à Universidade Federal do Paraná, o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos oito anos só acontece graças à parceria de artistas profissionais da cidade que aceitam construir coletivamente este projeto”, afirma.
O diretor ainda faz um agradecimento à atual equipe artística da companhia e aos profissionais que passaram pelo projeto nos últimos anos.
“Saúdo e relembro a atual equipe da Companhia formada pela parceria com profissionais admiráveis: Priscilla Pontes, Nelson Sebastião, Manu Santos Kimera e Leonardo Gumiero. Também agradecemos às profissionais que estiveram em parceria conosco em anos anteriores: Júlia Klüber, Siamese, Gal Freire, Juliane Rosa, Juni Bochne, Vic Vilandez e Cris Lemos, que compartilharam saberes e experiências junto à equipe artística e pedagógica da Companhia”, completa.
Fundada em 1995 pelo professor e diretor Hugo Mengarelli, a Companhia de Teatro da UFPR surgiu inicialmente com o nome Companhia PalavrAção, responsável também pela criação do TEUNI (Teatro Experimental da UFPR). Há oito anos, o grupo passou por reformulação administrativa e passou a atuar sob direção de Rafael Lorran, em parceria com artistas convidados da cidade.
Entre os trabalhos recentes da companhia está o espetáculo “LAMPIÃO” (2019), inspirado no jornal Lampião da Esquina, publicação dedicada às pautas LGBTQIAPN+ durante a ditadura militar. O processo contou com consultoria do escritor João Silvério Trevisan.
Durante a pandemia, a companhia manteve atividades remotas com intervenções urbanas, obras audiovisuais e espetáculos online, além da publicação do e-book “ReviraVoz”, disponível gratuitamente.
Nos últimos anos, o grupo também desenvolveu a trilogia “Modos de Pertencer e Lembrar”, formada pelos espetáculos “Asa Serpente” (2023), “Arrebentação” (2024) e “Artéria Rara” (2025), trabalhos construídos a partir de dramaturgias inéditas e processos colaborativos.
“Quando uma companhia estudantil é reconhecida em uma cerimônia pública, evidencia-se não apenas o impacto dessas produções na cena cultural local, mas também a importância de modos de criação coletiva atravessados por formação, pesquisa, convivência e elaboração de futuro para artistas”, conclui Rafael Lorran.

