Aquele sobre sonhar, ser e fazer um mundo diferente

“Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar a cultura”. Chimamanda Adichie

Por Elinéia Denis

O que você sente quando alguém te chama de feminista? O que essa palavra carrega? Que rosto, que jeito, que trabalho, quem é uma pessoa feminista? Em meio a tanta angústia, preconceito, desgaste, luta e luto precisamos pensar por que limitamos as palavras ao estereótipo?

Eu quero amparar essa conversa em um pequeno livro com linguagem bem atraente, poucas páginas, tempo de leitura de mais ou menos uma hora, mas que tira o tema do imaginário e do estereótipo, que tira do acadêmico e traz uma boa dose de primeiras reflexões para todos.  “Sejamos todos feministas” é antes de tudo um convite, a abertura de um espaço para conversas simples que aproxima pessoas. O livro é uma versão adaptada de um TEDx apresentado em 2012 pela autora africana Chimamanda Adichie, que inclusive foi musicado pela rainha Beyoncé, na música Flawless (you wake up, flawless).

“We teach girls to shrink themselves

To make themselves smaller

We say to girls

“You can have ambition

But not too much

You should aim to be successful

But not too successful

Otherwise you will threaten the man”

Because I am female

I am expected to aspire to marriage

I am expected to make my life choices…”

Chimamanda nos guia por histórias que ela viveu em Lagos, Nigéria. Mas acredite, certamente você em São Paulo, Nova York, Curitiba ou Fortaleza, qualquer lugar do planeta terra já viveu situações bem parecidas. Em todos os lugares desse mundo, construído por homens, as mulheres entram acompanhadas em restaurantes e o garçom dá as boas-vindas somente ao homem, em todas as universidades e boa parte das salas de aula, uma mulher pensa e repensa sua roupa antes de uma apresentação ou da sua banca de graduação. Pouco antes de escrever esse texto, eu mesma me vi pensando se estava com a roupa e a maquiagem adequadas para entrar em uma conversa e o quanto estar vestida de acordo com a expectativa social masculina, por vezes, dificulta ou facilita nossas conversas. É necessário pensar que muitas mulheres nem estarão nas universidades e nem em reuniões de trabalho, pois falta acesso.

‘A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo.” (p.26) e por isso essa conversa não pode mais ser acadêmica, ou baseada em textos complexos, precisamos atingir novas pessoas e dar acesso a tantas outras.

Sejamos todos feministas é um convite ao SER, que significa ‘acreditar na igualdade social, política e econômica entre os sexos’. E aí, qual parte disso você discorda? Qual parte dessa equação você não quer que exista?

Mulheres morrem todos os dias em situações de violência, enfrentam dependência financeira e são deixadas à margem. As mulheres que trabalham e estudam precisam fazer o dobro e tem que se provar o tempo todo e conviver com a exclusão, o confronto, o roubo de ideias e descrédito diário. A discussão é sobre criar uma base de equidade, para que as mulheres possam fazer escolhas reais sobre suas vidas, seu futuro, seu trabalho. Precisamos que TODAS tenham um futuro.

A realidade é que o mundo foi moldado em escolhas pré-definidas para as mulheres. Meninas são criadas acreditando que para elas há um limite, nos ensinam que outras mulheres são rivais. E como cita Adichie ainda ‘elogiamos a virgindade das meninas, mas não a dos meninos’ pronto, temos expectativas pré-definidas. Quando pensamos que isso é coisa do passado, basta olhar para o lado e para os noticiários, a falta de equidade é a base da cultura do estupro.

“Os nigerianos (troque aqui por os seres humanos) foram criados para achar as mulheres inerentemente culpadas. E elas cresceram esperando tão pouco dos homens que a ideia de vê-los como criaturas selvagens, sem autocontrole, é de certa forma aceitável.” (p.35) é dessa base estrutural, fortalecida e sustentada há séculos que vem a cultura da culpabilização da vítima e cabe a nós criarmos essa roda de conversa para mostrar uma forma de educação humana, mais saudável e mais humana de fato. É sobre essa herança cultural pesada e injusta que o livro vai falar.

E aqui vem o convite mais profundo e que grita no peito de quem sabe que feminismo não é um estereótipo, uma moda, uma guerra, nem um atentado aos homens. Talvez seja uma resposta urgente a uma cultura machista e patriarcal, uma cultura milenar: “A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar a cultura” (p.48)

Esse livro é sobre isso, meu texto é sobre isso, sobre pensar um mundo diferente e mais justo para TODAS, TODES que se reconhecem como mulher. É sim sobre sonhar, mas é sobre fazer e ser diferente é sobre conversar com quem está ao nosso lado e muitas vezes não entende a necessidade dessa igualdade, não entende o comportamento que reproduz. Um livro que com palavras simples e bem escritas pode ajudar a tirar um véu que esconde as escolhas de que tipo de feminista você pode ser, de como você pode ajudar outras pessoas a se entenderem feministas. Este é um convite para colocar o pé na água, não é ainda um mergulho profundo, mas todo mergulho requer um começo e ninguém começa mergulhando com tubarões brancos.

Bem se você me conhece, me lê, me segue, você sabe como uma feminista se parece, se não conhece bora aqui tomar um chá e conversar?

Que tal ouvir ou ver o TEDx: https://www.ted.com/talks/chimamanda_ngozi_adichie_we_should_all_be_feminists?language=pt-br

Com afeto,

Elinéia Denis @elineiadenis

Curiosa, inquieta e feminista. Especialista em ambientes digitais com amplo conhecimento em branding, posicionamento e reposicionamento de marca. Conta com mais de 15 anos de experiência profissional, é mentora de Tendências e Marketing e atua na gestão da Comunicação e Marketing no mercado corporativo.

 

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