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Cinema

Guerra Civil um filme sobre a importância do jornalismo 

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por Vanessa R Ricardo 

Duas semanas antes da estreia de um dos filmes mais aguardados de 2024, pude acompanhar em uma sala de cinema em Curitiba, a cabine de imprensa do filme Guerra Civil, fazia tempo que não via tantos colegas da imprensa impactados e emocionados com um filme. Na saída alguns jornalistas se reuniram em conversa, muitos afirmaram que ficaram mexidos. Admito que isso raramente acontece.

O filme Guerra Civil do diretor Alex Garland, estrelado por Kirsten Dunst e Wagner Moura é muito mais que um filme de guerra, ele traz muitas reflexões, principalmente sobre o papel da imprensa. Em entrevista recente, Garland falou que seu novo filme é sobre a importância do jornalismo e da reportagem. Divagando um pouco, não tem como não refletir e trazer essa questão para os dias atuais, de uma imprensa livre, sem rabo preso com ninguém, que esteja disposta em divulgar uma notícia e deixar para que o leitor faça a sua própria escolha. Se existe desconheço. Ainda que esse seja o pilar da ética profissional, fazer um jornalismo imparcial.

Voltando para o filme, Guerra Civil conta a história dos personagens de Kirsten (Lee Smith) e Moura (Joel) que se juntam com outros dois personagens, Sammy (Stephen Henderson), o último jornalista de guerra do The York Times e Jesse (Cailee Spaeny), uma jovem aspirante à fotojornalista. Os quatro atravessam o país tomado pelo conflito. O filme tem ótimos diálogos sobre o fazer jornalismo. Lee Smith questionada por Jesse de como ela reage à violência de uma guerra, responde que seu trabalho é de registro para que as pessoas questionem. Em outro momento ela fala que escolheu ser fotojornalista de guerra, na esperança que ao mostrar os horrores de um conflito as pessoas escolhessem não fazer mais guerras. 

Mas não é só sobre isso, a história que se passa em um futuro distópico, mostra que a polarização política levou a uma guerra civil nos Estados Unidos. E os quatro jornalistas atravessam o país tomado pelo conflito. Na trama não existe mocinho ou vilão, acredito que o filme nem tem essa pretensão, a narrativa coloca o público como lente dos jornalistas, que estão ali para mostrar os horrores de uma guerra. Que para ambos os lados desumaniza o adversário na justificativa de matar. 

Não posso deixar de falar sobre Wagner Moura, não é novidade para ninguém que ele é um excelente ator. E ele está ótimo em Guerra Civil, na história cheia de tiros e violência, seu personagem Joel é utilizado como alívio cômico, em contrapartida, protagoniza um das cenas mais tensas e chocantes, quando um soldado nacionalista faz distinção entre “tipos de americanos”. 

Guerra Civil me surpreendeu e recomendo que todos assistam, é aquele tipo de filme que nos faz refletir sobre o presente e o futuro. Olhando para o mundo agora, com os conflitos que acontecem neste exato momento, a impressão que tenho é que estamos a um passo de mais uma grande guerra. A polarização e a desumanização estão sendo colocadas  em prática neste exato momento, e é assim que se começa a justificar um grande conflito. Como dizia o cineasta russo Serguei Eisenstein o “Cinema é a Janela para a Realidade”. E Guerra Civil assim como o cinema de Eisenstein pode estar a um passo de se tornar realidade, que possamos enquanto comunidade dar um passo para trás e dizer não à guerra. 

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