Curitiba
Tom Zé celebra 90 anos com show em Curitiba em novembro
Um dos nomes fundamentais da Tropicália, músico apresenta retrospectiva da carreira no Tork’n Roll, na véspera do feriado
Foto: Divulgação
Por redação
Aos 90 anos, Tom Zé continua fazendo aquilo que atravessou praticamente toda a sua trajetória: experimentando. No dia 1º de novembro, domingo e véspera de feriado, o cantor e compositor baiano chega a Curitiba com o show “Tom Zé 90 Anos”, no Tork’n Roll.
A apresentação percorre diferentes momentos de uma carreira que ajudou a deslocar as fronteiras da música popular brasileira. No repertório estão canções como “Parque Industrial”, “Augusta, Angélica e Consolação”, “Xiquexique”, “Jimmy, Renda-se”, “Vai”, “Senhor Cidadão” e “Tô”.
Mas a celebração dos 90 anos não significa que Tom Zé esteja vivendo apenas de retrospectiva. Em agosto, o músico lançou o single “Futuro Fruto”, mantendo uma produção marcada pela inquietação e pela procura de novas possibilidades sonoras.
Da Tropicália à experimentação
Nascido em Irará, no interior da Bahia, Antônio José Santana Martins chegou a São Paulo no final da década de 1960. Em 1968, esteve entre os artistas que deram forma à Tropicália, movimento que colocou em choque referências da cultura brasileira, música popular, rock, experimentação e cultura de massa.
Tom Zé participou do histórico álbum coletivo Tropicália ou Panis et Circencis, ao lado de nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Nara Leão e Rogério Duprat. No mesmo período, venceu o Festival de Música Popular Brasileira de 1968 com “São São Paulo, Meu Amor”.
Sua trajetória, entretanto, nunca coube confortavelmente dentro da própria Tropicália.
Ao longo das décadas seguintes, Tom Zé transformou a experimentação em método. Estudou samba, pagode e bossa nova, investigou estruturas da canção brasileira e incorporou aos discos e apresentações objetos pouco convencionais como buzinas, enceradeiras e esmeris.
Depois de um período distante do grande circuito da indústria fonográfica, sua obra ganhou nova projeção internacional no fim dos anos 1980 e início dos 1990, quando David Byrne, fundador do Talking Heads, descobriu seus discos e passou a divulgá-los fora do Brasil.
O reconhecimento abriu um novo capítulo em uma carreira que jamais deixou de dialogar com artistas de outras gerações. Nos últimos anos, Tom Zé trabalhou com nomes como Emicida, Tim Bernardes e Rodrigo Amarante. Em 2017, lançou Estudando o Dub, projeto realizado com Lee “Scratch” Perry, uma das figuras centrais da história do dub jamaicano.
Chegar aos 90 anos em atividade talvez seja mais um capítulo dessa recusa em permanecer parado. Se parte do repertório apresentado em Curitiba atravessa décadas, Tom Zé continua tratando a música não como peça de museu, mas como território de invenção, estranhamento e provocação.
Em novembro, Curitiba terá a oportunidade de reencontrar um artista que participou de uma transformação profunda da música brasileira — e que, nove décadas depois de nascer em Irará, ainda parece pouco interessado em se acomodar ao lugar de monumento.
SERVIÇO
Tom Zé 90 Anos – Curitiba
Data: 1º de novembro de 2026, domingo
Horário: 20h — abertura da casa às 19h
Local: Tork’n Roll
Endereço: Avenida Marechal Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba
Realização: Transpira
Ingressos: disponíveis pela plataforma Meaple

