Música
O Guairinha enegreceu com Rubia Divino, orquestra e convidados
Em celebração aos 18 anos de carreira da cantora, o espetáculo reuniu artistas negros do Paraná em uma noite que merece circular por outros palcos.
Por Vanessa R. Ricardo
Se você cogitou não ir ao show de Rubia Divino no Guairinha, perdeu uma das grandes noites da música em Curitiba neste segundo semestre. “Rubia Divino Orquestra & Convidados” foi um show para sentir. Espero que circule, porque o que aconteceu ali merece encontrar outros públicos.
Carioca que escolheu Curitiba para viver, Rubia celebrou 18 anos de carreira ao lado de uma orquestra com arranjos lindíssimos e dos convidados Daniel Monteles, Dow Raiz, Jay de Oya, Majis e Wes Ventura. Impossível não se arrepiar com a força da orquestra, regida pela maestrina Ana Spadoni, com arranjos assinados por Matheus Brandão. Em alguns momentos, a emoção tomou conta. Quem não se emociona com aquilo, não está vivo.
O espetáculo celebrou a ancestralidade e a música autoral negra produzida no Paraná. Com canções dos Eps Liberdade e Transborda, que receberam novos e inéditos arranjos.
A formação, composta majoritariamente por pessoas negras, mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, também fez pensar em quem tem a oportunidade de criar e ocupar um palco como o do Guairinha.
Enquanto assistia, lembrei de uma entrevista da atriz e diretora Grace Passô ao Notícia Preta. Ao falar sobre sua trajetória no cinema, ela disse que começou a dirigir “para poder atuar, para poder existir”. A fala ecoou naquela noite. Rubia criou um espaço para celebrar sua caminhada e, junto dela, tantas outras vozes.
Saí do Guairinha com uma frase na cabeça: o amor é revolução. Naquela noite, ele também teve som de orquestra.

