“Meu nome eu não sei na verdade, mas como se pode notar, amor em mim não falta”

Iria Braga adotou como uma descrição pessoal do seu trabalho, as palavras da música “Crotalus Terríficus” de uma das parcerias mais exóticas do cenário musical brasileiro, Arrigo Barnabé e Paulinho da Viola. A faixa foi gravada no seu primeiro disco, junto a composições que vão de Cartola a Bizet, além de uma faixa autoral. Nelson Motta comentou uma vez sobre o trabalho de Iria: “Achei a música linda e tristíssima.” Esses adjetivos explicam um pouco da descrição adotada.

Nesses 20 anos de carreira, Iria já passou por diferentes partes do Brasil, além de uma passagem pela Espanha, um período na França e recentemente uma turnê de 7 shows pela Argentina. A reação dos diferentes públicos coincide no emocional, as pessoas passam o show completamente atentas e emocionadas, acompanham os respiros tão profundos de Iria em sincronia perfeita com seus músicos e sorriem quando ela solta os cabelos e começa a dançar os ritmos mais brasileiros.

Iria é uma artista que foge do convencional e por isso atrai a curiosidade do público por onde passa, as pessoas (jornalistas, produtores) frequentemente a procuram depois de ouvi-la para entender a fusão que ela apresenta na sua música, tantas sensações juntas, tantas influências musicais, passando pelo samba e ritmos tão fortes na sua raiz, jazz, música erudita e tantos outros sons que ela foi encontrando pelos caminhos, poucas pessoas logram juntar tudo isso dentro de uma mesma música.

Iria é uma artista negra que representa a resistência das mulheres brasileiras, estudar jazz, música erudita e ritmos populares é um ato de resistência, subir ao palco e interpretar um repertório complexo com exigências de alta qualidade é um ato de resistência na arte, levar música brasileira para fora do país e ser elogiada pelos principais meios de comunicação da área musical do país é um grande ato de resistência.

Sem medo do risco, Iria se lança para descobrir outros Brasis, entender o Brasil fora do Brasil, o Brasil que influencia e é influenciado, e, sorver tudo o que pode para sua arte musical. Cantar na primeira pessoa!

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