Mistura Fina – Gente compondo – Ai, ai ai

“Ai, ai, ai, o nosso medo não vai pro jornal, a gente é um e cada um não tem um outro igual. Então por que tamanha solidão se o nosso amor nem passa na TV. Saí correndo e vim dizer meio sem jeito que amo você” Mauro Barbosa

Por Giseli Canto

Falando que pessoas são música, continuo aqui fazendo uma referência à esperança do cenário musical da sua cidade. Trazendo um recorte, falo um pouco de Curitiba.

Parece que a música é apenas um pano de fundo pra nossas vidas, mazela, a música, nos ajuda a contemplar a vida de muitas maneiras, pode nos levar a muitos lugares, nos faz lembrar de momentos inesquecíveis, nos faz criar e tem o poder de nos fazer viajar, como um livro!

Curitiba ficou na TV quando Mauro Barbosa,grande personalidade da música curitibana, compositor, escritor e incentivador cultural, compôs a música Ai, ai, ai. A gravação do vídeo foi produzida pela RMC: Rádio Música Curitibana, com o objetivo de promover a música curitibana.Mais de 40 pessoas participaram do projeto, sem recurso financeiro ou patrocínio. Mauro também faz parte dos compositores que, participaram do início e, desenvolveram grandes obras no reduto da Segunda Autoral.

E pra continuar falando de como a cidade de Curitiba conserva sua força e cria oportunidades, eu continuo falando com com José Oliva sobre esse cenário tão promissor.

GC – Cenário cultural

Olha quanta gente compondo! O que me dá muita convicção sobre a vitalidade de nossa música é ver quanta gente está compondo bonito e tocando e cantando bonito, nessa terra. Uma passarinhada de uma novíssima geração e um bando de músicos de gerações não tão novíssimas. Não é pra menos. Curitiba é hoje a única capital com um Conservatório de Música Popular Brasileira, sem contar a Oficina de Música, a Escola de Belas Artes e mais uma porção de escolas formando uma boa fornada de músicos ano após ano. Ou seja, hoje, um dos polos mais significativos da música brasileira. Dou um exemplo: em minha página do facebook, desde outubro de 2019, eu publico uma média de 4 ou 5 músicas semanais selecionadas, de compositores de Curitiba, num projeto que chamo de Rádio Clique. Só no ano passado foram mais de 150 compositores diferentes. E eu não publiquei todos. Tem muita gente ainda para publicar.

GC – Revolução

Uma revolução cultural. Sempre acho que existe espaço para amplificar a grandeza do que o Bardo Tatara faz. Ampliar nos palcos, nas emissoras de rádio e nas tevês assim como acontece um pouco nas redes sociais. Nos anos 70, meu Deus, do século passado, Curitiba vibrava com essa ideia. Naquela década nasceu o Mapa – Movimento Atuação Paiol, que reuniu os compositores locais não em segundas, mas em temporadas autorais. Uma semente do que acontece hoje. Uma rádio, a Iguaçu, investia na gravação das músicas de compositores locais, para veicular em sua programação. Algumas viraram temas de novela, outras se projetaram nacionalmente e muitas eram até procuradas nas lojas de disco. É por aí: se rádios daqui incluíssem, com frequência, essa beleza da música que está sendo produzida em Curitiba, como a Bárbara Kirchner faz com seu Curitibaneando, na Rádio Cultura FM, criariam a possibilidade de as pessoas se identificarem. E aí formariam plateias, haveria mais programação nos teatros, mais empregos nessa área e um ciclo virtuoso se instalaria.

GC – Ações podem ser realizadas pra mudar esse cenário

JOSÉ OLIVA –  Que pessoas são músicas? Eu fiz parte do Mapa, tive música “bombando” nos bons tempos – já faz uma eternidade, da Rádio Iguaçu e lancei meu CD mais recente, o Pessoas São Músicas, numa Segunda Autoral do Bardo Tatára, assim como em outros bares que são referências da noite musical curitibana. E a minha sensação é de que aí também há um caminho. Assim como o Bardo tem seu público bem definido e trata dele com carinho, outras casas, outros bares podem identificar e definir seus públicos e criar programação de qualidade, voltada para eles. É como definir que pessoas são músicas para cada casa, com quais pessoas a música da casa se identifica e aí então servir um show de iguarias todos os dias para elas. Tenho ouvido falar, por exemplo, do Palco dos 5 Sentidos que, em Curitiba, é focado em música de concerto, imagine. E tem seu público. Da mesma forma, poderiam existir as casas especializadas em música popular brasileira, em jazz, em samba raiz, enfim até em sertanejo universitário. Assim sempre haveria público para elas da mesma forma como haveria cada vez mais plateia para a boa música produzida por aqui.

GC – Projeto de atitude

JOSÉ OLIVA – Minha casa é uma banca na Feira do Largo!

Um dia, criar, escrever e compor me levou a conceber as Caixinhas de Atitude, que trazem cartazes para se ler e objetos que instigam os leitores a tomarem uma atitude em relação ao que leem. Aí eu descobri que o melhor lugar para oferecê-las ao

público era e é a Feira do Largo, dos domingos, na Praça Garibaldi. Esse espaço passou a ser o meu bar, vamos dizer assim, a minha casa e a música da casa passou a ser esse desejo de mobilizar as pessoas em relação a si mesmas por meio de textos para se ler, mais tarde músicas para ouvir e objetos para estimular atitudes. E todo domingo, há um publico que se identifica com esse trabalho, que vai até lá ou que indica outras pessoas para ir conhecer. Meu trabalho de música foi incorporado pelas Caixinhas de Atitude e o mais prazeroso disso tudo é o fato de que as Caixinhas nasceram por causa do texto “Pessoas São Músicas, Você Já Percebeu?”,  texto que fala da importância da gente ouvir a música de cada pessoa, compreender seu ritmo, sua melodia, seu jeito de ser, porque toda pessoa tem que vibrar, ser feliz, fazer sucesso, mesmo que não esteja nas paradas, mesmo que não toque no rádio. E olha, escrevi Pessoas São Músicas originalmente para apresentar o show de lançamento do meu primeiro disco, Todas as Pessoas, no Teatro Guaíra, há muito, muito tempo atrás.

Colaboração: José Oliva – Publicitário criador das Caixinhas de Atitude, compositor curitibano, traz em suas veias a essência do criador, da arte que mexe com a vida e faz pensar.

Entrevista na íntegra: @misturafinaarte

Saiba mais:

Mauro Barbosa: https://www.facebook.com/maurobarbosaoficial

José Oliva: https://youtu.be/weIN901YMbo ; https://www.facebook.com/jose.oliva.129https://www.facebook.com/CaixinhasDeAtitude/

Você poderá discordar, perguntar, não entender direito, mas precisa gostar de estar aqui comigo! Do contrário não vale a pena!

Espero você!

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Giseli Canto

Giseli Canto é cantora paranaense de Curitiba, professora de Artes aposentada, roteirista, produtora, apaixonada pela música e tudo que se refere ao poder transformador dessa arte, pela família e pelos amigos, que considera sua segunda família. Ama uma boa conversa e está sempre aberta a novos caminhos. Seu olhar otimista para o ser humano faz de sua vida um mundo recheado de boas relações e experiências.

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2 pensamentos “Mistura Fina – Gente compondo – Ai, ai ai”

  1. Obrigado outra vez pelo espaço e oportunidade de expressar o que creio. Parabens por esse A Cena que acena com boas luzes e nos deixa bem claro que há cena em nossa música e em nossa história para curtir, se identificar e valorizar! Baita beijo!

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