Conexão Cultural – Arte “on”

Por Bianca Nascimento

A poltrona da plateia e a sala de ensaio hoje são a sala de casa. Não é fácil para os atores, tão acostumados com os improvisos e o calor da plateia, enfrentar agora os “delays” das transmissões online. Mas, é necessário. O jeito foi continuar a ensaiar e ensinar pela plataforma Zoom, a mais conhecida e usada pelos artistas para interação online. E desde então, vêm surgindo  ideias maravilhosas.

Uma delas foi unir a apresentação online e presencial. A companhia de teatro  Castello Branco Produções, voltou a transmitir um dos seus principais espetáculos infantis, ” A Bela e a Fera, o musical”, que ficou anos em cartaz com  grande sucesso de público e crítica.

Agora, o musical retorna com apresentações no Teatro Vannucci, em dois formatos: público reduzido e cumprimentos dos protocolos de segurança,  transmitido também online, simultaneamente, pelo  Zoom, onde o público também precisa adquirir um ingresso. A diversão fica garantida dentro de casa entre a família aos sábados e domingos.

Lembro que quando cheguei ao Rio, o primeiro musical que assisti,  tinha no elenco um ator que me chamou a atenção  pela voz forte e interpretação cativante. Mal sabia que meses depois, esse talentoso ator e diretor, Areias Herbert, figura marcante nos musicais do Rio de Janeiro pela sua forte veia artística da comédia que leva em seus personagens, viraria meu melhor amigo numa cidade muitas e muitas vezes com cena artística tão competitiva.

Desde a formação de “A Bela e a Fera,  o musical”,  Areias vem representando o divertido personagem Gaston. Dentro da mesma companhia,  ele também interpretou o tubarão Bruce, no espetáculo “Nemo , o Musical”, sob direção Renato Calvet e produzido pelo mesmo, junto a atriz e produtora Beta Brito. Com seus mais de trinta anos de carreira no teatro, Areias me contou  como é desafiador se apresentar com o público distante e reduzido.

“A distância e a redução do público foi um desafiador pois estamos acostumados com casa cheia, calor humano, aplausos, risadas. É difícil também  conseguir manter o espetáculo em cartaz, devido ao público mais escasso. Mas, estar no palco, sempre é mágico. Através das plataformas online, buscamos na comunicação online uma possibilidade de, com toda licença, entrar nas casas do público e continuar a levar a arte que escolhemos servir, com muito  carinho e hoje, também, com respeito às normas de segurança”, conta Areias Herbert.

Como diretor e professor, ele também me disse como é ensinar e dirigir  alunos nesses novos tempos. ” Precisei me colocar junto a eles em estado de aprendizado, descobrindo que a comunicação vence barreiras e se faz necessária para que continuemos a nossa jornada. Nos adaptamos ao tão temido delay das transmissões online, trabalhando assim a pausa e a paciência”.

As aulas renderam ao seu trabalho, um filme ” Alice no País das Maravilhas”, gravado de forma inteiramente remota, por seus alunos e amigos profissionais como euzinha que vos escreve aqui ( Bianca Nascimento), Nano Max,  Ju Marins, Tatiana Gusmão,  Amanda Paes e Brendo Areias. O outro destaque nesse desafio durante a pandemia foi participar do Grupo Misa, que criou o premiado clipe “Um trem pra Minas”, gravado também de forma remota.

Bianca Nascimento

Jornalista, atriz, nômade. Em sua jornada na arte e jornalismo, Bianca Nascimento esteve à frente da assessoria de imprensa de projetos culturais em Curitiba e na comunicação da Secretaria da Cultura do Paraná. Sua alma nômade já a levou para a África do Sul, onde morou e trabalhou com marketing na área de intercâmbio. Agora, há dois anos morando no Rio de Janeiro, onde já se aventurou como atriz em teatro de comédia e musical, traz para o Jornal A Cena, literalmente, as novidades da cena cultural do Brasil para Curitiba e de Curitiba para fora.

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