Teatro

“Sem Palavras”, espetáculo da Cia Brasileira de Teatro tem tanto a dizer

Por Vanessa R Ricardo

Quando recebi a programação do Festival de Teatro  de Curitiba e vi que Márcio Abreu, com a Cia Brasileira de Teatro, iria trazer “Sem Palavras”, já coloquei na lista de prioridades. Desde “Preto”, apresentando em Curitiba um ano antes da pandemia. O icónico espetáculo, que trouxe ao palco  Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan e Rafael Bacelar, recebeu várias indicações de prêmios, inclusive de melhor peça de 2017.

Apesar da Companhia ser sediada em Curitiba, com seu escritório no bairro São Francisco, não é sempre que as peças do grupo vem a cidade. Dois espetáculos de 2019, “Bem-Vindos à Espécie Humana” e “Por que não vivemos”, não vieram a capital paranaense. Em entrevista o diretor Márcio Abreu, falou da dificuldade de trazer os espetáculos da cia para cidade  fora do festival, muito por conta do público conservador que aqui vive.

Antes de continuar, preciso fazer um parênteses, para falar justamente do público que vai ao teatro para ver os artistas famosos e não para ver arte. Exemplo disso, aconteceu na última apresentação de “Tudo” do diretor curitibano Guilherme Weber. A peça dividida em três atos, traz em forma de fábula contemporânea assuntos como burocracia do estado, a comercialização da arte e a religião.  Um espetáculo cheio de humor e ao mesmo tempo com uma inteligência astuta. Seria perfeito ao meu ver, se não fosse parte do público, que incomodou e muito. Por azar meu, sentei na frente de duas blogueiras da cidade, que tagarelaram o espetáculo inteiro. E os celulares? Mesmo na gravação que é colocada sempre antes do inicio de cada apresentação, afirmando que PROIBIDO FILMAR OU FOTOGRAFAR, o que mais vi, foi celulares com suas telas brilhantes, que nos cegam por um instante. Um cidadão ainda mais descuidado ao tirar uma foto de Júlia Lemmertz, disparou o flash no meio da peça. Que tal público, ir para teatro para ver arte?

Já a plateia de “Sem Palavras”, estava imersa, entregue. No palco oito atores, com corpos distintos que tem muito o que falar. Palavras, discurso de corpos diferentes que falam de diferentes lugares sociais. “Sem Palavras” é dedicado aqueles e aquelas a quem a voz foi sempre negada. E por isso o espetáculo já é incrível.

É quase impossível definir “Sem Palavras”, mas se fosse para escolher uma única palavra diria POTENTE.

Sobre “Sem Palavras”

Texto e direção de Márcio Abreu, é inspirado no livro “Um Apartamento em Urano”, do filósofo espanhol transgênero Paul B. Preciado e nos escritos da jornalista Eliane Brum.

Crédito Foto: Nana Moraes.

Direção e Texto: Marcio Abreu

Dramaturgia: Marcio Abreu e Nadja Naira

Elenco: Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventanía Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza

Direção de produção e administração: José Maria e Cássia Damasceno

Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira

Direção Musical e Trilha Sonora Original: Felipe Storino

Direção de movimento: Kenia Dias

Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura

Figurinos: Luiz Cláudio Silva| Apartamento 03

 

Sobre o autor

Vanessa Ricetti Ricardo, jornalista e assessora de imprensa, pós graduada em cinema, desde o início de sua carreira se dedica ao jornalismo cultural. Trabalha como repórter em rádio. Criou em 2013 o Jornal A Cena, onde divulga a arte e a cultura realizada no país.
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