Teatro

O Mistério de Solano e Miranda

Por Igor Horbach

Antes mesmo de saber que 2 grandes atores da dramaturgia nacional estavam no elenco de “O mistério de Irma Vap”, eu já quis assistir. O nome da peça e a sinopse já me cativaram logo de cara.

Os virtuosos Mateus Solano e Luis Miranda nós transportam para uma realidade paralela nem tão distante assim. É aquela sensação que temos quando viajamos para o interior do estado e escutamos aquelas histórias sem pé nem cabeça dos moradores da região. Não que o texto da peça seja assim, mas a história é. E isso a torna tão exuberante.

Os 2 atores acompanhado de 4 incríveis figurantes brincam com o rompimento da quarta parede várias vezes durante o espetáculo, se apropriam da realidade do mundo de maneira perceptível e crível dentro da limitação cênica e dramatúrgica. A crítica social é precisa na dosagem em que reverbera no inconsciente, ao contrário daquela forçada que muitas se tem por aí.

Os corpos são mutáveis e ousaria dizer que em um estágio nem físico nem líquido se fossem uma moleca química. A facilidade e agilidade em aderir um personagem masculino e uma personagem feminina entre um piscar de foco de luz transforma a efervescência do momento em algo excitante. 

O cenário articula tão bem com a temática e incorpora o elenco de maneira vivaz, sendo capaz de passar despercebido o seu esteriótipo de “mansão mal assombrada”. A iluminação é capaz de nós transportar para diferentes realidades, ambientes e vivências através de um simples foco de luz que se acende a metros de distância.

Os figurinos, embora simples e com poucos adereços, emudecem a plateia com a significância que adquirem de acordo com cada personagem. São eles que servem de interruptor entre uma persona e outra. Enquanto que a sonoplastia traz um ótimo senso de humor casualmente adicionado aos momentos de risada, provando sua eficiência.

Apesar de uma peça bem longa, ao meu ver, o texto é sendo jogado  para a plateia como se fizessem 5 minutos. Isso se dá pela entrega corporal e de vivência do elenco. O próprio Solano e Miranda trazem vida a caricaturas novas em um piscar de olhos e isso transforma o olhar sobre o mesmo.

As pequenas interferências para piadas mostram que os atores sabem do que estão fazendo e falando. Comprova a entrega vivida, absoluta e ampla de uma jornada por uma dramaturgia rica e diferente. É a mesma que vai colocar o elenco em uma escala nacional.

Mateus Solano se supera ao trazer personagens do mesmo gênero para o mesmo palco. Incorpora em sua fisicalidade o corpo e a voz de ambos de um jeito perpassam pela verossimilhança. 

Luis Miranda surpreende ao seguir o mesmo caminho que Solano, mas entregando resultados diferentes. Resultado esse que comprovaria a qualquer um que o Brasil é milionário quando falamos em talentosos artísticos.

Afinal de contas, qual o mistério de Mateus Solano e Luis Miranda para serem tão excepcionais com corpos, vozes e elementos externos de maneira que a peça se perca na sua própria existência e infinitude? 

Crédito foto: Marco Griesi.

Igor Horbach

É autor, ator, dramaturgo e produtor brasileiro. Nascido em Tangará da Serra – MT, publicou seu primeiro livro aos 14 anos e o segundo aos 16. Em 2017 se mudou para Curitiba onde iniciou sua carreira de ator, produtor e dramaturgo. Em 2019, produziu e dirigiu a serie Dislike. Em 2020 publicou seu drama de estreia, Cartas para Jack. Em 2021 lançou a série de contos intitulada Projeto Insônia.

Sobre o autor

É autor, ator, dramaturgo e produtor brasileiro. Nascido em Tangará da Serra – MT, publicou seu primeiro livro aos 14 anos e o segundo aos 16. Em 2017 se mudou para Curitiba onde iniciou sua carreira de ator, produtor e dramaturgo. Em 2019, produziu e dirigiu a serie Dislike. Em 2020 publicou seu drama de estreia, Cartas para Jack. Em 2021 lançou a série de contos intitulada Projeto Insônia.
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