Helena Ignez, nome inscrito na história do cinema brasileiro, ganha análise estética de sua trajetória artística pelas Edições Sesc SP

Em 232 páginas, livro dos professores e pesquisadores Pedro Guimarães e Sandro de Oliveira destaca as inovações e contribuições da atriz, roteirista e diretora para a construção dos denominados cinema novo e marginal

Na próxima quarta-feira, dia 22, às 19h, acontecerá a live de lançamento do livro Helena Ignez, Atriz Experimental, que contará com a participação da atriz, roteirista e diretora e dos autores, os professores e pesquisadores Pedro Guimarães e Sandro de Oliveira. O evento será transmitido no canal do CineSesc no Youtube (youtube.com/cinesesc).

“Uma obra pioneira que chega ao mercado com a proposta de revigorar a reflexão e a análise dedicadas ao trabalho de atrizes e atores do cinema brasileiro.” Com essas palavras, Ismail Xavier, professor emérito da Escola de Comunicações e Artes da USP, define o livro. Além disso, em seu texto de introdução ele destaca as inovações que Helena trouxe para o trabalho atoral, em parte resultantes de sua parceria com Rogério Sganzerla (1946-2004) e Júlio Bressane nos filmes da produtora Belair, a partir de 1970.

A análise desenvolvida dedica-se, segundo Xavier, a um processo de criação que, pela riqueza de práticas e estratégias de atuação da atriz, permite uma ampla caracterização de métodos de trabalho do cinema moderno, com ênfase na sua vertente experimental, dada a variedade de estilos encontrada ao longo da carreira de Helena, conforme os diferentes momentos do cinema brasileiro. Ao se concentrar nesse momento de sua carreira em que, na produtora Belair, ela se aprimorou na condição de “atriz-coautora” dos filmes, pelas invenções em sua performance dentro de um cinema experimental por excelência, o chamado “cinema marginal”, conforme denominação nos anos 1970-80, ou “cinema de invenção”, expressão criada pelo crítico Jairo Ferreira.

Para situar o estudo desenvolvido pelos autores, há, no início da obra, referências sobre a formação de Helena, desde o curso na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, em um período que essa escola e a universidade se destacaram no cenário brasileiro como um centro formador de alta qualidade, a seus primeiros anos de atuação em peças de teatro e sua estreia no cinema com o curta-metragem Pátio (1959), primeiro filme de Glauber Rocha (1939-81). Casada com Glauber nesse período, depois se separou dele e mudou-se para o Rio de Janeiro, deixando na Bahia a memória de sua figura independente e libertária.

Adjetivos inerentes à atriz aqui homenageada, que o diretor regional do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda, reforça: “Na imbricação de complexas realidades, vividas ou imaginadas, a arte tem solo fértil para se desenvolver. E o faz especialmente pelos artistas. No cinema, é de sua seara que emerge e se inscreve a atriz e cineasta Helena Ignez, em estilo próprio, de vanguarda e em diálogo com marcos da cultura nacional: o cinema novo, junto ao diretor Glauber Rocha, e o cinema marginal, com Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, parceiros de criação e afeto. Neste livro, originalmente publicado em francês, somos convidados a conhecer a trajetória dessa atriz e autora que, atenta a seu tempo e com olhos e lentes para além do horizonte, tem sua marca calcada na liberdade de escolher permanecer ou romper com os cânones, se isso melhor lhe serve ao ofício de atuar”.

Como define Chistophe Damour, professor de Estudos Cinematográficos da Universidade de Estrasburgo (França), Helena Ignez foi capaz de insuflar na tela uma energia sem limites em contato direto com a cultura fervilhante do país e as vicissitudes de sua época. “Ao mesmo tempo expressionista e burlesca, hierática e sexual, cerebral e animal, naturalista e poética, Helena é uma atriz plural que impressiona a película com sua presença singular”, avalia Damour.
“Ao refletir sobre o percurso da atriz com precisão conceitual e clareza de exposição, este livro responde a uma forte demanda nas pesquisas de cinema, teatro e interpretação. Uma notável contribuição para os estudos da cultura brasileira”, sintetiza Xavier.

SOBRE HELENA IGNEZ
Nascida em Salvador, em 23 de maio de 1942, Helena Ignez abandonou, a contragosto da família, a faculdade de Direito e foi cursar Artes Dramáticas. No meio teatral conheceu diretores brasileiros e americanos e acabou se envolvendo com os movimentos vanguardistas. Durante o período acadêmico conheceu Glauber Rocha, com quem se casou e teve uma filha, a diretora Paloma Rocha. Depois de se divorciar, a atriz, roteirista e diretora conheceu outro cineasta do chamado cinema marginal, Rogério Sganzerla, com que se casou e teve duas filhas, a atriz Djin Sganzerla e a produtora Sinai Sganzerla. Profissionalmente, depois de sua estreia no curta-metragem Pátio (1959), Helena participou de inúmeras produções no cinema, mas também marcou presença nos palcos e na TV. Entre os filmes, destacam-se Assalto ao trem pagador” (1962), O padre e a moça (1966, cuja atuação lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília e no Festival de Teresópolis), O Bandido da Luz Vermelha (1968), A mulher de todos (1969) , A família do barulho, Copacabana, mon amour e Cuidado, madame (os três de 1970). Sua primeira incursão como diretora ocorreu em 2005, com o curta A miss e o dinossauro; dois anos depois, assinou seu primeiro longa-metragem, Canção de Baal. Em 2009, atuou em Hotel Atlântico, de Suzana Amaral, e nesse mesmo ano codirigiu Luz nas trevas – a volta do Bandido da Luz Vermelha com base em um roteiro, de centenas de páginas, deixado por Rogério Sganzerla, morto em 2004.

SOBRE OS AUTORES

PEDRO GUIMARÃES
É professor e pesquisador em Cinema e Audiovisual do Instituto de Arte da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e doutor pela Universidade Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (França). É coordenador do GEAs (Grupo de Pesquisa sobre o Ator no Audiovisual/Unicamp), cocoordenador do Genecine (Grupo de Estudos sobre Gêneros Cinematográficos e Audiovisuais/Unicamp) e integra o laboratório de pesquisas ACCRA (Approches Contemporaines de la Création et de la Recherche Artistique), da Universidade de Estrasburgo (França). É autor de artigos nos campos dos estudos atorais, da história e estética do cinema e dos gêneros cinematográficos (melodrama, musical, filme noir).

SANDRO DE OLIVEIRA
É graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp, com pesquisa na área de atuação experimental no cinema. É professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) no curso de Cinema e Audiovisual e integra a ACCRA, laboratório de pesquisa em artes e mídias da Universidade de Estrasburgo (França). Participa, ainda, de grupos de pesquisa do CRIA (Centro de Realização e Investigação no Audiovisual – UEG), sob a coordenação do prof. dr. Rafael de Almeida T. Borges, e do GEAs, coordenado pelo prof. dr. Pedro Guimarães.

SOBRE AS EDIÇÕES SESC SÃO PAULO
Pautadas pelos conceitos de educação permanente e acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam livros em diversas áreas do conhecimento e em diálogo com a programação do Sesc. A editora apresenta um catálogo variado, voltado à preservação e à difusão de conteúdos sobre os múltiplos aspectos da contemporaneidade. Seus títulos estão disponíveis nas Lojas Sesc, na livraria virtual do Portal Sesc São Paulo, nas principais livrarias e em aplicativos como Google Play e Apple Store.

Os títulos das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc São Paulo, nas principais livrarias, em aplicativos como Apple Store e Google Play e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria

Serviço de lançamento
Dia 22 de setembro, quarta-feira, às 19h
Bate-papo com os autores, Pedro Guimarães e Sandro de Oliveira, com a atriz, roteirista e diretora, Helena Ignez.
Transmissão ao vivo no  canal do CineSesc no Youtube (youtube.com/cinesesc).

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Vanessa Ricetti Ricardo

Vanessa Ricetti Ricardo, jornalista e assessora de imprensa, pós graduada em cinema, desde o início de sua carreira se dedica ao jornalismo cultural. Trabalha como repórter em rádio. Criou em 2013 o Jornal A Cena, onde divulga a arte e a cultura realizada no país.

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