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Gastronomia

Carne de onça: o sabor cru que define Curitiba

Ícone dos botecos curitibanos, o petisco criado nos anos 1940 mistura tradição, cebola e personalidade, uma experiência que divide paladares, mas traduz a identidade da cidade

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Vanessa Come e Conta

Nem toda cidade cabe num cartão-postal, algumas cabem melhor num prato. Ou num petisco. Daqueles que dizem de onde você está antes mesmo de você abrir a boca.

No Paraná, isso é quase um mapa afetivo. Em Antonina e Morretes, o cheiro é de barreado. Na Ilha do Mel, a tainha reina. Na Lapa, a coxinha de farofa é patrimônio emocional. (E sim, ainda vou escrever sobre todas elas.)

Mas e Curitiba? O que a cidade serve que é só dela?

Não tem muito como fugir: a resposta vem crua, intensa e cheia de personalidade a carne de onça.

Criada nos anos 1940 no lendário Bar do Tatu, ela não tem nada de exótica no sentido literal. Esqueça o susto: é carne bovina crua, moída e bem temperada, servida sobre broa de centeio, coberta generosamente com cebola e cheiro-verde. Um petisco que chega antes do prato principal, mas que facilmente rouba a cena.

Não é democrática e tudo bem. Carne crua e muita cebola não são exatamente consenso. Mas pra quem entra no jogo, o segredo está nos detalhes: um fio de azeite de oliva, uma boa mostarda escura… e pronto. O sabor cresce, aparece, fica.

Eu, particularmente, adoro. E já virou quase um esporte: provar diferentes versões pela cidade. Inclusive, fica aqui o aviso vem aí um ranking pessoal de carne de onça, porque alguém precisa levar essa missão a sério.

Dessa vez, parei no clássico Bar do Alemão, no Centro Histórico. Lugar que não é só endereço, é experiência. Pedi meia porção, carne fresca, bem temperada, equilibrada e uma cerveja sem álcool pra acompanhar. Com os 10%, a conta fechou em R$ 69,30.

Vale? Vale pelo sabor, mas também pelo ritual. Porque em Curitiba, às vezes, a identidade não está no que se vê. Está no que se prova.

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