Interaja conosco

Carnaval

Samba: a história do ritmo que nasceu nos morros e venceu o preconceito para se tornar símbolo do Carnaval

Nascido nas comunidades negras do Rio de Janeiro, o samba enfrentou perseguição policial e elitismo cultural antes de se consolidar como a principal expressão musical do Carnaval brasileiro.

Publicado

em

Foto: Donga, pioneiro do samba

O samba é hoje a trilha sonora oficial do Carnaval brasileiro, mas sua trajetória até esse reconhecimento foi marcada por resistência, racismo estrutural e forte preconceito da elite. Nascido nos morros do Rio de Janeiro, o gênero surgiu das tradições africanas preservadas pelas comunidades negras após a abolição da escravidão, consolidando-se como uma forma de expressão cultural, política e coletiva.

No início do século XX, o samba era visto como música marginal. As rodas de samba eram frequentemente reprimidas pela polícia, instrumentos eram apreendidos e os encontros culturais das periferias tratados como desordem social. A elite carioca, influenciada por padrões europeus, rejeitava o ritmo por associá-lo à população negra e pobre. Esse processo de criminalização ecoa o que, décadas depois, aconteceria com o rap: dois gêneros nascidos nas periferias e inicialmente estigmatizados por dar voz às realidades sociais invisibilizadas.

Apesar da perseguição, o samba resistiu. O registro de “Pelo Telefone”, atribuído a Donga, em 1917, é considerado um marco histórico do gênero, abrindo portas para que o samba circulasse fora dos morros e alcançasse os centros urbanos. Ao mesmo tempo, músicos como Pixinguinha contribuíram para ampliar a sofisticação musical do samba, provando que aquela expressão popular tinha complexidade estética e grande valor artístico.

Com o avanço do século XX, o samba passou por um processo de institucionalização e, gradualmente, foi apropriado como símbolo nacional. Durante o período do Estado Novo, por exemplo, o gênero foi incentivado como parte da construção de uma identidade brasileira, especialmente por meio das escolas de samba e dos desfiles carnavalescos. No entanto, essa valorização não apagou suas origens periféricas e negras — apenas evidenciou a força cultural que emergia dos territórios historicamente marginalizados.

Hoje, o samba permanece como um dos principais pilares da cultura brasileira e da festa de Carnaval, mantendo viva a memória das comunidades que o criaram. Mais do que música, o samba é narrativa social, resistência e celebração coletiva. Suas letras falam de amor, luta, cotidiano e esperança, traduzindo em ritmo a experiência do povo brasileiro.

Assim como o rap contemporâneo, o samba nasceu enfrentando preconceitos, mas se consolidou como linguagem potente e indispensável para compreender o Brasil. Encerrar uma série sobre histórias de Carnaval falando do samba é reconhecer que a maior festa popular do país só existe porque, antes de ocupar avenidas e sambódromos, o ritmo resistiu nos morros, nos quintais e nas rodas de batuque. O samba é, acima de tudo, memória viva de resistência cultural e orgulho popular.

Seja nosso parceiro2

Megaidea