Paulo Beto faz homenagem a música eletrônica

A música eletrônica se faz presente atualmente em muitos momentos da sociedade:em sucessos de rádio, nas pistas de dança, em trilhas de cinema e novelas, nos próprios computadores. Há, contudo, espaços em que aparece muito pouco. É o caso dos teatros, sobretudo em programações relacionadas à música clássica. Pela segunda vez em sua história, a Série Solo Música pauta um concerto do gênero, desta vez com o músico, compositor e produtor Paulo Beto, também conhecido por Anvil FX. Ele apresenta um concerto inédito na Caixa Cultural de Curitiba, em 10 de julho, que tem tudo para ser no mínimo surpreendente.

“Paulo Beto é artistarespeitado e, como poucos, procura em seu trabalho uma interação entre a música eletrônica de linguagem pop e o universo da música clássica”, diz Alvaro Collaço, produtor e curador da Série, que agendou há dois anos recital com a russa Lydia Kavina, instrumentista de teremin. Municiado de sintetizadores analógicos, Paulo Beto ao mesmo tempo faz homenagem ao passado, como aponta elementos do futuro do gênero musical. “Quero apresentar um pouco sobre a evolução da música eletrônica nos últimos cem anos, mostrando que ela vai além do se imagina sobre ela normalmente. E também vou homenagear dois nomes brasileiros muito influentes, que são Jocy de Oliveira e Jorge Antunes, mostrando que existe umahistória pioneira no Brasil Outro foco émostrar aspossibilidades eletrônicas que expandiram a maneira de pensar a música”, explica o músico

No programa de concerto estão composições que dialogam com a música clássica, como “Bachteria”, composta por Paulo Beto em homenagem a Johann Sebastian Bach e a “Sinfonia2018, opus 1” e as homenagens a Jorge Antunes, carioca e que reside em Brasília e foi o precursor da música eletroacústica no Brasil e a Jocy de Oliveira, compositora curitibana pouco conhecida em sua cidade e que há anos reside no Rio de Janeiro. O concerto encerra-se, contudo, em clima “disco” e retrô com “The Chase”, música escrita por Giorgio Moroderpara o filme “O Expresso da Meia Noite”.

Ativista da música eletrônica

Um dos principais artistas da cena eletrônica de São Paulo, Paulo Beto nasceu em Minas Gerais. É mentor do grupo Anvil FX, em parceria com Juliana R. e BibianaGraeff.Lançou seis CDS e dois LPs com músicas próprias e tem participações em coletâneas no Brasil, Itália, França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão. Dividiu o palco com atrações internacionais como SwampTerrorists, Atari Teenage Riot, Ed Rush, Flanger, Nicola Conte, Amon Tobin, Stereolab, Truus de Groot e James Sclavunos (atual baterista do Nick Cave andBadSeeds). Participou de improvisação livre com o vocalista Damo Suzuki (ex-CAN).

Paulo Beto já se apresentou em Nova York, Barcelona, Monterrey, Buenos Aires, Paris, Berlim e na França, em Cannes. Produziu remixes e tem parcerias com Otto, Trio Mocotó, Pat C, Andrea Marquee, Zé do Caixão, Rica Amabis, Antonio Pinto (“Cidade de Deus” remixes), Le Hamond Inferno, Peter Thomas, Flu e Mawaca. Foi co-produtor e músico no evento “Tributo à Rogério Duprat – experiências tropicais” realizado em São Paulo, em 2003, com participações de Ruriá Duprat e Arnaldo Dias Baptista. Desenvolve o projeto Zeroum com Tatá Aeroplano que explora ritmos e temas ligados ao transe eletrônico e a psicodelia, com pitadas de Krautrock. Desde 1997 compõe e faz performances ao vivo para trilhas sonoras de filmes mudos. Através da sua produtora “Anvil FX Music andSound Design”, cria trilhas para comerciais e cinema.

A apresentação de Paulo Beto dentro da Série Solo Música, em 10 de julho, ás 20 horas, tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e é uma realização de Alvaro Collaço Produções. Ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) podem ser adquiridos na bilheteria da Caixa Cultural, na Rua Conselheiro Laurindo, 280. Informações pelo fone 2118-5111.

Crédito foto: Apollo Lénia Alexandrina

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