Espetáculo online Penélope integra a programação do Festival Midrash de Teatro

Uma vídeo chamada? Um chat virtual? Uma live em redes sociais? Seja bem-vindo e traga seu drink.

Por Assessoria de Imprensa
Com dramaturgia de Lígia Souza e direção de Nadja Naira, os atores Uyara Torrente e Pablito Kucarz se encontram e encontram com o público. Em Penélope, experimento de cena criado em isolamento social e pensado para ambiente virtual, uma história será contada e o privado tornado público.
A web peça teve 10 apresentações em 2020 no Instagram e conta com a dramaturgia publicada em livro.

Em 2021 faz sua primeira apresentação no Festival Midrash de Teatro, que tem idealização do Rabino Nilton Bonder e curadoria de Márcio Abreu. O festival conta com a participação de artistas como Denise Fraga, Eleonora Fabião, Janaína Leite e Newton Moreno.

SINOPSE
Como perceber que de repente, o destino de duas pessoas que se encontram, o destino, o futuro, o próximo segundo, ou mesmo o passado, será modificado a partir do que iremos fazer agora. Como saber o poder desse momento? Ou de qualquer outro momento da nossa vida?
Na história de origem, Penélope fica 20 anos esperando que Ulisses retorne da Guerra de Tróia. Essa atitude, esse hábito da espera, parece ter perseguido as mulheres por muitos anos. Na releitura escrita por Lígia Souza e dirigida por Nadja Naira, a personagem feminina vai em busca das experiências que nunca lhe foram permitidas. Uma volta ao mundo. Mas, antes de tudo, o que ela busca é a liberdade de escolher genuinamente o que quer pra sua vida. Ficar ou partir nunca mais serão estigmas, heranças de gênero.
Dois irmãos se encontram depois de muitos anos sem contato. O que essa escolha vai gerar? Eles possuem um passado em comum, algumas lembranças que surgem de um passado compartilhado. Eu conheço você! Mas, ao mesmo tempo, o luto, a distância e o silêncio mantido por anos faz surgir uma culpa e um ódio pela ausência. Quais são as ficções possíveis de quem fica e de quem parte?

SERVIÇO
Dia 20 de julho | terça-feira | 21h
Classificação Indicativa: Livre | Duração:  45 min.
Evento online via Instagram @midrashcultural
Os ingressos para o Festival são gratuitos, mas você pode colaborar com valores entre R$10,00 e R$ 50,00.
Ingressos: https://www.sympla.com.br/7-festival-midrash-de-teatro—penelope-parana__1270698
Após o espetáculo haverá um bate papo no zoom com a equipe de criação.

FICHA TÉCNICA
Texto: Lígia Souza
Direção: Nadja Naira
Elenco: Pablito Kucarz e Uyara Torrente
Design de vídeo e multimeios: Paulo Rosa
Design sonoro: Álvaro Antonio
Direção de produção: Gilmar Kaminski

Realização: La Lettre
Produção: Flutua Produções

“Penélope inspira, respira, transpira. Mas como é longo o caminho e incerto o destino. Desta vez, ela não espera pelo retorno de Ulisses, como condenou Homero. Essa mulher foi à luta, mesmo fraturando sentimentos. Ela não é vítima. É senhora de si. Os riscos são enormes. Mas o benefício é estar viva e bulindo.”
Ivana Moura para o blog Satisfeita, Yolanda?

“Ausências, partidas e expectativas. Penélope carrega esses temas nas suas diversas camadas. O que se espera dela é que ela espere. Que fique, que cuide. Desde o início fica evidente na interpretação de Torrente a diferença entre aceitar e querer sim. Ele, nesse sentido, é também um homem que foge ao padrão; No trabalho de Kucarz, o que emerge é o ressentimento, que não raro destila misoginia em sutilezas.”
Amilton de Azevedo para o site Ruína Acesa

Mais sobre o Espetáculo:
O primeiro registro brasileiro de uma dramaturgia escrita por uma mulher, é anônimo. No manuscrito de 1797, encontramos a indicação “Por uma anônima e ilustre Senhora da cidade de São Paulo”. Nos parece muito revelador o fato deste primeiro escrito ser a origem das mulheres na dramaturgia do nosso país. Na história do teatro brasileiro, a mulher ainda está majoritariamente posicionada como musa, uma diva no trabalho de atuação, mas sempre sob a égide de homens escritores e diretores. Ou seja, a história do teatro brasileiro elenca somente nas figuras masculinas os espaços de autoria e reconhecimento. O anonimato neste manuscrito originário pode ser um totem da trajetória dessas mulheres que escrevem para o teatro ainda hoje. Ter seu nome reconhecido é um ato político.
Essa questão, por si só já justifica a montagem de Penélope, se considerarmos que tanto a dramaturgia quanto a direção serão realizadas por artistas mulheres. Porém, o próprio universo apresentado na dramaturgia já expande a discussão para além do contexto teatral. Propor a inversão dos papéis numa história que funda os escritos artísticos no ocidente é construir um imaginário que expande o olhar feminino sobre o mundo. Há outras narrativas possíveis para além das vivências masculinas.
A jornalista e crítica teatral Pollyanna Diniz escreveu sobre Penélope de Lígia Souza :
“a espera e os lamentos que retroalimentam o que permaneceu; o desejo de liberdade e as justificativas culpadas do que fechou a porta. A autora bebe na odisseia de homero, na história de penélope e ulisses, mas realiza uma operação hábil e definidora para o texto de fazer um desvio de perspectiva. além de trazer essa relação para o campo da irmandade – o que gera outras incontáveis possibilidades de aproximação, como a parábola do filho pródigo -, os lugares ocupados pelos gêneros são desestabilizados. é a mulher quem parte. que vai em busca do preenchimento do vazio pelo desconhecido. O homem permanece, continua em casa, assume o cuidar cotidiano e enterra a sua ancestralidade. numa sociedade fincada nas bases do patriarcado, essa mudança de papéis não deve ser desconsiderada. o próprio irmão repete o juízo comum carregado do machismo que socializa a mulher para ficar “você é a filha, é mulher, teria mais jeito com eles, com a situação, eu não tinha ideia de como lidar com a velhice deles”.
A autoria feminina inaugura um espaço novo de fruição literária e constrói outros parâmetros de imaginário social. Ler uma mulher, propor personagens, protagonistas femininas, apresentar, refletir e analisar suas palavras, e estimular que outras mulheres assim o façam é também reconhecer a possibilidade de construção da arte pela diferença.

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