Carnaval
Dez marchinhas de Carnaval que marcaram a história da folia no Brasil
As marchinhas de Carnaval são parte essencial da memória afetiva da festa brasileira. Com letras irreverentes, críticas sociais bem-humoradas e refrões que atravessam gerações, elas embalam blocos de rua, bailes e desfiles desde o início do século XX.
Redação
As marchinhas de Carnaval são parte essencial da memória afetiva da festa brasileira. Com letras irreverentes, críticas sociais bem-humoradas e refrões que atravessam gerações, elas embalam blocos de rua, bailes e desfiles desde o início do século XX. Para celebrar a tradição, o Jornal A Cena preparou uma lista com 10 marchinhas clássicas que continuam vivas no imaginário popular.
1. “Ó Abre Alas” – a pioneira do Carnaval
Composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, “Ó Abre Alas” é considerada a primeira marchinha carnavalesca do Brasil. A canção abriu caminho para o gênero e se tornou símbolo da folia, sendo entoada até hoje em blocos de todo o país.
2. “Mamãe Eu Quero” – sucesso internacional
Popularizada na voz de Carmen Miranda, a marchinha “Mamãe Eu Quero” (1937) ultrapassou as fronteiras do Brasil e virou hit mundial. Seu refrão contagiante segue como um dos mais reconhecidos do Carnaval.
3. “Allah-lá-ô” – o clássico dos anos 40
Gravada por Carlos Galhardo, “Allah-lá-ô” (1940) tornou-se um marco do repertório carnavalesco. A música mistura humor e referências culturais que refletem o espírito irreverente da época.
4. “Cachaça Não é Água” – irreverência e crítica social
Com humor típico das marchinhas, a canção eternizada por Carmen Costa brinca com o imaginário popular e expõe, de forma leve, aspectos da vida cotidiana brasileira.
5. “Me Dá um Dinheiro Aí” – o grito da folia
Lançada em 1959 e interpretada por Moacyr Franco, a marchinha “Me Dá um Dinheiro Aí” virou tradição nas ruas, com seu pedido bem-humorado que ainda ecoa nos blocos de Carnaval.
6. “Aurora” – romantismo em ritmo de marchinha
Gravada por Mário Lago e parceiros, “Aurora” traz uma pegada mais sentimental, mostrando que o gênero também comporta lirismo e emoção em meio à festa.
7. “Cidade Maravilhosa” – o hino do Rio em ritmo carnavalesco
Oficialmente consagrada como hino da cidade do Rio de Janeiro, a marchinha exalta a beleza e o espírito festivo carioca, sendo presença constante em desfiles e blocos.
8. “Marcha do Remador” – tradição que atravessa gerações
Composta por Braguinha, a música tornou-se presença obrigatória nos bailes carnavalescos e segue sendo cantada por foliões de diferentes idades.
9. “Balancê” – alegria que convida a dançar
Também associada ao repertório popularizado por Carmen Miranda, “Balancê” é uma marchinha que traduz o espírito dançante e vibrante do Carnaval brasileiro.
10. “A Pipa do Vovô” – humor e nostalgia
Interpretada por Silvio Santos em gravações que circularam amplamente em rádios e programas populares, a marchinha conquistou espaço pela leveza e pelo humor nostálgico.
Por que as marchinhas ainda fazem sucesso?
Mesmo com a popularização do samba-enredo, do axé e de outros ritmos contemporâneos, as marchinhas continuam sendo a trilha sonora de muitos blocos de rua. Sua força está na simplicidade das melodias, no humor das letras e na capacidade de dialogar com diferentes épocas.
No Carnaval, elas funcionam como pontes entre gerações: avós, pais e filhos cantam juntos, reforçando a dimensão coletiva da festa. Mais do que músicas, as marchinhas são registros históricos que revelam costumes, comportamentos e transformações sociais do Brasil ao longo do século XX.
Assim, revisitar essas canções é também revisitar a própria história do Carnaval brasileiro — uma festa que se reinventa a cada ano, sem perder suas raízes populares.

