Música
Cartola, 50 anos de um disco eterno
Lançado em 1976, o álbum Cartola completa 50 anos em 2026 reunindo clássicos como “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas Não Falam” e “Preciso Me Encontrar”, reafirmando o compositor como um dos maiores poetas da música brasileira.
Foto: acervo arquivo nacional
Lançado em 1976, o álbum Cartola — também conhecido como Cartola II, é um dos marcos definitivos da música popular brasileira. Gravado quando o compositor já tinha quase 70 anos, o disco consolida a fase tardia, madura e profundamente lírica de Angenor de Oliveira, o Cartola, um dos maiores nomes do samba.
Mais do que um simples registro fonográfico, o álbum é um testamento artístico. Nele, Cartola reúne canções que atravessaram gerações e permanecem vivas no imaginário brasileiro, seja pelas letras de delicada melancolia, seja pela força poética com que fala de amor, desilusão, dignidade e resistência.
Entre os destaques está “O Mundo é um Moinho”, composta como um conselho duro e amoroso à filha adotiva, uma das letras mais emocionantes da história da canção brasileira. Mas o disco vai muito além de um único clássico: é um conjunto coeso de obras-primas que reafirmam Cartola como poeta maior do samba.
Musicalmente, o álbum aposta em arranjos sóbrios, respeitando o protagonismo da palavra e da melodia. A voz de Cartola, frágil e ao mesmo tempo carregada de verdade, dá às canções uma dimensão quase confessional, transformando cada faixa em uma pequena crônica da vida.
Cinco décadas depois, Cartola (1976) segue atual, necessário e reverenciado, um disco que não envelhece, apenas se aprofunda com o tempo.
As canções do disco Cartola (1976)
O álbum reúne 12 faixas, hoje consideradas clássicos absolutos do samba e da música brasileira:
- O Mundo é um Moinho
- Sala de Recepção
- Cordas de Aço
- Sim
- Preciso Me Encontrar
- As Rosas Não Falam
- Alegria
- Peito Vazio
- O Sol Nascerá (A Sorrir)
- Ensaboa
- Tive Sim
- Quem Me Vê Sorrindo
Um legado que atravessa gerações
Celebrar os 50 anos de Cartola é reafirmar a importância de um artista que cantou as dores e belezas do povo brasileiro com rara elegância. O disco segue sendo redescoberto por novos ouvintes, reinterpretado por diferentes artistas e citado como referência essencial para entender o samba, a canção popular e a própria história cultural do país.
Cartola não apenas compôs sambas eternos, ele ensinou o Brasil a ouvir o silêncio entre os versos.

