A CULTURA DO HALLOWEEN NA LITERATURA

Por Igor Horbach

O dia das bruxas é comemorado fortemente em vários países ao redor do mundo há centenas
de anos. Infelizmente, essa cultura não chegou tão forte por aqui. A festa europeia surgiu
quase na mesma idade do Brasil. Entre 1500 e 1800 são os primeiros registros, contudo, a
nossa literatura ainda reflete um pouco dos costumes. Para entendermos melhor, é importante
voltar um pouco na história.
Tudo começou no Festival de Samhain, na cultura celta lá no século 18, que na verdade era a
festa em tributo ao rei dos mortos. Sempre marcado pelas fogueiras e abundância em comida
após o período de colheita. A Irlanda e o país de Gales também possuem festas na mesma
data e geralmente duravam 3 dias, sendo o dia 31 de outubro o primeiro deles. Por volta de
1845 a parte norte da Europa passou por um grande período de fome e mais de 1 milhão de
pessoas foram obrigadas a se refugir nas Américas para sobreviver, levando consigo a cultura
do dia das bruxas. Aos poucos, a festa foi caindo ‘na boca do povo’ e se tornou um grande
feriado internacional.
Porém, a cultura do “Doces ou travessuras” só se popularizou muito tempo depois, por volta
de 1920, na Grande Depressão, já na América do Norte e costumavam ser bem violentas. O
que era para ser apenas brincadeiras com doces se tornavam agressões físicas ou até mesmo
vandalismos.
Como podemos ver, o dia das bruxas vem de uma cultura que resgata a ancestralidade
espiritual da sociedade e isso reflete em alguns textos brasileiros. A imagem de alguns santos
como más ou anjos perversos veio de dois caminhos, o cristianismo (com a imagem de
Lucifer e seus discípulos) e também pela cultura pagã, como vemos acima. É claro que o
termo “dia das bruxas” de maneira pejorativa parte também de uma parcela misógina onde
queimavam-se curandeiras com a acusação de bruxaria.
De qualquer forma, uma trilogia muito famosa aqui no Brasil é a de Eduardo Spohr, “Os
Filhos de Éden”. Na prosa, a história gira em torno de anjos e arcanjos que governam os céus
e a Terra enquanto Deus está no seu ‘sétimo dia’ após a criação do mundo. Embora o livro
não seja terror psicológico, podemos notar traços que provêm da cultura do halloween ao
longo da história. Partindo do princípio de que é impossível desassociar as religiões europeias
(cristianimos principalmente) da cultura pagã que originou o Halloween.
Contos de terror são mais comuns de espelhar a cultura europeia que chegou ao Brasil com
predominância já no final do século XX e início do atual, como é o caso da história “Um
pedaço do seu coração” da autora nacional Cieli Silva. A história retrata uma bruxa que de
acordo com sua profecia não pode se apaixonar até terminar sua formação ou uma grande
maldição cairá sobre si. Dito e feito ela se apaixona e uma sucessão de catástrofes se
desenrola. Outro exemplo é o meu projeto Insônia, de contos de terror psicológico, que
também estão atrelados às festividades do Halloween, apesar de não terem elementos
místicos até agora.
Assim sendo, não podemos separar a festividade que celebra os mortos e as ‘almas
depenadas’ da crença do Deus salvador e ceifador do mal. É como se estivéssemos assistindo
a um grande jogo de xadrez. Ambos são festivais muito importantes e relevantes para a
comunidade e é claro que a literatura não poderia ignorar isso.

Igor Horbach

É autor, ator, dramaturgo e produtor brasileiro. Nascido em Tangará da Serra – MT, publicou seu primeiro livro aos 14 anos e o segundo aos 16. Em 2017 se mudou para Curitiba onde iniciou sua carreira de ator, produtor e dramaturgo. Em 2019, produziu e dirigiu a serie Dislike. Em 2020 publicou seu drama de estreia, Cartas para Jack. Em 2021 lançou a série de contos intitulada Projeto Insônia.

 

 

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