Interaja conosco

Curitiba

“Humanismo Selvagem”, da companhia curitibana Bife Seco, retorna ao Guairinha com tragicomédia ácida sobre família, poder e racismo estrutural

Espetáculo com texto e direção de Dimis, faz temporada de 20 a 22 de fevereiro em Curitiba e marca a celebração dos 15 anos da Bife Seco, com participação especial de Luiz Bertazzo.

Publicado

em

Foto: Gabriel Rega

O espetáculo “Humanismo Selvagem”, produzido pela companhia curitibana Bife Seco, volta aos palcos em uma temporada especial no Teatro Guairinha, de 20 a 22 de fevereiro. Com texto e direção de Dimis, a tragicomédia mergulha nas fissuras de uma família decadente que construiu sua fortuna sobre uma herança de exploração, revelando tensões sociais, raciais e de poder que atravessam a história brasileira.

A trama se desenrola durante a celebração dos 100 anos do patriarca da família. A chegada inesperada de uma antiga empregada doméstica rompe a aparente harmonia e faz emergir traumas, segredos e violências mantidos em silêncio por décadas. Entre humor ácido e tensão psicológica, o ambiente doméstico se transforma em um verdadeiro campo de batalha simbólico.

A montagem articula crítica social, suspense e comicidade para expor contradições profundas da elite brasileira, dialogando diretamente com o público contemporâneo ao abordar temas como herança, racismo estrutural e manutenção de privilégios. O resultado é uma obra provocadora que convida à reflexão, sem abrir mão do entretenimento inquietante.

Os ingressos estão disponíveis pelo Disk Ingressos, com valores a partir de R$ 25 (meia-entrada) mais taxa administrativa. Após a temporada em Curitiba, o espetáculo segue em circulação pelas regiões Centro-Oeste e Nordeste, integrando o projeto comemorativo dos 15 anos da Bife Seco, com patrocínio oficial da Petrobras, por meio de um dos principais programas de fomento cultural do país.

Participação especial premiada

Nesta nova temporada, “Humanismo Selvagem” conta com a participação especial do ator Luiz Bertazzo, integrante do elenco do filme “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional. Com carreira iniciada em Curitiba, o artista retorna à cena local em um reencontro simbólico com a companhia Bife Seco.

A parceria entre Bertazzo e o grupo começou em 2010, com o espetáculo “Vivienne”, e se estendeu por montagens marcantes como “Peça Ruim”, “Bifes_1” e o musical “Terrível Incrível Aventura”. Sua presença nesta temporada reafirma a continuidade de uma trajetória construída em diálogo com a produção teatral autoral da cidade, agora em um momento de projeção internacional do ator.

Dramaturgia premiada e construída ao longo de uma década

A dramaturgia de “Humanismo Selvagem” foi desenvolvida ao longo de dez anos, em um processo contínuo de escrita iniciado em 2013. O texto venceu o Prêmio Outras Palavras 2020, concedido pelo Governo do Estado do Paraná, reconhecimento que garantiu sua publicação em livro, lançado nacionalmente durante a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, em 2025, como parte da Coleção Outras Palavras.

Segundo o diretor Dimis, a obra acompanha a evolução dos debates públicos sobre racismo e desigualdade no Brasil, amadurecendo suas camadas críticas ao longo do tempo. A peça combina elementos de comédia caótica e terror psicológico para investigar o legado criminoso de exploração sobre o qual muitas fortunas foram erguidas.

O processo criativo dialoga com referências do cinema contemporâneo, especialmente o terror psicológico e as narrativas sobre famílias disfuncionais popularizadas por produções do estúdio A24. Esses códigos são apropriados para tratar de uma temática profundamente brasileira: as estruturas de poder, violência e racismo que permanecem operando sob a aparência de normalidade.

Celebrando 15 anos de trajetória, a Bife Seco reafirma, com “Humanismo Selvagem”, sua vocação para um teatro autoral, crítico e conectado às urgências do presente.

Seja nosso parceiro2

Megaidea