Música
David Bowie: dez anos sem o camaleão que reinventou a música pop
Artista britânico completaria 79 anos em 10 de janeiro; morto em 2016, Bowie deixou um legado que atravessa gerações e redefiniu os limites entre música, arte e identidade
Por Redação
Se estivesse vivo, David Bowie completaria 79 anos neste 08 de janeiro. O artista britânico morreu há dez anos, em 10 de janeiro de 2016, dois dias após lançar Blackstar, álbum que se tornaria uma despedida artística e um dos momentos mais impactantes da história da música pop. Sua ausência física não diminuiu a força de um legado que continua a influenciar músicos, artistas visuais, performers e toda a cultura contemporânea.
Nascido David Robert Jones, em Londres, em 1947, Bowie construiu uma das trajetórias mais inventivas e transformadoras da música mundial. Desde o início da carreira, nos anos 1960, mostrou que sua obra não se limitaria a gêneros, fórmulas ou expectativas de mercado. Pelo contrário: Bowie fez da reinvenção constante sua marca principal.
Foi nos anos 1970 que ele se tornou um fenômeno global, ao criar personagens que romperam padrões estéticos e comportamentais. Ziggy Stardust, o andrógino mensageiro do rock vindo do espaço, não apenas redefiniu o glam rock, como abriu caminho para debates sobre identidade, gênero e performance em uma época ainda marcada por fortes conservadorismos. Bowie transformou o palco em um espaço de experimentação artística total.
Ao longo das décadas seguintes, transitou com liberdade entre estilos e linguagens. Do soul e do funk em Young Americans, à fase experimental da chamada Trilogia de Berlim (Low, “Heroes” e Lodger), passando pelo pop sofisticado dos anos 1980, Bowie nunca se acomodou. Cada álbum representava um risco, uma ruptura, um passo à frente — mesmo quando isso significava desafiar seu próprio sucesso comercial.
Mais do que um músico, Bowie foi um artista multidisciplinar. Atuou no cinema e no teatro, dialogou com a moda, as artes visuais e a literatura, e influenciou gerações de criadores ao provar que a música pop pode ser, simultaneamente, popular, conceitual e profundamente autoral.
Sua importância para a música mundial também está na capacidade de antecipar movimentos culturais. Bowie percebeu cedo a força da MTV, a fusão entre imagem e som, o impacto da tecnologia na criação artística e as transformações do consumo cultural. Sempre à frente de seu tempo, fez da arte um espaço de reflexão sobre o futuro, a alienação, o desejo, a morte e a condição humana.
Blackstar, lançado no dia de seu aniversário, tornou-se um testamento artístico. Ao transformar sua própria finitude em obra, Bowie encerrou a carreira com a mesma coragem estética que a definiu desde o início. Um gesto raro, potente e profundamente comovente.
Dez anos após sua morte, David Bowie segue vivo na cultura, não apenas como ícone, mas como referência de liberdade criativa. Seu legado não está preso a um estilo ou época, mas à ideia de que a arte deve provocar, inquietar e se transformar — assim como o mundo e as pessoas que a habitam.
No dia em que celebramos o aniversário de um artista que mudou os rumos da música, Bowie permanece como aquilo que sempre foi: um farol para quem entende a arte como espaço de invenção e liberdade.

