Prefeito Rafael Greca censura espetáculo que faz crítica a Bolsonaro

Um dos destaques do Festival de Curitiba em 2017 foi a peça “A Mulher Monstro”. O espetáculo nordestino, impactante, esgotou todas as sessões e, agora, retorna ao Festival em 2019.

A peça acaba de ser vetada pela Prefeitura de Curitiba, iria apresentar em um espaço municipal (Memorial de Curitiba). Já assinado os acordos e nacionalmente divulgada, a Sem Cia. de Teatro foi surpreendida com a impossibilidade poucos dias antes da abertura do evento. Consternados, porém como resistência, a apresentação teatral será no formato de rua e com livre acesso ao público. Vai acontecer agora nas Ruínas de São Francisco, de 04 a 07 de abril sempre às 19h.

O espetáculo é uma colagem de declarações lamentáveis, polêmicas e verídicas. Foram partida para a construção do texto opiniões das redes sociais, das ruas e as posturas de políticos e figuras públicas, como as do atual presidente e seus coligados. A tragicomédia fala do desrespeito para além do preconceito. Trata a atualidade política e social do Brasil através da figura de uma burguesa, falsa cristã, perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, sem saber lidar com a solidão e as suas relações num tempo de ódio, golpes e corrupções vistos sem vergonha.

Construído a partir de declarações de Jair Bolsonaro e de figuras públicas não só nas redes sociais.

Premiado Melhor Monólogo do Teatro Nacional 2017 pela Academia de Artes no Teatro do Brasil/Prêmio Cenym, onde em 2015 José Neto Barbosa venceu a categoria Melhor Ator: nas duas edições concorreu com nomes como Ary Fontoura, Álamo Facó, Paulo Betty, Gregório Duvivier, Marcos Veras, Marcos Caruso, entre outros grandes nomes do teatro brasileiro;

Baseado na Mulher Konga dos parques e circos nordestinos. Inspirado no conto Creme de Alface de Caio Fernando Abreu, escrito em 1975 durante ditadura militar, mas só lançado em 1994.

O espetáculo vem lotando teatros com sucesso de público e crítica por onde passa, mas também tem sofrido boicotes e ameaças por extremistas políticos e partidários. Já passou por 12 cidades brasileiras, em sete estados de três regiões do país, sendo destaque em mais de 14 festivais/mostras nacionais e internacionais. A Cia. conta com mais de 17 títulos entre premiações, indicações, menções honrosas e homenagens solenes.

Durante todo o espetáculo o ator fica preso em uma jaula, iluminado por luzes domésticas numa mesa artesanal de operações. Peça impactante, interativa e que evolui suas cenas por sessões de acordo com fatos políticos e históricos, o espetáculo garante emoção e discussões para além da ficção apresentada, prometendo a transformação de uma mulher em um verdadeiro monstro.

O processo de construção da peça começou em 2015, junto a efervescente polarização e crise política do país. Surgiu diante das barbáries sempre lidas e ouvidas de forma tão escancarada no dia a dia e, agora, acentuada não só na internet. É inspirado na poética da Mulher Monga dos parques e circos nordestinos (no sudeste e sul conhecida como Konga) de um passado recente, ainda presente no imaginário popular – uma forma poética de transpor o que realmente deve ser considerado como monstruoso. A encenação expõe falas reais, verdadeiras monstruosidades ditas e praticadas. São postos variados tempos-espaços em cena, denunciando expressões e atitudes radicalistas, fundamentalistas e segregacionistas do cotidiano. Aborda a discriminação social em tempos de alienação e ira, como a defesa do militarismo, armamentos e justiça com as próprias mãos. Não apenas metaforicamente enjaulada, ela argue as mais variadas faces da intolerância: xenofobia, racismo, sexismo, gordofobia, homolesbotransfobia e até mesmo o machismo.

A dramaturgia impacta posições de opressão, assédio, egoísmo e medo, tocando em questões urgentes de gênero, sua diversidade e o papel da mulher na sociedade. Mulher essa que mesmo quando reprodutora do machismo estrutural, ainda sim, é a maior vítima. Trata-se de uma personagem que ignorantemente se opõe ao feminismo. O ator-encenador também insere na obra memórias pessoais como subversão das dores e da sua depressão, num processo que documenta também situações da própria vida.

A peça foi inspirada no conto Creme de Alface de Caio Fernando Abreu escrita em plena ditadura militar, só publicada depois, durante a tentativa de redemocratização brasileira. Ainda tão atual, Caio F. fez único registro encontrado sobre a obra antes de falecer: o que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulher monstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns.

A evolução do espetáculo é genuinamente viva, adaptações do texto ocorrem de acordo com as manchetes e acontecimentos históricos e políticos. Cada sessão é passível de modificações e experimentações performáticas, culminando em necessárias interações com a plateia.

O solo já foi visto por sete mil pessoas. Com estreia em julho de 2016, “A Mulher Monstro” circulou por 14 festivais/mostras do país. Sem grandes patrocínios, passou por sete estados, três regiões do país e 12 cidades brasileiras em 62 sessões.

O ator do espetáculo é o José Neto Barbosa, que desde 2002 é interprete das artes cênicas, também diretor, arte educador, produtor, parecerista e gestor cultural. Com “A Mulher Monstro” foi premiado Melhor Monólogo do Teatro Nacional 2017 da Academia de Artes no Teatro do Brasil/Prêmio Cenym, onde em 2015 venceu a categoria Melhor Ator com o solo “Borderline”: nas duas edições concorreu com nomes como Ary Fontoura, Álamo Facó, Paulo Betty, Gregório Duvivier, Marcos Veras, Marcos Caruso, entre outros. Na edição 2018 foi convidado para compor o jurí de notáveis vencedores da mesma premiação. Soma 10 prêmios entre atuação e direção em festivais de cinema e teatro, fora menções honrosas, titulações e outras indicações. Conta com 34 espetáculos em currículo. Foi artista homenageado com Bastão de Molière na abertura do Teatro de Cultura Popular pelo Governo do RN e recebeu título da Academia de Letras e Artes do Agreste Potiguar. Protagonizou 27 campanhas publicitárias de vídeo (como Havaianas, Novo Jornal, Senac Idiomas, Imobiliária Caio Fernandes, Prefeitura do Recife e World Wide Fund for Nature Brasil), entre outros trabalhos no audiovisual (07 campanhas eleitorais, 04 longas, 07 curtas e 03 pilotos de seriados nacionais, e foi apresentador de 01 programa da REDE TV RN). Como professor de atuação, ministrou 11 oficinas pelo país em parcerias com o Ministério da Cultura, Fundação José Augusto, Programa RN Criativo, Universidade Federal do RN e Universidade Estadual de Ponta Grossa no Paraná. Foi professor de teatro para crianças e jovens em 04 escolas de 2009 a 2013. Em constante pesquisa, certificou-se em 16 cursos e 25 oficinas em 16 anos de trajetória artística. Como produtor participou da logística da Fifa/Copa do Mundo de 2014, foi da equipe operacional do Teatro Riachuelo Natal por três anos, e desde 2013 dirigiu produções de festivais de teatro e dança, seminários, shows e espetáculos nacionais. Como parecerista já integrou 28 comissões de seleção, muitas como presidente ou coordenador. É o Assessor de Teatro e Ópera do Governo de Pernambuco desde 2017, coordenando importantes ações como Funcultura, Prêmio Ariano Suassuna, Prêmio Pernalonga de teatro, Ciclo das Paixões, entre outros. É o curador/júri convidado do Festival de Inverno de Garanhuns/PE (desde 2017), do Festin/RN (2016 e 2017), Fenata/PR (2016), entre outros festivais nacionais. Foi objeto de pesquisa em projetos de extensões, graduações e mestrados de universidades como a LabLivre da UFABC São Paulo, da UFRN, UNP e UFPE. Considerado pelo portal Uol como um dos principais nomes do teatro brasileiro no Festival de Curitiba 2017.

A S.E.M. Cia. de Teatro foi fundada em 2012 em Natal/RN, surgiu com a necessidade do artista José Neto Barbosa oficializar seus estudos e suas experiências nesses 16 anos de trajetória na arte. Hoje a Cia. também tem sede no Recife/PE, trabalha em itinerância e conta um Núcleo de Formação. Também são integrantes Sergio Gurgel Filho (potiguar, iluminador, bailarino e ator há 14 anos), Diógenes Luiz (radicado e residente em Nova York/EUA, drag queen, maquiador, cineasta e sonoplasta há 06 anos) e Mylena Sousa (norueguesa, cineasta, fotógrafa e sonoplasta há oito anos).  Realizou 129 sessões entre quatro espetáculos de repertório.

 

José Neto Barbosa: direção, dramaturgia, atuação, cenografia e figurino

Sergio Gurgel Filho: iluminação, sonoplastia e coordenação de palco

Mylena Sousa: fotografia e registros audiovisuais

Diógenes Luiz: concepção de maquiagem e sonoplastia

Premiações e titulações:

– Vencedor do Prêmio Anual Cenym do Teatro Nacional pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (2017 – Melhor Monólogo);

– Homenagem com Título da Academia de Letras e Artes do Agreste Potiguar (2018);

– Indicação no júri popular do Troféu Cultura RN (2017 – Artista do Ano);

– Indicação ao Prêmio APACEPE do Festival Internacional Janeiro de Grandes Espetáculos (2017 – Melhor Ator e Melhor Maquiagem);

– Indicação no júri popular do Troféu Cultura RN (2016 – Melhor Ator e Melhor Espetáculo);

– Vencedor do Prêmio Hermilo Borba Filho do 3º Festival Nordestino de Teatro de Trindade/PE (2016 – Melhor Direção);

– Indicação aos prêmios do 3º Festival Nordestino de Teatro de Trindade/PE (2016 – Melhor Cenografia, Melhor Iluminação, Melhor Espetáculo e Melhor

Maquiagem);

– Homenagem com Bastão de Molière na inauguração do Teatro de Cultura Popular Chico Daniel em Natal/RN (2016 – Governo do RN);

– Vencedor do Prêmio Anual Cenym do Teatro Nacional pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (2015 – Melhor Ator);

– Indicação ao Prêmio Anual Cenym Melhor Monólogo do Teatro Nacional pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (2015 – Melhor Monólogo);

– Menção Honrosa no 43º FENATA/UEPG (2015 – Melhor Espetáculo);

– Vencedor dos Prêmios Evoé do Festival Nordestino de Espetáculos Teatrais de Exu/PE (2015 – Melhor Ator, Melhor Cenografia e Melhor Maquiagem);

– Indicação no Prêmio Evoé do Festival Nordestino de Espetáculos Teatrais de Exu/PE (2015 – Melhor Iluminação, Melhor Direção e Melhor Texto);

– Vencedor do Troféu Cultura RN (2014 – Melhor Ator e Destaque Literatura);

– Indicação no júri popular do Troféu Cultura RN (2014 – Melhor Espetáculo);

– Vencedor do Prêmio Profissionais do Ano do Sindicato dos Artistas/SATED RN (2013 – Ator Revelação).

SERVIÇO:

A MULHER MONSTRO (RN/PE)

Ruínas de São Francisco

De 04 a 07 de abril

Quinta a domingo às 19h

Aberto ao público

Classificação livre

Aprox. 90 minutos de duração

Contato: (84) 99466-9714 (whatsapp) / semciadeteatro@gmail.com

 

 

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