Música
Jorge Ben Jor completa 87 anos: o alquimista do samba que reinventou o Brasil em som
Aos 87 anos, Jorge segue como uma entidade viva da música — um artista que não apenas acompanhou mudanças, mas ajudou a moldá-las. Ouvir Jorge Ben Jor é, ainda hoje, redescobrir o Brasil em forma de ritmo, palavra e invenção.
Neste 22 de março, Jorge Ben Jor celebra 87 anos — e não é exagero dizer que sua obra continua pulsando como se tivesse sido lançada ontem. Dono de uma das assinaturas musicais mais reconhecíveis do planeta, Jorge não apenas criou canções: ele construiu um idioma próprio, onde samba, rock, funk, soul e espiritualidade caminham de mãos dadas.
Nascido no Rio de Janeiro, Jorge Ben surgiu nos anos 1960 com um violão percussivo e uma maneira única de cantar — meio falada, meio encantada — que logo o colocou em um lugar à parte na música brasileira. Seu primeiro álbum, Samba Esquema Novo (1963), já trazia clássicos como “Mas Que Nada”, que viria a se tornar uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo.
Mas reduzir Jorge Ben a um hit seria injusto. Ao longo de décadas, ele foi um verdadeiro arquiteto de grooves, criando atmosferas que misturam cotidiano, misticismo, futebol, amor e histórias urbanas. Suas letras parecem simples à primeira audição, mas escondem camadas de humor, crítica e poesia.
Nos anos 1970, sua sonoridade ganhou ainda mais corpo, incorporando elementos elétricos e dialogando com o funk norte-americano. Discos como A Tábua de Esmeralda (1974) e África Brasil (1976) mostram um artista em plena expansão criativa, capaz de transformar referências esotéricas e ancestrais em música pop de altíssimo nível.
Jorge Ben Jor também é um dos artistas mais sampleados e reinterpretados da história. Sua obra atravessou fronteiras, influenciando gerações de músicos dentro e fora do Brasil. De DJs a bandas de rock, passando pelo hip-hop, seu som continua sendo matéria-prima para novas criações.
Aos 87 anos, Jorge segue como uma entidade viva da música — um artista que não apenas acompanhou mudanças, mas ajudou a moldá-las. Ouvir Jorge Ben Jor é, ainda hoje, redescobrir o Brasil em forma de ritmo, palavra e invenção.
E talvez seja essa sua maior magia: transformar o cotidiano em celebração, e a música em um estado permanente de alegria.

