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Dia do Jornalista – O desabafo de uma jornalista cansada

Por Vanessa R Ricardo

Nesse dia 7 de abril, onde se comemora o Dia do Jornalista, comecei a fazer uma reflexão sobre o ser jornalista cultural, que é o que me move. Sou repórter de rádio também e cubro politica, inclusive gosto muito. Mas tenho no jornalismo cultural, como missão. Me sinto privilegiada, pois não é todo mundo que tem a chance de trabalhar com aquilo que ama.  Mas isso não significa que as vezes não fica exaustivo.

O Jornal A Cena surgiu em abril de 2013,  já se vão  nove anos de história. Começou no impresso, com uma edição colorida, mas logo migrou para internet, os novos tempos do jornalismo digital, que lá na faculdade em 2004 já ouvimos falar tanto, tinha chego. E o jeito é seguir o mercado. O Jornal A Cena, surgiu com o intuito de dar voz aos artistas, as pequenas companhias de teatro, a música autoral produzida aqui e no país. E por muito tempo ele cobriu seu papel. Mas com a chegada das redes sociais, as coisas ficaram mais complicadas, e lá fomos nós se adequar novamente ao mercado. E admito, que demorei muito pra perceber a importância de estar nas redes sociais, e acabei me acomodando com meus 30 mil leitores por mês. Sendo bem sincera umas das minhas maiores dificuldades é aparecer. Mas sei que terei que transpor essa barreira para que o Jornal A Cena, continue existindo. Pois são as novas maneiras de se comunicar, só não me peçam para fazer dancinha no tikteco.

Muito além de uma reflexão, esse texto é um desabafo. Por causa desses quase dez anos de história, vocês devem imaginar o quanto de material eu recebo. Não estou reclamando não, foi por causa desses milhares de e-mail que recebo todos os meses, que descubro histórias fascinantes, artistas incríveis espalhados por esse Brasilzão. É um grande privilégio, eu diria. Mas isso não quer dizer que não entro em crise, que não penso em desistir. Já pensei em encerrar o projeto Jornal A Cena, muitas vezes. Mas ele continua resistindo, não sei até quando. Fazer jornalismo cultural em Curitiba, numa cidade tão conservadora não é fácil.

Infelizmente hoje se resume tudo em seguidores, não importa se você tem um conteúdo de qualidade, se você trabalha dentro de um projeto editorial, o que importa são esses números. E isso é extremamente cansativo. A sensação que tenho, que tudo se resume a isso. É como se o trabalho não tivesse valor. —Ah você não tem milhares de seguidores, então não pode. Sim, é triste eu sei, mas é assim que funciona. Um exemplo disso, é o que aconteceu em um grande festival de música aqui no Brasil, onde os jornalistas, mesmo eles com bastante seguidores, foram trocados pelos blogueiros com seus milhões de seguidores. Me pergunto as vezes se é o fim do Jornalismo Cultural.

É uma pena imaginar o fim, pois o Jornalismo Cultural, ajuda a construir o intelectual e o cultural de uma nação. Por isso, nesse 7 de abril, valorize aqueles que levam informação de qualidade na construção de uma sociedade mais crítica.

 

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