Cultura
Curitiba se despede de Efigênia Rolim, a “Rainha do Papel de Bala”
Curitiba se despede de sua rainha — e guarda, em cada gesto de reinvenção, um pouco de sua cor e poesia.
Foto: Priscila Forone
Curitiba perde uma de suas artistas mais singulares. Faleceu Efigênia Rolim, conhecida como a “Rainha do Papel de Bala”, criadora de uma obra que uniu arte, sustentabilidade e imaginação a partir de materiais descartados.
Nascida em Minas Gerais, em 1931, Efigênia construiu no Paraná uma trajetória marcada pela invenção e pela sensibilidade. Seu gesto fundador — recolher papéis de bala das ruas e transformá-los em arte — tornou-se também um posicionamento ético e poético diante do mundo. Onde muitos viam lixo, ela via potência.
Autodidata, transitou por diversas linguagens: foi artista visual, performer, contadora de histórias e educadora. Sua presença, muitas vezes vestida com criações feitas de papel de bala, marcou escolas, ruas, teatros e museus, aproximando públicos diversos de uma arte acessível e profundamente simbólica.
Ao longo da carreira, recebeu importantes reconhecimentos e participou de exposições e projetos culturais em todo o país. Em Curitiba, consolidou-se como uma figura afetiva e emblemática da cidade, daquelas que atravessam o cotidiano e se tornam memória coletiva.
Sua produção dialoga com a tradição da cultura popular brasileira e com a oralidade, articulando narrativa, crítica social e consciência ambiental. Ao transformar resíduos em personagens, objetos e histórias, Efigênia elaborou uma estética própria — ao mesmo tempo lúdica e política.
Mais do que uma artista, foi uma pensadora do cotidiano. Sua obra propõe outras formas de olhar para o mundo, valorizando o que é descartado e reinventando sentidos.
A morte de Efigênia Rolim encerra uma trajetória fundamental para a arte brasileira, mas seu legado permanece vivo: nas obras, nas ideias e na memória de quem foi atravessado por sua criação.
Curitiba se despede de sua rainha — e guarda, em cada gesto de reinvenção, um pouco de sua cor e poesia.

