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Cultura

Cultura movimenta R$ 387,9 bilhões e emprega 5,9 milhões no Brasil: o trabalho invisível que sustenta o setor

No Dia do Trabalho, dados do IBGE revelam o peso econômico da cultura no país, mas também escancaram desigualdades, informalidade e desafios estruturais para trabalhadores do setor

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Foto: Maringas Maciel

Neste 1º de maio, Dia do Trabalho, os números da cultura brasileira ajudam a reposicionar o debate sobre emprego e economia no país. Longe de ocupar um lugar periférico, o setor cultural emprega hoje cerca de 5,9 milhões de pessoas e movimenta R$ 387,9 bilhões em valor adicionado, o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os dados, apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a retomada dos Diálogos do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), revelam um setor robusto, diverso e em transformação, mas ainda marcado por profundas contradições.

A cultura representa 6,8% das empresas brasileiras e responde por 4,2% dos empregos formais. Em 2022, eram mais de 644 mil organizações culturais ativas no país, responsáveis por uma massa salarial de R$ 102,8 bilhões. A remuneração média no setor, de R$ 4.658, supera a média nacional um indicativo da qualificação da força de trabalho.

Mas os números positivos não contam toda a história.

Apesar de mais escolarizados 30,1% dos trabalhadores da cultura têm ensino superior completo, acima da média nacional, quase metade atua na informalidade. Em 2024, 44,6% dos profissionais estavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria, evidenciando um cenário de instabilidade e fragilidade na proteção social.

A precarização também tem recortes claros. Segundo especialistas, há uma “feminização da informalidade”, com mulheres mais presentes em vínculos precários. Além disso, a distribuição do trabalho cultural é desigual no território: estados como São Paulo e Rio de Janeiro concentram maior participação, enquanto regiões da Amazônia Legal registram índices significativamente menores.

Ao mesmo tempo, o setor passa por mudanças estruturais importantes. Atividades ligadas à internet, ao desenvolvimento de softwares e à publicidade digital vêm ganhando protagonismo, ampliando o conceito tradicional de cultura e incorporando de vez a economia criativa ao debate.

Outro dado relevante aponta para o acesso: entre 2020 e 2024, os preços de produtos e serviços culturais cresceram menos que a inflação geral, o que pode indicar menor barreira econômica ao consumo. Hoje, cerca de 90% da população brasileira está conectada à internet, e o consumo cultural digital como vídeos, música e leitura online se consolida como prática dominante.

Ainda assim, o desafio permanece: como transformar a potência econômica da cultura em condições dignas de trabalho?

A resposta passa, necessariamente, por políticas públicas mais estruturadas e baseadas em dados. A retomada dos Diálogos SNIIC indica um esforço nesse sentido aproximar pesquisa e gestão para qualificar decisões e enfrentar gargalos históricos do setor.

Neste Dia do Trabalho, a cultura brasileira se apresenta como um campo estratégico para o desenvolvimento do país. Mas, para além dos números expressivos, o que está em jogo são as condições de vida de milhões de trabalhadores que, entre palcos, telas, ruas e redes, sustentam diariamente a produção simbólica e econômica do Brasil.

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